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Mundo

Grampo mina justificativa da guerra no Iraque

Revelação de que o serviço secreto britânico teria espionado o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, mina a autoridade moral que levou o Reino Unido à guerra no Iraque e pode colocar o premiê Tony Blair em sérios apuros.

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Schröder (dir) liderou a resistência à guerra de Blair (esq) e Bush

Esta é a avaliação predominante da imprensa na Alemanha sobre a denúncia feita pela ex-ministra britânica do Desenvolvimento Internacional Clare Short. Em entrevista à BBC, ela disse que o serviço secreto do Reino Unido teria colocado grampos no escritório de Annan, em Nova York, para possibilitar uma avaliação melhor dos procedimentos na ONU na luta do gabinete do primeiro-ministro Tony Blair por uma segunda resolução sobre o Iraque. Ela própria teria lido transcrições dos arapongas britânicos.

A revelação soa plausível, segundo o diário alemão Financial Times Deutschland, "e cria um problema grave para Tony Blair porque coloca a justificativa moral da guerra na corda bamba". A razão da denúncia da ministra teria sido o processo judicial contra uma intérprete do serviço secreto britânico que, por razões de consciência, passou informações à imprensa antes da guerra. O governo Blair retirou a queixa, provavelmente por medo de a mulher fazer novas revelações.

Detalhes sujos - Como o governo Blair entrou na guerra do Iraque contra a vontade da maioria dos eleitores britânicos, observa o jornal econômico alemão, "até hoje ele não pode se dar ao luxo de a opinião pública britânica conhecer detalhes sujos".

O Handelsblatt tem opinião semelhante: "O problema real agora é que a denúncia da ex-ministra reforça a impressão de que o Partido Trabalhista de Blair disse meias verdades e usou vários truques para rebocar o país para a guerra". A denúncia da ex-ministra rebelde sepulta a esperança oficial de que o suicídio do perito de armas Kelly caia logo no esquecimento, depois do parecer do lorde Hutton altamente favorável ao governo, segundo o diário. David Kelly se matou em julho de 2003 depois que o seu nome ficou conhecido como o informante de reportagens da BBC.

O governo Blair não pode ser dar ao luxo de abusos como o cometido pelo serviço secreto de sua majestade na ONU, exatamente por causa da situação precária em que se encontram as forças aliadas no Iraque, avalia outro jornal alemão. "Afinal, Londres pode precisar da ajuda de diplomatas na ONU para a reconstrução do Iraque muito mais cedo do que pode imaginar", escreveu o Badische Zeitung.

"Alemanha não espiona organizações internacionais" - O governo alemão, que liderou a resistência na Europa à guerra dos Estados Unidos e Reino Unido no Iraque, não se manifestou publicamente sobre a denúncia da ministra.

Enquanto o chanceler federal Gerhard Schröder era recebido pelo presidente George W. Bush, na Casa Branca, nesta sexta-feira (27), o seu porta-voz, Thomas Steg, limitou-se a dizer, em Berlim, que o governo não teria conhecimento de que a sua representação na ONU tenha sido espionada por agentes dos britânicos ou americanos. A espionagem alemã é, em geral, para combater ações criminosas e ameaças aos interesses nacionais alemães, segundo Steg.

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