Governo italiano envia navios para retirar refugiados de Lampedusa | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 29.03.2011
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Mundo

Governo italiano envia navios para retirar refugiados de Lampedusa

Roma envia seis navios para transportar refugiados de Lampedusa a abrigos em outros locais na Itália. Moradores se revoltam com a situação na ilha, onde se encontram 5.500 refugiados.

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Imigrantes fazem fila para receber alimentos

Autoridades italianas pretendem deslocar o maior número possível de refugiados africanos dos abrigos superlotados de Lampedusa para outras regiões da Itália. Para isso, o governo em Roma enviou seis embarcações para a ilha, cinco navios de passageiros e um militar, o San Marco, já utilizado para este fim, e com capacidade para cerca de 10 mil pessoas.

Os navios chegarão à ilha nesta quarta-feira (30/03), conforme o Ministério do Interior da Itália. Com isso, todos os refugiados podem ser remanejados da ilha, onde se encontram mais de 5.500 imigrantes, a maioria deles vinda da Tunísia.

O navio San Marco já transferiu nesta terça-feira 827 refugiados de Lampedusa para o porto de Taranto, no sul da Itália, numa tentativa de aliviar a pressão. Com as quase 2.000 pessoas que chegaram a Lampedusa no intervalo de 24 horas, a situação dos imigrantes do norte africano na ilha alcançou um novo ápice.

Gabinete italiano discute tema na quarta-feira

O ministro do Interior, Roberto Maroni, anunciou que o governo de Silvio Berlusconi está organizando na Itália a criação de abrigos para aliviar a situação em Lampedusa. Além disso, quartéis desativados devem também receber os imigrantes. Na quarta-feira, o gabinete de governo italiano se reúne para discutir o problema dos refugiados.

Cerca de mil refugiados da Líbia e Tunísia chegaram na manhã desta terça-feira às ilhas italianas da Sicília e Lampedusa a bordo de vários barcos, segundo a guarda costeira italiana. O primeiro grupo, com cerca de 500 pessoas, chegou à costa sul da Sicília de madrugada, a bordo de um barco de pesca.

Os imigrantes, a maioria eritreus e somalis, vinham da Líbia. É a primeira vez, desde o início dos conflitos na Líbia, que refugiados alcançam a Europa vindos diretamente de Trípoli, sem escalas na Tunísia ou no Egito.

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Imigrante ao lado de sua barraca. Colina perto do cais virou latrina a céu aberto

Três outras embarcações transportando cerca de 450 pessoas chegaram a Lampedusa, a pequena ilha italiana que atraiu cerca de 20 mil imigrantes nas últimas semanas. O primeiro barco trazia 190 imigrantes, principalmente eritreus, enquanto os outros dois transportavam tunisianos.

Tensão cresce entre população de Lampedusa

A tensão é crescente em Lampedusa. Os moradores protestam contra a onda de refugiados. Grupos ocuparam a prefeitura da ilha. Pescadores fizeram uma corrente de barcos perto do cais e outros tentam impedir a entrada na cidade jogando contêineres de lixo para fechar a rua que leva ao porto.

Na segunda-feira, vários moradores locais que haviam se acorrentado ao cais para impedir, simbolicamente, desembarques de refugiados culparam os imigrantes por crimes recentes na região, incluindo um assalto e um roubo.

"Não sou racista, mas agora nós não aguentamos mais", disse o jovem Giuseppe, que se negou a dar seu sobrenome. "O governo não faz nada e não nos sentimos seguros com todas essas pessoas indo e vindo em todos os lugares", afirmou outro morador, que não quis se identificar. Um dos recém-chegados, Ali, um tunisino de 23 anos, disse que ficaria feliz em poder ir embora. "É chato. Não posso ficar aqui, quero ir para a França e encontrar trabalho", disse.

Natureza hospitaleira dos moradores chegou ao limite

O centro de recepção para os migrantes de Lampedusa, feito para manter 850 pessoas, agora tem que dar abrigo a cerca de 5.500 imigrantes espalhados pela ilha. No cais, o cheiro se tornou difícil de suportar. Uma pequena colina próxima foi transformada numa latrina a céu aberto, para a indignação dos moradores locais, afirmou o prefeito Dino de Rubeis. A natureza hospitaleira dos insulanos, ele disse, chegou ao limite.

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Barco de refugiados chega à ilha italiana de Lampedusa

Lampedusa fica mais perto da África do que da Itália continental. Como consequência, 18.501 migrantes já chegaram ao lugar desde o início do ano, de acordo com as últimas estatísticas oficiais, publicadas no domingo. Em todo ano de 2010, 4.000 imigrantes chegaram à ilha.

Em 2008, Itália e Líbia assinaram um tratado que, segundo as autoridades italianas, levou a uma diminuição de 94% da imigração ilegal na Itália. Mas o acordo foi duramente criticado por grupos de direitos humanos devido ao tratamento dado aos migrantes. O governo italiano suspendeu a aplicação do tratado e teme que agora centenas de milhares de migrantes podem seguir para a Itália no caso de uma queda do ditador Muammar Kadafi. O próprio Kadafi ameaçou enviar "milhões" de imigrantes à Europa.

Em entrevista por telefone à televisão italiana nesta segunda-feira, Abdeljalil Mustafa, chefe do Conselho Nacional, governo paralelo líbio criado pela oposição, prometeu combater o problema, caso tomem o poder.

Pedidos de asilo nos países ricos caiu em 2010

O número de requerentes de asilo em países ricos caiu de forma significativa no ano passado, segundo dados da ONU. Especialmente no sul da Europa, o fluxo de imigrantes da África e Ásia foi reduzido em um terço, como afirmou o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur). Na Alemanha, que era o terceiro maior destino, depois de Estados Unidos e França, o número de requerentes de asilo aumentou 49%.

Os últimos dados mostram que em 2010 nos 44 países industrializados, um total de 358.800 pessoas pediram asilo. Isso é cerca de 5% menos que em 2008 e 2009 e 40% menos de uma década atrás, segundo dados do Acnur. A situação em cada país, entretanto, é muito diferente. Enquanto a imigração foi reduzida em 33% no ano passado nos países mediterrâneos da Europa, ela cresceu na Alemanha, Suécia, Dinamarca, Austrália e Nova Zelândia.

Em todo o mundo, a maioria dos pedidos de asilo foram feitos nos EUA (55.500 requerentes), seguido pela França, com 47.800, e Alemanha, com 41.300 pedidos de asilo.

MD/afp/dpa/epd
Revisão: Alexandre Schossler

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