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Mundo

Grécia tem de optar entre política de austeridade e saída da UE

Gregos irão às urnas em junho. Caso os críticos à política de austeridade vençam, é provável que o país deixe a zona do euro. Para a Grécia, as consequências disso seriam fatais. Para a UE, imprevisíveis.

Do ponto de vista europeu, os números registrados em Atenas são preocupantes: de acordo com pesquisas de intenção de voto, a aliança dos esquerdistas radicais Syriza poderá angariar 30% dos votos no próximo 17 de junho, tornando-se assim a maior força no parlamento do país. Isso irá significar, segundo o presidente do Syriza, o fim da política de austeridade.

O paradoxo é que mais da metade da população acredita em outros rumos para o país, diz Janis Emmanouilidis, do Centro de Política Europeia, sediado em Bruxelas. "O cenário mais provável é que seja formado um governo sob a liderança da conservadora Nova Democracia", diz ele. E os conservadores apoiariam as medidas de austeridade e reformas, completa o especialista.

Necessidade de longas reformas

Uma das explicações para resultados tão díspares nas enquetes é a suposição de que os eleitores não têm coragem de dizer que vão continuar votando nos partidos anteriormente no poder – responsáveis, no fim das contas, pela miséria atual do país, acreditam alguns analistas. Ou a de que os eleitores queiram manter a pressão sobre os velhos partidos e sobre a Europa.

Não importa quem assuma o poder, fato é que o novo governo grego terá que negociar com a troika formada por União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O caminho para tirar o país da crise não pode ser trilhado sem reformas, confirma Emmanouilidis. Estas reformas, diz ele, são todas de longo prazo e de natureza tanto econômica, quanto política e social. "Pois a Grécia precisa de reformas radicais, caso contrário não há como tirar o país da crise", completa o analista.

Alexis Tsirpas besucht Berlin

Alexis Tsirpas, líder dos esquerdistas radicais

Tirar da crise significa aqui permanecer na zona do euro – e isso é o que querem mais de 80% dos gregos. Ao mesmo tempo, dois terços da população mantêm uma postura avessa à política de austeridade. Posições, pelo menos sob o ponto de vista da UE, bastante paradoxas.

O país encontra-se em recessão, com 25% da população ativa desempregada. Ou seja, uma política de austeridade sem um programa paralelo de incentivo ao crescimento os gregos não querem nem podem aguentar. Neste contexto, as declarações do populista de esquerda Alexis Tsipras, de que a UE apenas blefa com a ameaça da saída de Grécia da zona do euro, encontra um terreno fértil.

"Blefes de ambos os lados"

"Blefa-se dos dois lados. Trata-se de um jogo duro de negociações", observa Janis Emmanouilidis. A UE argumenta que pode arcar com a saída da Grécia da união monetária. E assim vai sendo pintado e preparado o cenário da saída do país, tanto pelos bancos e empresas, quanto no nível político. "É claro que temos que nos preparar para tudo, pois caso contrário não estaremos cumprindo nossas funções", explicou Jean Claude Juncker, presidente do Grupo do Euro, em uma cúpula da UE na última quarta-feira (23/05).

Na Grécia, os opositores da política de austeridade afirmam que a troika não pode avaliar as reais consequências de uma saída do país da zona do euro e que, por isso, precisa apoiar os gregos, mesmo que eles não consigam cumprir suas obrigações. Emmanouilidis não acredita nesta suposição. Para ele, mesmo que a saída de um país da união monetária acarrete riscos, "é errado acreditar que os parceiros apoiem a Grécia a longo prazo, caso o país não cumpra com seus compromissos". Este jogo é perigoso para os dois lados, aponta o analista.

Saída cara

Griechenland Banken Kunden

Gregos levam dinheiro para o exterior com receio de saída do país da zona do euro

Ninguém duvida que uma retirada da Grécia da união monetária seria fatal. Há controvérsias, contudo, a respeito das consequências disso para a zona do euro e para a UE como um todo. Há quem veja um momento de pavor, embora este momento pudesse pôr fim às crises nas quais a Europa se encontra. E há quem alerte – como o presidente do Banco Central Alemão, Jens Weidmann – para o perigo de consequências imprevisíveis para toda a Europa.

Há ainda conspirações que apontam para o risco de um "efeito dominó", que arrastaria outros Estados europeus em crise. Janis Emmanouilidis lembra que o desmembramento da Grécia – não regulamentado juridicamente e do ponto de vista prático difícil de ser organizado – teria também custos. Pois um país se dispõe a sair voluntariamente da união monetária somente se houver uma contrapartida adequada, diz ele.

Autora: Daphne Grathwohl
Revisão: Roselaine Wandscheer

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