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Alemanha

Grande coalizão na Alemanha é opção preferida entre vizinhos europeus

O pleito na Alemanha foi acompanhado com interesse em toda a União Europeia. Jornalistas do bloco apontam que aliança entre CDU de Angela Merkel e social-democratas pode redirecionar economia europeia para o crescimento.

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Angela Merkel, aqui entre o presidente francês François Hollande (e) e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, foi a primeira líder da UE a ser reeleita desde o início da crise

Grande parte dos vizinhos da Alemanha na Europa aponta que a chamada grande coalizão – aliança entre a CDU conservadora da chanceler federal Angela Merkel e o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda – é a melhor opção da maior economia europeia para o bloco político-econômico.

O motivo é que, a partir de agora, espera-se que a Alemanha amacie a postura em relação a algumas medidas de austeridade tomadas para países em dificuldades, direcionando a política europeia do país para a retomada do crescimento.

Angela Merkel é a primeira líder europeia a ser reeleita desde o início da crise financeira internacional, em 2008. Figura controversa entre os europeus (uns a responsabilizam pelo agravamento de efeitos da crise, como o aumento do desemprego, e outros a veem como uma líder que pode ajudar a concretizar a política europeia nos próprios países), ela conseguiu, com seu partido, um resultado histórico na eleição do último domingo (22/09) e agora inicia as negociações para uma coalizão de governo.

Abaixo, um resumo das principais expectativas europeias por jornalistas de vários países do bloco:

Nicolas Barotte, correspondente em Berlim do jornal conservador francês Le Figaro:

"O presidente socialista francês, François Hollande, não tinha muitas esperanças de uma vitória do SPD (Partido Social-Democrata). Para ele, a melhor solução seria a grande coalizão. A França espera um aumento do consumo e dos gastos na Alemanha e um relaxamento da posição de Berlim quanto à política de crescimento da Europa. Mas seja qual for a formação do governo, Paris anseia por melhoras no relacionamento franco-alemão.

A imprensa e o público do país prestaram muita atenção às campanhas eleitorais. Figura representativa do sucesso da Alemanha, Angela Merkel goza de muito prestígio como chefe de Estado. Se os franceses tivessem votado nas eleições alemãs, também teriam dado a ela a maioria dos votos. No entanto, a opção de uma grande coalizão causou espanto na França, onde diferenças entre a esquerda e a direita são bem mais profundas. Em Paris, uma grande coalizão como essa seria impossível."

O jornalista freelancer Ioannis Papadimitrou, que também escreve para a DW a partir de Atenas, descreveu as reações na Grécia:

"De acordo com a principal rede de televisão da Grécia, a Mega Channel, a grande coalizão seria um cenário político favorável para o país, informação que teria sido confirmada por representantes do ministério das Finanças ao canal de televisão. No entanto, a ascensão do partido eurocético AfD (Alternativa para a Alemanha) causou algumas dores de cabeça entre os jornalistas. O Mega Channel chegou a descrever a agremiação como de 'extrema direita'.

Tassous Telogou, do canal STAR Channel, vê a possibilidade de uma grande coalizão como algo positivo para a Grécia, uma vez que o SPD é tradicionalmente 'a favor de reforçar as demandas domésticas', o que é visto como uma tendência favorável aos países do sul da Europa que passam por dificuldades.

O correspondente do STAR em Bruxelas, Thanos Athanassiou, chegou a afirmar que o caminho agora está aberto a uma recapitalização retroativa dos bancos gregos pelos mecanismos de resgate da União Europeia.

As eleições alemãs nunca foram seguidas com tanta atenção como agora na Grécia. 'A Alemanha vota, a Europa aguarda', foi a manchete do principal jornal do país, o Kathimerini, no domingo da eleição (22/09). Há, no entanto, alguns temores isolados de que o novo governo federal da Alemanha possa abandonar a Grécia em meio à crise. Mas o ex-presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert-Pöttering, que pertence ao conservador CDU, reassegurou em entrevista ao Kathimerini que a Alemanha irá permanecer ao lado da Grécia."

Flaminia Bussotti, da agência italiana de notícias ANSA:

"As eleições alemãs foram seguidas com muito interesse na Itália, assim como em toda a Europa. A imprensa, os políticos e também a população nas ruas querem saber quem governa a Alemanha. Todos sabem que muito do que acontece na Itália não será decidido apenas em Roma, mas também em Bruxelas e Berlim. Ainda que sem a mesma extensão na Grécia, existe a percepção dos italianos que a Alemanha é responsável pelas duras medidas de austeridade que sufocaram a economia e levaram ao aumento do desemprego. Houve também tensão social nos últimos meses, seguida por iniciativas populistas que, felizmente, não duraram muito.

Não há na Itália, ressentimentos em relação aos alemães, mas há vozes críticas a Berlim. Das coalizões possíveis, a melhor para a Itália e para a Europa seria a grande coalizão, uma vez que ela estaria mais focada no crescimento do que na austeridade, e daria novo fôlego à economia. Ainda assim, todos os principais políticos concordam que as reformas e as medidas de austeridade deverão ser mantidas. Se pudermos acreditar nos comentaristas, o próximo mandato de Merkel terá, de modo geral, maior foco no crescimento, o que é algo que a Itália aguarda com ansiedade."

Wojciech Szymanski, correspondente na Alemanha para a rádio pública polonesa:

"Ao contrário do que ocorre em muitos outros países europeus, Angela Merkel é muito popular na Polônia. Ela está no topo da lista dos políticos estrangeiros mais importantes. Podemos presumir que sua vitória nas eleições é vista pela maioria dos poloneses como algo positivo.

De qualquer maneira, para o atual governo polonês ter Merkel à frente do governo é uma boa notícia. Não é segredo que o primeiro-ministro Donald Tusk tem bom relacionamento com a chanceler federal, o que faz com que a vitória da CDU de Merkel traga vantagens para seus objetivos na Europa. As eleições alemãs chamaram muita atenção na Polônia. Diversos canais de rádio e TV fizeram coberturas especiais no domingo à noite. Comparado à pequena quantidade de notícias estrangeiras que geralmente temos, esse é um fato bastante especial."

Frank Vermeulenm, do jornal holandês NRC Handelsblad, observou as diferentes constelações políticas e como elas se saíram na noite de domingo:

"Uma grande coalizão faria do resultado dessas eleições o mais enfadonho desde a Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, parece ter havido alguma movimentação no quadro político alemão. Se o Partido Liberal democrático (FDP) tivesse sido substituído pelo AfP, poderia haver um fator positivo: significaria que alguns dos chamados "cidadãos enfurecidos" estariam representados no parlamento. A desvantagem, no entanto, poderia ser o início de um período volátil na democracia alemã. Se Merkel tivesse atingido a maioria absoluta, significaria que o país mais importante da Europa Central seria governado por um único movimento político. O que daria o que pensar, tanto à Alemanha quanto para os demais países da Europa."

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