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Ciência e Saúde

Grandes soluções por meios simples no oeste da África

O avanço da mudança climática global torna cada vez mais difícil para os pequenos agricultores de Sahel manter suas culturas. Projetos que revivem técnicas agrícolas tradicionais estão fazendo a diferença.

O Sahel, no oeste da África, é uma região semiárida entre o Saara, ao norte, e as savanas, ao sul. Com uma área de 3 milhões de quilômetros quadrados, inclui nove países: o Burkina Faso, Gâmbia, Chade, Mali, Guiné-Bissau, Mauritânia, Senegal, Níger e Sudão.

Com uma população de 55 milhões. o Sahel já sofreu muitos desastres naturais. Ao longo do século 20, as secas causaram mortes e fome, deixando milhões na dependência de socorro alimentar externo. O desmatamento descontrolado e o excesso de pastos comprometem a estabilidade do solo, de forma que, nos períodos de chuvas fortes, as parcas plantações são aniquiladas e massas d'água arrastam consigo povoados inteiros.

Futuro mais seco

Embora divididos quanto às causas das severas variações climáticas, num ponto os climatologistas são unânimes: a situação tende a piorar.

"Os especialistas acreditam que todos os fenômenos climáticos extremos irão aumentar na África Ocidental, haverá tanto períodos de seca mais longos quanto chuvas mais fortes", alerta Hermann Lotze-Campen, agroeconomista do Instituto Potsdam de Pesquisa do Impacto Climático.

"Condições climáticas extremas, somadas a altas temperaturas que ultrapassam 45º C nos Estados da região de Sahel, deverão agravar a escassez de água e tornar a região ainda mais seca."

As notícias não são boas para uma região cuja existência é extremamente dependente da renda gerada pela plantação de painço e algodão. "Menos chuva significa menos lucros. Segundo estimativas, nas próximas décadas a colheita no Sahel deverá cair entre 20% e 50%. E isto, num momento em que países como o Níger terão a maior taxa de crescimento demográfico do mundo", explica Chris Reij, especialista em agricultura sustentável do Centro de Cooperações Internacionais da Universidade Livre de Amsterdã.

Saber regional como base

Esses problemas não são novos. Há muito se oferecem donativos e apoio internacional para ajudar a região a se armar contra as mudanças climáticas. No vilarejo de Jataba, na Gâmbia, por exemplo, constroem-se bombas d'água movidas a energia solar, como parte de um projeto de 114 milhões de euros financiado pela União Europeia. O plano dos engenheiros é que essas bombas venham a abastecer o Sahel com água.

Entretanto, na opinião de Dirk Thies, que, a serviço da Sociedade Alemã de Cooperação Técnica (GTZ), dirige um projeto semelhante em Burkina Faso, "às vezes o que funciona melhor para os agricultores são sistemas de irrigação e técnicas de armazenamento simples". "No momento em que se introduzem sistemas de alta tecnologia, surgem problemas com investimentos e com o know-how", observa.

Nesse sentido, há alguns exemplos de projetos bem sucedidos, com focos diversos, que vão desde o processamento hídrico até práticas agrícolas tradicionais.

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Especialistas defendem projetos sustentáveis para a Gâmbia, que não dependam de fundos internacionais

Chris Reij, que já trabalha há mais de 30 anos na zona do Sahel, chama a atenção para um projeto em Burkina Faso que reativou uma antiga tradição local chamada "zai", que consiste em semear frutos do campo em covas cavadas na terra. Estas mantêm a água e os nutrientes próximos às raizes das plantas por um longo período, permitindo-lhes sobreviver às fases de seca. Esse método já possibilitou o cultivo em áreas semidesérticas.

Uma outra iniciativa da GTZ em Burkina Faso for a construção de muros de pedras, no final dos anos 80. Acompanhando o relevo natural da paisagem, essas construções ajudam a evitar o escoamento da água e a erosão do solo.

Ponto comum entre esses projetos é serem desenvolvidos a partir do saber nativo. "Os agricultores locais reagem com sensibilidade às mudanças climáticas, eles possuem milhares de anos de experiência", explica Thies. "Eles conhecem os riscos e nunca apostariam tudo numa única cartada. Para ser sincero, um fazendeiro de Burkina Faso está muito mais bem preparado para a mudança climática do que seus colegas alemães."

Brotos verdes

A ONG anglo-mali Sahel Eco apoia os agricultores no cultivo de espécies nativas de árvores. Já nascendo naturalmente nas terras cultivadas, elas protegem as plantações do calor intenso, suavizam o vento e mantêm a umidade do solo. As folhas fornecem, ao mesmo tempo, alimento para o gado e húmus, ao cair no chão. A prática já atravessou as fronteiras de Burkina Faso, sendo empregada também em Níger e Mali.

"Nossos estudos mostram que no Níger e Burkina Faso, cerca de 500 mil hectares de terra não agricultável foram recuperados nos últimos 20 anos, graças a essa prática", registra Reij. Ela também permitiu elevar o nível dos lençóis freáticos em até 5 metros. No Níger, os agricultores também plantaram 200 milhões de novas árvores. "É possivelmente o avanço ambiental mais positivo do Sahel. Ninguém podia imaginar uma coisa dessas."

É possível visualizar os verdes brotos dessa recuperação climática até mesmo nas imagens de satélite divulgadas pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos em 2008.

Win-win

Segundo Thies, diretor de projetos da GTZ, o trabalho de lobby é um fator importante para esses sucessos. Os governos precisam ser convencidos a realizar reformas, é necessário o acesso ao mercado. Por um lado, para incentivar a prosperidade, mas, por outro, também para que os pequenos agricultores possam cuidar de suas terras e árvores. Assim, abrem-se novas chances, espera Thies.

Portanto, embora a região do Sahel ainda se encontre diante de problemas drásticos, essas vitórias em pequena escala podem ser vistas como uma importante lição para as medidas do futuro.

"Tais projetos criam uma situação win-win – de ganho para todos. Eles ajudam os agricultores a enfrentar a mudança climática global e, ao mesmo tempo, mitigam a pobreza da população rural. Além disso, asseguram o abastecimento de alimentos", enumera Reij. "Há muitas histórias de sucesso sob o sol africano, mais do que se possa imaginar."

Autor: Sonia Phalnikar (aks)
Revisão: Augusto Valente