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Mundo

Grécia e Turquia tentam resolver conflito de Chipre

Horas antes de começar a cúpula da União Européia, Grécia e Turquia iniciaram nova tentativa de solucionar o conflito de Chipre. A UE admite, em último caso, só a integração da parte grega da ilha dividida.

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Rebanho de ovelhas na ilha de Chipre

O primeiro-ministro grego, Costas Simitis, e o presidente do partido governista islâmico da Turquia, Reecep Tayyip Erdogan, encontraram-se em um hotel, em Copenhague, a fim de discutir o plano da ONU para uma reunificação da ilha invadida por tropas turcas em 1974. Paralelamente, o encarregado especial da ONU encontrou-se com o presidente greco-cipriota, Glavkos Klerides.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, havia pedido, na véspera, ao presidente da UE e primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussense, que abrisse novas conversações e se ofereceu para conversar pessoalmente com os representes dos dois governos de Chipre, à margem da conferência dos chefes de Estado e de governo da UE.

O representante turco-cipriota, Rauf Denktasch, rejeitou a proposta de Annan para a reunificação de Chipre e anunciou que não assinaria um acordo no encontro de dois dias dos líderes europeus. Denktasch avisou que não apareceria na conferência que começa nesta quinta-feira (12) na capital dinamarquesa.

Também o chefe do governo greco-cipriota, Glafkos Klerides, rejeitou o plano da ONU, mas prometeu comparecer ao encontro de cúpula. Este vai decidir sobre a adesão de Chipre, Malta e oito países do Leste Europeu: Letônia, Estônia, Lituânia, Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia e Eslovênia.

Modelo suíço

O Chipre é a questão política mais espinhosa entre os dez países que deverão ser integrados à UE em 2004. Os líderes europeus gostariam que gregos e turcos aceitassem o plano da ONU, porque a integração só da parte grega cimentaria a divisão da ilha a longo prazo. A proposta de Annan é baseada no modelo da Suíça: gregos e turcos deveriam ter um governo comum com uma presidência rotativa, e os turcos teriam de devolver uma parte dos 36% que controlam, tendo que se contentar futuramente com 28,5% desse território.

A devolução possibilitaria o retorno dos gregos aos lugares de onde foram expulsos ou fugiram durante a invasão do norte da ilha por tropas turcas, no início dos anos 70, estimados em 200 mil. Embora refugiados gregos tenham se manifestado favoráveis ao plano de Annan, é incerto o número dos que realmente voltariam para os seus lugares.

Turco-cipriotas desejam melhorias

Os turco-cipriotas também são por uma solução, mas, com certeza, não retornariam para os lugarejos na parte grega de onde fugiram durante e depois da invasão turca. Os turcos desejam, todavia, uma solução pacífica e melhorias no padrão de vida. De um lado, com um livre comércio nas linhas de demarcação entre o sul e o norte, hermeticamente fechadas atualmente. De outro, com um projeto comum e para todos, que seria o livre comércio com a União Européia.

O desejo dos turcos insulares recebeu apoio especial do novo governo em Ancara, que está apostando tudo para começar a negociar a sua própria integração na UE. Só o chefe do governo turco-cipriota continua criando obstáculos. Parece difícil para Denktasch desistir do sonho de ser presidente de um Estado independente, mesmo que reconhecido só por Ancara.

Chance histórica

Atenas e UE defendem o plano da ONU. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, também manifestou o desejo de "não ser desperdiçada a chance histórica de solucionar um velho problema". O primeiro-ministro turco derrotado nas urnas, Bülent Ecevic, havia ameaçado anexar o norte turco de Chipre, caso a UE aceitasse só a adesão da parte grega. Isso representaria um golpe duro para os turcos na ilha e no continente, como admitem agora círculos em Ancara.

Clerides e Denktasch negociaram durante meses, em 2002, e no final estagnaram em suas posições iniciais: os gregos queriam um Estado único com um governo central forte e duas regiões parcialmente autônomas. Os turcos queriam dois Estados independentes e com os mesmos direitos, que seria representado fora por um governo central fraco. O plano da ONU poderia construir uma ponte sobre a lacuna entre as duas posições, mas para que seja aceito é preciso coragem e visão das duas partes, como disse Kofi Annan.

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