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Mundo

Governo sírio ameaça descumprir promessa de cessar-fogo

Presidente Bashar al-Assad quer garantia por escrito de que rebeldes baixarão as armas primeiro e aumenta violência dos ataques. Oposição diz, porém, que cumprirá acordo, mas duvida da eficácia do plano de paz.

O governo sírio afirmou neste domingo (08/04) que não vai estabelecer um prazo para a retirada de tropas de cidades onde os conflitos estão mais intensos até que os rebeldes garantam por escrito que vão baixar as armas primeiro.

A oposição reafirma que vai honrar o acordo e rejeita a exigência do governo sírio de dar garantias por escrito quanto ao encerramento das ações de combate. "Nós já demos nossa palavra que respeitaremos o plano, caso o governo o implemente. Estamos falando sério", afirmou o comandante do Exército Sírio Livre, Riad al-Asaad.

A decisão ameaça o acordo internacional de cessar-fogo acertado na semana passada entre o presidente sírio, Bashar al-Assad, e o enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, pelo qual Damasco havia se comprometido a iniciar a retirada das tropas e de artilharia pesada de áreas civis já na próxima terça-feira. Todas as partes deveriam encerrar os confrontos até a quinta-feira.

"Seria impreciso dizer que a Síria vai retirar suas forças das cidades no dia 10 de abril, não tendo Kofi Annan apresentado até agora garantias por escrito da aceitação por parte dos grupos terroristas em parar com toda essa violência", afirmou o governo por meio de uma declaração divulgada pelo Ministério sírio do Exterior.

"A Síria não vai repetir o que aconteceu na presença de observadores árabes quando forças do governo deixaram as cidades. Grupos de terroristas se reorganizaram e se rearmaram para controlar a região", continua a nota. Damasco quer garantias do enviado internacional de que o Catar, a Arábia Saudita e a Turquia vão interromper o financiamento de armas para os rebeldes.

Oposição duvida

Ainda segundo o comunicado emitido pelo governo, Annan teria feito uma "interpretação errada" da aceitação de Assad sobre o cessar-fogo. No entanto, o presidente estaria disposto a cooperar e continuar informando o enviado da ONU sobre os passos dados para implementar o plano.

Líderes rebeldes afirmam que cumprirão o acordo fechado com Annan e baixarão as armas, mesmo que o governo não retire suas tropas. "Nós nos comprometemos com esse prazo e, mesmo se o governo não retirar as forças, vamos cessar fogo conforme prometemos às Nações Unidas", afirmou o coronel Qassem Saad al-Deen, porta-voz do Exército Sírio Livre. "Mas se eles [tropas do governo] atirarem, lutaremos novamente com eles", garantiu.

Oposição diz que vai baixar as armas no prazo acertado

Oposição diz que vai baixar as armas no prazo acertado

Eles não acreditam, porém, que o plano de paz não será implementado e pedem que Annan acompanhe mais de perto as ações do governo sírio. "O regime não quer implementar este plano, ele irá fracassar", afirmou o comandante do Exército Sírio Livre, Riad al-Asaad.

Aumento dos ataques

O ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan condenou o aumento da violência das forças de Assad nas cidades onde estão acontecendo os protestos.

"Estou chocado com as recentes notícias de um surto de violência e atrocidades em várias cidades e vilarejos da Síria, que resultam em níveis alarmantes de perdas, de refugiados e de desalojados, em violação às garantias que me haviam sido dadas", afirmou Annan por meio de nota.

Segundo a oposição, as tropas sírias teriam intensificado as ações especialmente perto da fronteira com a Tuquia, a fim de capturar rebeldes em fuga.

Grupos de monitoramento no país acreditam que cerca de 130 pessoas foram mortas – sendo 86 civis – em conflitos no sábado e pelo menos outras 11 neste domingo. A ONU calcula que cerca de 9 mil pessoas foram mortas na Síria desde o início dos conflitos entre rebeldes e tropas leais ao governo, há pouco mais de um ano.

Em seu sermão de Páscoa, o papa Bendo 16 também pediu paz na Síria. "Especialmente na Síria é preciso acabar com o derramamento de sangue e tomar imediatamente o caminho do respeito, do diálogo e da conciliação", disse o papa, ressaltando que muitos refugiados precisam de ajuda humanitária e de solidariedade.

MSB/afp/ap/dpa/rtr
Revisão: Carlos Albuquerque

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