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Eleição na Alemanha

Grande coalizão é a única saída

O resultado das eleições é uma supresa embaraçosa: ao contrário do previsto nas últimas semanas, os eleitores não votaram pela mudança de governo. Uta Thofern comenta.

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Depois desta noite de apuração, há apenas uma certeza: a Alemanha não está disposta a mudar. Este é o pior indício imaginável para o futuro governo. O chanceler federal, Gerhard Schröder, foi em busca uma demonstração de apoio para a continuação de seu projeto de reformas – e não conseguiu o que queria.

A coalizão social-democrata-verde sai do poder, apesar de um resultado sem grandes prejuízos para o SPD, quando se pensa nas condições das quais esta campanha partiu. Resultado este que foi atingido única e exclusivamente graças ao empenho pessoal do chanceler federal.

Sem missão de reformas radicais

A presidente da CDU, Angela Merkel, pretendia receber do eleitorado a missão de levar a cabo ainda mais reformas. E reformas mais radicais. E ela também não conseguiu o que queria.

Os votos nas urnas recebidos pelos democrata-cristãos não bastam para formar a desejada coalizão com os liberais. E mesmo que Angela Merkel venha a ser a primeira mulher a ocupar o posto de chefe de governo da Alemanha, a vantagem sobre o SPD será mínima.

Sem frente popular de esquerda

A provável grande coalizão a ser formada pela CDU e pelo SPD não será o grande lance, nem poderia ser. Uma CDU enfraquecida, com uma presidente vulnerável e ainda dividindo o poder com alguém do SPD, que já dá sinais de querer o poder.

Embora tenha sido exatamente a política do partido que tenha levado a uma divisão da esquerda na Alemanha, fazendo com que a social-democracia esteja hoje pior do que nunca na preferência do eleitorado. Isso não pode acabar bem. E, mesmo assim, uma grande coalizão ainda é, no momento, a melhor opção para a Alemanha, por ser a única praticável.

Uma aliança do SPD, do Partido de Esquerda e dos Verdes não apareceu nem mesmo em forma de fantasma para assustar durante a campanha eleitoral. Apesar de todos os sonhos de alguns velhos esquerdistas, não vai haver uma frente popular de uma esquerda reunificada.

Os Verdes se situam muito ao centro da sociedade, os abismos entre o SPD e o Partido de Esquerda são profundos demais e as acusações trocadas pelos seus líderes pesadas demais.

Sem coalizão Jamaica

Tampouco se cogita o que na Alemanha se chama de coalizão Jamaica, em alusão à bandeira do país caribenho, que une as cores símbolo dos partidos CDU, Liberal e Verdes. A aliança multicor entre os três teria até um certo charme, mas não tem chances de ser levada a cabo.

Embora os partidos não estejam tão distantes no que diz respeito a questões relacionadas à cidadania – uma vez que a União Democrata Cristã chegou nestes termos ao século 21 –, o problema seria convencer os Verdes, que (ainda) não estaria dispostos. Eles mantiveram os resultados das últimas eleições porque continuam fiéis a seus princípios e podem, assim, também sobreviver bem na oposição.

Sem coalizão semáforo

Ficaria então a opção de uma coalizão entre SPD, Verdes e Liberais. Esta teria uma maioria clara no Parlamento, mas estável não seria. As ressalvas da bancada verde seriam muito grandes e a liderança do partido já se opôs várias vezes contra tal aliança. Além disso, os liberais se candidataram em nome de uma coligação com os democrata-cristãos.

O partido iria perder a força que acaba de ganhar para os próximos cinco anos, se, como já ocorrido duas vezes na história alemã do pós-guerra, resolvesse mudar de terreno político. Os liberais podem tirar maior proveito estando na oposição e vão por isso ganhar tempo – afinal, não é necessário ser profeta para saber que uma grande coalizão não ficará muito tempo no governo.

... resta a grande coalizão

A CDU e o SPD precisam formar um governo comum. Pois apesar da grande maioria no Parlamento, as possibilidades de dar forma a uma grande coalizão serão poucas.

Na câmara alta do Parlamento (Bundesrat), os dois partidos juntos tem agora apenas um voto a mais, porque os diversos Estados alemães são governados por diferenças coalizões. Diante dos ambiciosos governadores democrata-cristãos, que durante a campanha eleitoral não deram apoio incondicional à candidata Angela Merkel, a maioria aí também parece ser improvável.

O SPD, por sua vez, seria triturado entre a necessidade de um governo pragmático por um lado e a oposição de esquerda, mesmo dentro do partido, de outro. O fato de exatamente Gerhard Schröder ter anunciado a intenção de continuar a governar como chanceler federal do SPD numa situação destas beira a megalomania. Afinal de contas, ele próprio pediu eleições antecipadas, para evitar situações como esta.

É bem possível que a CDU e o SPD tenham que trocar suas lideranças, para que uma grande coalizão seja realmente possível. É bem possível também que a Alemanha precise, em breve, de novas eleições.

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