Greve geral desafia governo Macri | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 06.04.2017
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Economia

Greve geral desafia governo Macri

Paralisação em protesto contra medidas de austeridade atinge setores-chave da Argentina, como educação, saúde, indústria e transporte. Presidente acusa sindicatos de se comportarem como mafiosos.

Manifestantes se reuniram na ponte Pueyrredón, em Buenos Aires

Manifestantes se reuniram na ponte Pueyrredón, em Buenos Aires

Os argentinos paralisaram parte do país nesta quinta-feira (06/04) com uma greve geral contra medidas de austeridade do governo Mauricio Macri. A paralisação, a primeira na atual gestão, atingiu sobretudo o setor de transportes, e houve confrontos entre manifestantes e polícia.

Em Buenos Aires, quase todo o sistema de transporte público parou, praticamente somente os táxis circularam pelas ruas da capital argentina. O governo da cidade decretou a gratuidade dos pedágios das estradas e dos estacionamentos públicos durante o dia de greve, a fim de incentivar os trabalhadores a comparecerem em seus postos de trabalho em seus próprios veículos.

Segundo o Departamento de Aviação Civil da Argentina, a greve interrompeu 800 voos e afetou cerca de 60 mil passageiros. A Aerolíneas Argentinas cancelou seus voos nacionais e internacionais, que sairiam dos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque.

A paralisação atingiu ainda fortemente setores-chave como educação, com grande parte das escolas fechadas, saúde, indústria e o bancário.

"A greve é um sucesso. Demonstrou por todo o país o descontentamento com as políticas econômicas do governo", avaliou Carlos Acuna, líder da CGT.

A economia argentina recuou 2,3% em 2016. Apesar da promessa eleitoral de baixar a inflação para 10% em dois anos, o índice, no primeiro ano do governo de Macri, chegou a 40%, e com ele houve uma queda no poder aquisitivo da população. A pobreza no país também vem aumentado, diferente do prometido. Quase um terço dos argentinos vive na pobreza.

Macri condenou a greve e disse que a paralisação não ajuda os trabalhadores. O presidente acusou ainda os sindicatos de se comportarem como mafiosos.

Confrontos

Além da greve, manifestantes protestaram em várias regiões. A polícia foi acionada para controlar os piquetes e cortes de estradas que começaram a ocorrer desde a madrugada desta quinta-feira nas entradas das principais cidades do país, com níveis de tensão maiores nos acessos a Buenos Aires.

Com um amplo esquema de segurança, a polícia reprimiu nesta manhã com gás lacrimogêneo um grupo de manifestantes que tinha cortado o trânsito na rota Pan-Americana, um dos principais acessos ao norte da capital.

O incidente, que terminou com vários feridos e nove detidos, ocorreu depois que a ministra de Segurança, Patricia Bullrich, ordenou a liberação da estrada.

Bullrich pediu que a população saísse de suas casas e não se deixasse amedrontar pelas "máfias" que, segundo afirmou, querem impedir a sociedade de exercer seus direitos. "Saiam para trabalhar, de bicicleta, carro, caminhão, caminhonete, ou o que seja", sugeriu a ministra em declarações à emissora de televisão "Todo Noticias".

Além do corte na Pan-Americana, diferentes grupos de manifestantes deram um nó no trânsito em áreas da capital como a Praça do Obelisco e em acessos como a ponte Pueyrredón, onde centenas de integrantes de movimentos sociais lançavam palavras de ordem contra o Executivo.

CN/efe/afp

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