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Cultura

Grande dama da literatura alemã completa 75 anos

Vida e obra de Christa Wolf estão intrinsecamente ligadas. Considerada uma "dissidente leal" nos tempos da Alemanha Oriental, a autora de "Cassandra" é um dos grandes nomes da literatura contemporânea alemã.

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A mulher e a divisão alemã, temas de Christa Wolf

"Ela apostou na República Democrática Alemã (RDA) porque procurava uma alternativa ao capitalismo. Ela ficou no país porque só lá podia escrever. Ela sonhava com o socialismo, mas à margem do partido. Ela não permitiu que a calassem, afirmando sua própria capacidade de expressão. Mas cantou baixinho, para não assustar ninguém." Essas frases concisas dizem o que é mais importante na vida da escritora alemã-oriental Christa Wolf e constam de sua primeira biografia recém publicada. Um dos grandes nomes da literatura contemporânea alemã, ela completa 75 anos nesta quinta-feira (18).

A descrição, ao mesmo tempo, define muito bem a posição incômoda em que muitas vezes se viu a escritora nascida em Landsberg (atual Polônia) e que foi uma das primeiras a abordar a divisão alemã em seus livros. Céu Dividido teve uma tiragem de 160 mil exemplares logo na primeira edição, em 1963.

Cassandra e a fidelidade à utopia socialista

Neste livro, Christa Wolf conta a história de um amor que fracassa na divisão das duas Alemanhas, na intolerância e hiprocrisia inerentes à realidade esquizofrênica dos dois Estados alemães. Com isso, a escritora conquistou leitores dos dois lados do Muro, e seus livros passaram a ser publicados quase concomitantemente nas duas Alemanhas.

"Eu amei este país", escreveu certa vez Christa Wolf a Günter Grass, após o declínio da RDA. "Eu sabia que ele estava no fim, porque já não podia integrar as melhores pessoas, porque exigia sacrifício humano", continua sua carta. Foi quando ela decidiu escrever Cassandra, livro no qual colocou uma mensagem clara, inclusive para a censura em seu país.

"Eu esperei ansiosa para ver se eles se atreveriam a entender a mensagem de Cassandra de que o declínio de Tróia era inevitável", expôs ainda Christa Wolf em sua correspondência com o último escritor alemão a receber o Nobel de literatura. Os leitores entenderam a mensagem, mas não os censores, que publicaram o livro sem cortes.

Uma escritora sem lugar no mundo

Galerie Berliner Mauer Militärparade

A tribuna de honra com os "medalhões" da RDA, em 7 de outubro de 1989, quando a Alemanha Comunista festejou 40 anos, um mês antes da rebelião pacífica que poria fim à divisão alemã

Mas aí aconteceu algo que muitos no Ocidente não conseguiram entender no seu comportamento. Se 'Tróia' tinha que desaparecer, por que Christa Wolf assinou um manifesto intitulado "A favor deste país", pouco antes do fim amargo da RDA? Ela não pensou na velha Alemanha Oriental, explicou a autora de Cassandra, mas, "por um pequeno momento histórico, em um país muito diferente, que nenhum de nós nunca verá".

Christa Wolf não via uma alternativa à RDA e cada vez mais aumentava sua sensação de não ter uma pátria, como exprime um de seus títulos: Kein Ort. Nirgends (Sem lugar. Em lugar algum). Ele foi publicado em 1979, praticamente quando a escritora se sentia contra a parede, poucos anos após a extradição do autor e compositor Wolf Biermann. Vida e obra de Christa Wolf estão intrinsecamente ligados.

O apelo de muitos artistas e escritores contra a expulsão de Biermann em 1976 — Christa Wolf e seu marido estiveram entre os iniciadores — foi a tentativa desesperada de continuar seguindo, de cabeça erguida, o caminho de uma outra via alemã após a barbárie nazista.

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