1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Governo obtém vitória contra Cunha em eleição do PMDB

Leonardo Picciani, deputado contrário ao impeachment e pró-Dilma, é reeleito para a liderança do PMDB na Câmara dos Deputados. Cunha perde influência e poder de articulação em formação de comissões.

Após algumas semanas de tranquilidade, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltaram a medir forças nesta quarta-feira (17/02). Em disputa estava o comando pela liderança do PMDB na Câmara.

O partido tem a maior bancada da Casa, com 69 deputados. Cunha e Dilma apoiaram candidatos diferentes, e o resultado era visto como um termômetro para medir em que ponto está o prestígio ou o desgaste de ambos na Casa. No final, o deputado fluminense Leonardo Picciani venceu a disputa, em votação secreta, por 37 votos contra 30, o que significou uma vitória para Dilma e uma derrota para Cunha.

A reeleição de Picciani indica o que o governo deve esperar da Câmara e de uma parte do PMDB neste ano. O deputado fluminense é um fiel aliado do Planalto, e no ano passado atuou como um dos principais aliados do governo na costura política que tentava barrar o processo de impeachment de Dilma.

Picciani também é favorável à volta da CPMF e às medidas do ajuste fiscal, além de ser um desafeto de Cunha, que no ano passado chegou a articular a sua derrubada do cargo de líder.

Nesta eleição, Cunha articulou a candidatura do deputado paraibano Hugo Motta, que figura entre seus aliados e protegidos. Uma vitória de Motta indicaria mais um ano imprevisível na bancada do partido na Câmara e demonstraria que Cunha ainda têm muita força para avançar com o impeachment e barrar projetos do Planalto.

Na Câmara, o líder da bancada é o responsável por conversar diretamente com todos os deputados do partido e orientar seus votos. Também cabe a ele definir quais membros da sigla vão compor as comissões da Casa e algumas das presidências.

Neste caso, Cunha e Dilma disputavam ter ao seu lado alguém que iria se tornar responsável tanto por indicar o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) como os oito membros do PMDB que vão fazer parte da comissão que vai analisar o impeachment de Dilma. Com a responsabilidade nas mãos de um aliado, o Planalto ganha mais fôlego.

Com a derrota de Motta se esgotam as opções para que Cunha influencie decisivamente a formação da comissão. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia anulado a formação de uma chapa avulsa, articulada por Cunha com membros do PMDB contrários a Dilma e que pretendia incluir na comissão um número grande de desafetos do Planalto. A única opção que restava a Cunha era tentar colocar alguém de confiança na liderança para articular as escolhas.

A derrota também significa que Cunha terá menos poder de articulação na escolha do novo presidente da CCJ, a comissão que pode alterar algumas das decisões do Conselho de Ética da Câmara, que atualmente está analisando um processo de cassação do presidente da Câmara.

Hoje a CCJ é presidida por Arthur Lira (PP-AL), um aliado de Cunha. Além do processo de cassação, Cunha também é alvo de um pedido de afastamento no STF, que deve ser analisado nas próximas semanas.

Durante a disputa, Cunha se empenhou pessoalmente para angariar votos para Mota. O Planalto também jogou com força. Para garantir a vitória, Picciani contou com a volta à Câmara de cinco deputados suplentes mais três titulares licenciados.

Dilma chegou a exonerar temporariamente o ministro da Saúde, Marcelo Castro, para que ele reassumisse seu mandato como deputado federal e votasse em Picciani, tudo isso em meio à crise envolvendo o vírus zika.

Leia mais