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Cultura

Grafite, música eletrônica e relações virtuais

Exposição em Frankfurt radiografa sob cinco aspectos os "jovens" de hoje. Uma faixa etária que pode até passar dos 40!

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Exposição 'A Juventude de Hoje', em Frankfurt

A morte da rebeldia contra os pais ou "o sistema". A substituição das utopias sociais das décadas passadas pelos microinteresses imediatos. Relações afetivas passageiras construídas virtualmente. A música e a estética clubber como espaços fundamentais de afirmação da identidade e a instauração de uma nova ordem visual no espaço urbano.

Uma mostra na Schirn Kunsthalle, em Frankfurt, esboça um traçado urbano-antropológico da juventude da primeira década do milênio. Em termos políticos, existenciais, sexuais, musicais e de interação com a cidade. Veja as conclusões:

Die Jugend von Heute

'Che', escultura em cera do artista britânico Gavin Turk

Política e revolta: causas sem rebeldes

Se os jovens foram um dia vistos no papel de rebeldes sem causa, o contexto atual aponta para "causas sem rebeldes". Os teens, apostam os teóricos, perderam no decorrer dos últimos 20 anos o status de outsiders. O conflito de gerações, pelo menos à primeira vista, parece "solucionado". Rebeldias como a de 68 não passam de uma curiosidade histórica e tornar-se como os próprios pais deixou de ser um pesadelo ameaçador.

Aderir a formas de pensamento "rebeldes" nos dias atuais seria "não apenas impossível, como sem sentido. Pois quase todos os atributos do comportamento adolescente já foram desconstruídos ou sugados pela cultura pop", afirma o teórico Jens Hoffmann.

O ponto de vista é marcado na exposição em Frankfurt por Che, do artista Gavin Turk, em que Che Guevara, ícone da rebeldia dos anos 60–70, aparece imóvel, como em um museu de cera. Explicitando a imobilidade emblemática daquele que, um dia, incorporou o "não" jovem ao universo "careta" dos pais.

Um rastro de rebeldia, porém, ainda resta entre os jovens de hoje, aposta a exposição. Esta só se dá, contudo, entre quatro paredes. E pode ser observada na micropolítica das culturas rave e tecno, das quais faz parte um detalhismo que marca a vestimenta e o gosto musical. Códigos que só podem ser interpretados pelos "escolhidos", os que "sabem das coisas".

Em termos profissionais, as inseguranças das relações que marcam a "Geração Estágio" – um grupo de pessoas em torno dos 30 anos, que se submete a condições de trabalho discutíveis, deixando-se explorar como se fossem estagiários – se alastram por outros setores, teoriza Mercedes Bunz no catálogo que acompanha a exposição.

Die Jugend von Heute

Cena de 'Casting', do artista português João Onofre

Existência: questão de copyright

O cenário hoje, afirma o teórico Georg Seesslen, é o de um sistema que não quer se transformar e, para isso, integrou a mudança como um fator de estabilização do status quo. As tendências da moda e as novas tecnologias de comunicação só servem para alimentar o mercado em movimento. Premissa que fica explícita no vídeo Casting, do português João Onofre.

Ou, em outros casos, o código visual é usado para dar subsídios a determinadas posições políticas já existentes. Como no caso do véu muçulmano de jovens turcas que vivem na Alemanha, por exemplo, vistas por Seesslen como a prova de "uma sexualização de preceitos políticos e uma politização de preceitos sexuais". Ou seja, o corpo da jovem sendo usado para demonstrar conflitos sociais implícitos. A questão passa a ser de "copyright": "de quem são os jovens?"

Continue lendo: corpo e sexo; música e cultura clubber; espaço urbano.

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