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Cultura

Grandes orquestras: uma espécie ameaçada

Várias entre as 136 orquestras profissionais da Alemanha estão às portas da falência. Enquanto umas ainda lamentam o fim dos tempos das vacas gordas, outras já saltaram para o mundo da cultura privatizada, "made in USA".

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'Salvem os sinfônicos" – cartaz da orquestra de Berlim

Em condições normais, Andreas Moritz, diretor da Sinfônica de Berlim, estaria preparando os festejos para o quadragésimo aniversário de sua orquestra. Tudo indica que, em vez disso, ele terá em breve que anunciar o fim dessa instituição da cultura alemã: "Se nas próximas semanas não encontrarmos um major partner, segundo o modelo norte-americano, a orquestra desaparecerá para sempre", afirma Moritz.

Ele atribui a culpa pela dramática situação ao Senado de Berlim. No ano passado este cortou os subsídos em vários milhões de euros, levando o corpo orquestral à ruína. Atualmente os músicos trabalham praticamente de graça, para ao menos poder manter de pé seu programa de concertos. Pois, segundo o diretor, esta é a única possibilidade de atrair investidores em potencial.

Moritz assegura que não hesitaria um segundo em colocar o logotipo de uma empresa no site da Sinfônica, caso encontrasse um patrocinador. Ele vai mais longe: seus músicos poderiam até subir ao palco em fraques coloridos, nas cores da empresa que os patrocinar.

Fora com a aura elitista

Dirigent Sir Simon Rattle

Simon Rattle à frente da Filarmônica de Berlim

A situação da Orquestra Sinfônica de Berlim é representativa de muitos dos 136 conjuntos profissionais da Alemanha. Há já algum tempo a difícil situação da economia alemã faz-se sentir na cena cultural: após anos de generoso apoio estatal, é preciso poupar em todos os campos. Por exemplo a Deutsche Filmorchester de Potsdam e a Orquestra da Rádio da Baviera também estão prestes a fechar.

Os grandes conjuntos instrumentais, até então quase exclusivamente financiados com recursos públicos, estão entre os mais afetados pela nova ordem econômica. Eles precisam urgentemente agir, para continuar subsistindo com meios próprios. Moritz propõe: "É absolutamente necessário livrar a cultura da aura elitista. Esta é a única chance de anular os argumentos a favor dos cortes na área".

Modelo "made in USA"

Esta é também a opinião de Gerald Mertens, diretor da Associação das Orquestras Alemãs: "É preciso que as orquestras documentem melhor seu papel na sociedade". Embora sendo a número um da música clássica, em todo o mundo, a Alemanha está muito atrás da Grã-Bretanha, e sobretudo dos Estados Unidos, em termos de inovação.

Em média, os cofres públicos norte-americanos cobrem apenas 4% dos orçamentos de suas orquestras. Na Alemanha o quadro é praticamente invertido: a participação dos investidores circula, em média, em torno de 13%, comenta Mertens.

Apostando na geração jovem

O presidente do Conselho Alemão de Música, Martin Maria Krüger, vê o futuro da cena clássica do país em despertar o entusiasmo dos jovens por sua herança musical. E alguns músicos já começaram a colocar em prática esta filosofia.

Hermann Bäumer, diretor musical da Orquestra Sinfônica de Osnabrück, não só organiza concertos para escolas, como proporciona "aventuras musicais" para crianças. Ele viaja com grupos, por exemplo, até uma mina de carvão desativada, onde as crianças são convidadas a gravar os sons de uma antiga máquina a vapor. Com este material, elas devem compor mais tarde suas próprias obras.

"Sob o patrocínio de..."

Assim como suas irmãs da província, as grandes e célebres orquestras das metrópoles estão lutando pela sobrevivência. Um exemplo é a Filarmônica de Berlim atualmente sob a direção do inglês Simon Rattle.

Embora o Senado da capital alemã garanta a metade de seu orçamento anual de 30 milhões de euros, ela já encontrou um patrocinador privado. Discreta porém inconfundivelmente, a marca do Deutsche Bank adorna o site dos filarmônicos na internet: " a passion for music".

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