Governos europeus sabiam dos voos secretos da CIA, diz relator | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 27.03.2009
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Mundo

Governos europeus sabiam dos voos secretos da CIA, diz relator

Em depoimento ao Bundestag, o relator especial do Conselho da Europa afirmou que os países da Otan sabiam desde o início sobre as atividades secretas da CIA em território europeu.

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Marty concluiu que membros da CIA teriam usado a base norte-americana de Ramstein e o aeroporto de Frankfurt

Os governos europeus, incluindo a Alemanha, estavam informados sobre prisões e voos secretos da CIA na Europa após os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

A acusação foi feita nesta quinta-feira (26/03) pelo suíço Dick Marty, relator do Conselho da Europa, diante de uma comissão especial do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) que investiga o envolvimento do Serviço Federal de Informações (BND) e outros órgãos alemães no combate ao terrorismo.

Marty disse não acreditar que as autoridades alemãs de segurança não tivessem sido informadas sobre estas atividades ilegais até 2005, mas acrescentou não dispor de provas disso. Naquele ano, Marty havia sido incumbido pelo Conselho da Europa para investigar indícios de transportes secretos de suspeitos de terrorismo e prisões secretas da CIA na Europa. Seu relatório foi apresentado em 2006.

Decisão da Otan

Frankreich EU Europaratsermittler Dick Marty Terrorliste

Dick Marty

Marty informou ainda sobre uma decisão secreta de combate ao terrorismo tomada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), pouco depois dos atentados nos Estados Unidos. Esta decisão, que teria dado amplos poderes a agentes da CIA, teria sido passada a membros do primeiro escalão dos governos e participantes dos serviços secretos dos países da aliança militar.

Segundo a emissora alemã ARD, Marty teria se apoiado em dois fatos. Durante suas investigações, informantes lhe teriam dito que, pouco após o 11 de Setembro, teria havido um encontro em Washington dos principais serviços secretos do mundo. Ali, os serviços secretos norte-americanos teriam informado os demais que o então presidente George W. Bush lhes teria dado passe livre para a perseguição de terroristas.

Pouco depois, em outubro de 2001, os países da Otan teriam decidido apoiar a "luta contra o terrorismo internacional". Um relato da aliança militar teria afirmado que "a pedido dos EUA foi acertada a implementação das primeiras medidas. Especificamente, eles [os membros da Otan] acertaram reforçar em nível bilateral e nos órgãos da Otan a cooperação e a troca de informações entre os serviços secretos sobre ameaças terroristas".

Promessa de sigilo absoluto às fontes

Segundo Marty, um adendo secreto ao acordo permitiu a agentes dos Estados Unidos não apenas ampla liberdade de movimentação nos países-membros da Otan, mas também lhes garantiu impunidade.

Marty não soube dizer o quanto a Alemanha estava envolvida neste processo, nem apresentou provas de suas afirmações. Elas só teriam sido passadas após Marty ter prometido sigilo absoluto às suas fontes.

Embora a audiência com Marty estivesse prevista para marcar o encerramento dos depoimentos na comissão parlamentar que investiga o BND, estas acusações podem levar a mudanças nos planos.

O Partido Liberal Democrático está avaliando se ainda convoca Peter Struck, líder da bancada do Partido Social Democrata, para prestar esclarecimentos. O ex-ministro da Defesa precisa explicar se participou de alguma decisão da Otan sobre o sequestro de suspeitos de terrorismo, declarou o deputado liberal Hellmut Königshaus.

RW/AV/dpa/afp

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