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Alemanha

Grass confessa participação em tropa de elite nazista

Günter Grass (78) admite pela primeira vez ter se apresentado como voluntário ao serviço militar nazista e participado quando jovem de tropa de elite especialmente atuante no Holocausto. Da entrevista ao "FAZ".

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Porta-voz da consciência histórica alemã, Grass causa choque com suas revelações

Voluntário das Forças Armadas nazistas

O que mais me importava era escapar. Do aperto, da família. Eu queria pôr um fim naquilo e então me apresentei como voluntário. Isso também é estranho: apresentei-me, aos 15 anos, e depois esqueci deste processo como se fosse um fato. Foi o que aconteceu com muitas pessoas nascidas no mesmo ano que eu. Estávamos no Serviço de Trabalho [Nota: Arbeitsdienst, iniciativa de trabalho voluntário posteriormente instrumentalizada pelo nazismo para recrutamento em massa de jovens], e de repente, um ano depois, a ordem de alistamento já estava assinada. E só então, talvez só em Dresden, fui constatar que era a Waffen-SS.

Sem culpa na época

[Sentimento de culpa] enquanto isso? Não. Posteriormente, aquilo pesou sobre mim como uma vergonha. Para mim, tudo isso sempre esteve ligado à seguinte questão: "será que você poderia ter reconhecido a tempo o que estava acontecendo à sua frente?"...

O porquê da confissão

Isso me oprimia. Meu silêncio durante todos esses anos é uma das razões de eu ter escrito este livro. Eu tinha que pôr isso para fora, finalmente...

Não vítimas e sim coniventes

Dizia-se que "a Alemanha havia se obscurecido", um eufemismo. Fazia-se de conta que o pobre povo alemão tinha sido seduzido por um bando de sujeitos obscuros. Isso não é verdade. Em criança, vivenciei tudo acontecendo em plena luz do dia. E com entusiasmo e encorajamento. E por meio de sedução também, é claro. Quanto à juventude, havia muitos e muitos que participavam com entusiasmo. E era justamente esse entusiasmo e suas causas que eu pretendia investigar, já ao escrever O Tambor e agora novamente, meio século depois, no meu novo livro...

Relembrar é como descascar cebola

Tive que encontrar uma forma para este livro, isso foi o mais difícil. É um clichê dizer que nossas memórias, nossas auto-imagens podem ser ilusórias e freqüentemente o são. Enfeitamos, dramatizamos, amarramos vivências em anedotas. E tudo isso, inclusive o que todas as lembranças literárias têm de questionável, era o que eu queria deixar transparecer e ecoar na forma. Por isso a cebola. Ao descascar cebola, ou seja, ao escrever, as coisas vão se tornando claras e legíveis de camada em camada, frase por frase, e assim algo extraviado ganha vida novamente.

Memória como única fonte

Como criança refugiada – já tenho quase 80 anos e ainda me denomino criança refugiada – eu não tinha nada [nenhum arquivo familiar ao qual recorrer]. No livro, aponto que colegas meus crescidos no Lago Constança ou em Nurembergue ainda têm em mãos seus boletins escolares e tudo quanto é coisa de sua infância. Eu não tenho nada mais. Tudo desapareceu. Só algumas poucas fotos que minha mãe conseguiu guardar, e é tudo. Minha situação era desvantajosa, mas isso acabou mostrando suas vantagens durante a narração.

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