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Cultura

Grande Dama da psicanálise alemã, Margarete Mitscherlich, morre aos 94 anos

Considerada fonte de inspiração do movimento estudantil dos anos 60, Margarete Mitscherlich faleceu. A ela se atribui retorno da psicanálise à Alemanha após a Segunda Guerra e a luta pelo resgate coletivo da era nazista.

O Instituto Sigmund Freud que a psicanalista Margarete Mitscherlich faleceu na terça-feira (12/06) em Frankfurt, pouco antes de completar 95 anos de idade. Ela era considerada uma das mais importantes psicanalistas alemãs do pós-guerra.

Ela ficou conhecida sobretudo pelo livro Die Unfähigkeit zu trauern (A incapacidade para o luto), publicado na Alemanha em 1967 juntamente com seu marido, o psicanalista Alexander Mitscherlich. A coletânea de ensaios é considerada um texto-chave sobre o passado nazista, que, segundo os autores, não teria sido superado pelos alemães.

O casal se engajou em prol de um resgate coletivo da ditadura de Hitler. O livro, que teve grande influência sobre o movimento estudantil, foi traduzido em diversas línguas. Atribui-se a Margarete Mitscherlich o retorno da psicanálise à Alemanha.

O Instituto Sigmund Freud a louvou como uma mulher de "imponente verdade intelectual". Ela e seu marido teriam prestado uma grande contribuição, ao retornar à Alemanha após o exílio forçado durante a Segunda Guerra Mundial, declarou em sua página de internet a instituição sediada em Frankfurt, onde Mitscherlich lecionou durante vários anos.

Precursora do movimento estudantil

Capa do livro mais célebre do casal Mitscherlich

Capa do livro mais célebre do casal Mitscherlich

Durante mais de meio século, a médica estudou o estado psicológico dos alemães e contribuiu para o discurso sociopolítico contemporâneo. De pai dinamarquês e mãe alemã, Mitscherlich nasceu em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, e cresceu na região de fronteira entre a Alemanha e a Dinamarca. Após estudar literatura e medicina, ela fez sua formação como psicanalista.

Em 1955, ela e seu marido se mudaram com o filho para Heidelberg. Durante os anos 60, o casal trouxe de volta à Alemanha a psicanálise, que fora banida pelos nazistas. Em 1960, os Mitscherlich fundaram o Instituto Sigmund Freud em Frankfurt.

A instituição foi dirigida por Alexander Mitscherlich durante vários anos. O Instituto é considerado um precursor do movimento estudantil do final dos anos 1960. O casal tornou-se fonte de inspiração para as revoltas juvenis.

"O radicalismo da idade"

O dois psicanalistas tiveram grande sucesso como autores. Em 1967, publicaram o estudo sobre a incapacidade para o luto, no qual atestam uma falta de reflexão dos alemães, em relação ao seu sentimento de culpa quanto à era nazista.

Margarete Mitscherlich atendia pacientes mesmo em idade avançada

Margarete Mitscherlich atendia mesmo em idade avançada

Já com quase 60 anos de idade, em meados dos anos 70, Margarete Mitscherlich tornou-se também conhecida como ativista do movimento feminista. Na época, ela se engajou pela legalização do aborto. Em 1985, ela escreveu Die friedfertige Frau (A mulher pacífica), no qual estudava o papel das mulheres na política. Durante toda a vida, a chamada "Grande Dama da psicanálise alemã", recebeu diversas condecorações, entre elas, a Cruz de Mérito do governo alemão (Bundesverdienstkreuz).

Mesmo em idade avançada, ela atendia em seu consultório de psicanálise em Frankfurt. Em 2011, chegou a publicar um livro sobre o envelhecimento. "Você sabe desde o nascimento que a única coisa certa na vida é a morte. Com absoluta certeza, você morrerá um dia", escreveu Mitscherlich em Die Radikalität des Alters (O radicalismo da idade). E "esta certeza", complementou, "lhe chega da forma mais radical quando tiver a minha idade."

CA/dapd/afp/epd
Revisão: Augusto Valente

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