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Mundo

"Grécia não faz chantagem", diz eurodeputado grego

Dimitris Papadimoulis, vice-presidente do Parlamento Europeu, afirma que Atenas quer continuar negociações após referendo. Em entrevista, ele rejeita ideia de que outros países consultem suas populações sobre o assunto.

Dimitris Papadimoulis, de 60 anos, é vice-presidente do Parlamento Europeu e pertence ao Syriza, partido que está no poder na Grécia. Em entrevista à DW, ele diz que Atenas não quer chantagear os credores e não pretende sair da zona do euro.

"É de interesse mútuo chegar a um acordo. Os custos do fracasso seriam altos para toda a União Europeia", ressalta.

Ele afirma que se a população decidir, no referendo do próximo domingo, por um "não" às propostas dos credores, isso não seria um "não" para a Europa ou para a busca de uma solução.

Deutsche Welle: Caso o povo grego disser não no referendo do domingo – rejeitando assim as propostas dos europeus –, o que vai acontecer na próxima segunda-feira? Qual é a sua estratégia?

Dimitrios Papadimoulis: Nesta semana, os líderes das bancadas dos partidos do Parlamento Europeu apelaram para que todas as lideranças da Europa deem mais uma chance a um acordo. O programa de resgate deveria ser prorrogado. E os gregos devem exprimir sua vontade livre e democraticamente, em conformidade com os valores europeus.

Em qualquer caso, é de interesse mútuo chegar a um acordo. Os custos do fracasso seriam altos para todos, não apenas para os gregos, mas para toda a União Europeia (UE). Os custos seriam não só financeiros, mas também de natureza geopolítica. Acredito que não deve haver ameaças ou chantagens de qualquer lado. Temos que abrir a porta para uma solução aceitável. Isso é de interesse comum.

O que pode acontecer se a maioria decidir por um "não"? Seu governo, então, voltaria a Bruxelas na segunda-feira e continuaria a negociar?

Sim, claro. Este "não" não seria um "não" para a Europa, ou para a zona do euro, ou para a participação da Grécia na união monetária, ou para a busca de uma solução. O "não" seria dirigido apenas contra uma proposta que não foi aprovada. Este seria um "não" a um ultimato e a um comportamento que lembra uma chantagem. O governo grego não chantageia ninguém, mas ao mesmo tempo não queremos ser chantageados.

No caso de o povo grego dizer "sim" no domingo, aceitando as propostas dos europeus, o que acontece na segunda-feira? O governo voltará à mesa de negociações ou renunciará, por querer um "não"?

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse tudo numa entrevista realizada no começo da semana. Eu concordo com ele. Em qualquer caso, haverá uma decisão que poderá dar respostas em conformidade com nossa Constituição, nossa democracia e nossas regras parlamentares.

Em outras palavras, o primeiro-ministro renunciaria? Ele não foi muito claro em sua entrevista.

Ele será claro após o [referendo de] domingo. Agora não é o momento para responder a essa pergunta. Agora temos que trabalhar ativamente para encontrarmos uma solução.

Tsipras também disse na entrevista à televisão que a Grécia deve ao Banco Central Europeu cerca de 120 bilhões de euros, vindos da Assistência Emergencial de Liquidez (ELA, na sigla em inglês) e de outros fundos. Ele argumenta que não se poderia deixar a Grécia sair do euro, porque esse dinheiro seria, então, perdido. Por isso, os europeus não expulsariam a Grécia, porque não poderiam arcar com os custos. Isso não seria um tipo de chantagem?

Não, é o senso de realidade que diz que é do interesse comum de todos os lados encontrar uma solução. Se você olhar para os acontecimentos recentes nos mercados de títulos e na estabilidade do euro, então, você vai ver que não é só a Grécia, mas toda a zona euro que tem apenas a opção de encontrar uma solução. Acho que, para todos os líderes europeus – apesar de algumas diferenças –, uma saída da Grécia seria ruim. O status de membro da zona do euro é irreversível. Este é um forte argumento para a Europa. Temos que trabalhar para garantir isso.

O senhor diz que o referendo grego é um exemplo de democracia. Sendo assim, os outros países do euro não deveriam perguntar a seus povos se eles estão dispostos a continuar pagando pela Grécia? Os alemães, franceses, holandeses e outros não deveriam realizar um referendo também?

Não, eu não acho que agora seja o momento certo para realizar tal discussão tão filosófica.

Mas isso também seria democracia, não?

Não, não. Não quero lidar com isso agora.

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