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Mundo

Gravidez infantil causa 70 mil mortes por ano, aponta relatório

Fundo da ONU registra que 20 mil adolescentes dão à luz a cada dia, 95% das quais nas nações em desenvolvimento. ONG alemã alerta que, por trás da situação, está uma série de violações dos direitos humanos.

O novo Relatório Sobre a Situação da População Mundial, elaborado pela ONU, teve como foco a gravidez entre meninas e jovens. Os números são alarmantes: a cada dia, 5 mil menores de 15 anos dão à luz em todo o mundo. Ampliando o limite para 18 anos, são 20 mil adolescentes, 95% das quais nos países em desenvolvimento. Nessas regiões, uma entre cada cinco jovens fica grávida antes dos 18 anos, resultando em mais de 7 milhões de nascimentos por ano.

O documento foi elaborado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e apresentado nesta quarta-feira (30/10), em Berlim, pela ONG DSW.

"É um relatório corajoso", diz Renate Bähr, diretora-geral da fundação. Para ela, os dados comprovam como os direitos de crianças e mulheres são desrespeitados, sobretudo nos países ao sul do Saara. "Esse tema é totalmente tabu", completa.

Casamentos infantis

O diretor da UNFPA, Werner Haug, lembra que a gravidez infantil muitas vezes acarreta danos à saúde, e que 70 mil meninas morrem anualmente devido a complicações durante a gestação ou o nascimento. Entre as principais causas de óbito estão abortos, fístulas obstétricas e doenças sexualmente transmitidas.

Weltbevölkerungsbericht Renate Bähr

Renate Bähr, da ONG DSW

Durante a coletiva de imprensa na capital alemã, Haug enfatizou que uma gravidez precoce reflete toda uma série de violações dos direitos humanos. Para as vítimas, fica praticamente barrado o acesso ao estudo ou a uma vida profissional autônoma. "Por trás da gravidez de uma adolescente estão outras instâncias decisórias – família, pais, o parceiro. Não há como se falar em autodeterminação", explica.

Outro fator institucional importante para as gestações precoces são os matrimônios infantis, já que, em 90% dos casos, as meninas são casadas. Nos últimos cinco anos, reduziu-se de 4% para 3% o total de menores de 15 anos que declararam ter dado à luz. Segundo a UNFPA, isso se deve "principalmente a uma redução dos casamentos arranjados muito precocemente".

Em nações como Bangladesh, Guiné, Mali, Moçambique, Níger e Chade, em contrapartida, a porcentagem desses partos entre jovens ainda gira em torno de 10%, enquanto na América Latina e no Caribe ela continua crescendo.

Países industrializados

Weltbevölkerungsbericht Werner Haug

Werner Haug, diretor da UNFPA, que elaborou o relatório anual

Os autores do relatório anual ressalvam, no entanto, que em muitos países são insuficientes ou mesmo inexistentes os dados sobre gravidez infantil entre os 10 e os 14 anos de idade.

O Relatório Sobre a Situação da População Mundial de 2013 também mostra que o problema não é exclusivo dos países em desenvolvimento. Uma média de 5% das gestações entre 15 e 19 anos cabe aos países industrializados – cerca de 680 mil nascimentos, a metade deles nos Estados Unidos.

Entre as causas do fenômeno, além de fatores econômicos, são mencionados a falta de esclarecimento sexual e a manutenção dos papéis tradicionais de mulheres e homens.

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