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Ciência e Saúde

Governo grego é acusado de incapaz no combate aos incêndios

A negligência do governo em Atenas no combate aos catastróficos incêndios no país deverá influenciar as eleições parlamentares gregas de setembro próximo. Especialista alemão critica pedidos de ajuda da Grécia.

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Imagem tiradas pelo satélite Terra, da Nasa, no último domingo

Os bombeiros gregos não conseguem controlar os catastróficos incêndios no país. Até a manhã da segunda-feira (27/08), foram registrados cerca de 90 novos incêndios. Trata-se da maior catástrofe ambiental registrada no país até hoje.

Desde a última sexta-feira, o número de desabrigados subiu para pelo menos três mil, sendo que, até agora, os incêndios já provocaram a morte de 63 pessoas. Enquanto isso, cresce a fúria da população das regiões atingidas quanto à incapacidade do governo do primeiro-ministro Costas Caramanlis de combater os incêndios.

Cinco aviões franceses antiincêndio e um italiano, além de mais de cem bombeiros franceses, cipriotas e israelenses foram enviados à Grécia na luta contra as chamas. Três helicópteros alemães e um suíço estão sendo esperados para o começo da noite de segunda-feira. Suécia, Finlândia e Bulgária também se dispuseram a ajudar com helicópteros e homens.

"Questão de logística"

Helikopter versucht Waldbrände in Griechenland zu löschen

Especialista afirma que combate aéreo não é suficiente

Hans-Peter Kröger, presidente da Associação dos Bombeiros Alemães, que também se ofereceu para combater as chamas na Grécia, afirma que para salvar as pequenas localidades são necessários mais caminhões-tanque.

Ele alerta que os aviões e helicópteros solicitados pelo governo em Atenas não são suficientes. "Falta capacidade para combater os incêndios florestais no solo e o combate aéreo também não é satisfatório", critica Kröger.

"Para um bombeiro, é uma situação insustentável quando mais de 60 pessoas morrem queimadas em um país europeu", salienta Kröger. Em tais catástrofes, no entanto, a ajuda só pode ser enviada quando exigida pelo governo do país atingido. "Temos que esperar o que vai ser pedido, até agora a Grécia só solicitou aviões", afirma o presidente.

Segundo Kröger, o combate definitivo é feito pelo solo, sendo o combate aéreo apenas uma "gota no oceano". Se o governo grego desejar, a Alemanha estaria preparada para enviar pessoal e material para o combate no solo dos incêndios florestais. "Em primeira linha, trata-se de uma questão de logística", afirma o chefe da associação de bombeiros.

"Todos nos abandonaram"

Siegesstatur vor Waldbränden in Griechenland

'Vitória' alada posa em frente às chamas de Olímpia

Kröger critica ainda a falta de uma rede eficiente de bombeiros na Grécia e na maioria dos países da União Européia. "Na Europa, isto acontece somente na Alemanha e na Áustria."

Em pequenas cidades gregas, muitas pessoas morreram queimadas por terem sido abandonadas à própria sorte. "Se lá houvesse algo como um corpo voluntário de bombeiros, como é o caso da Alemanha, isto não teria acontecido", afirma Kröger.

As acusações de Kröger se coadunam com a declaração de um morador do vilarejo de Artemida, no oeste do Peloponeso, península grega atingida pelas chamas: "Todos nos abandonaram. O governo é incapaz de nos proteger. A organização dos trabalhos de combate ao fogo e evacuação foi lastimável. Caos e vergonha". No último sábado, morreram 14 pessoas somente em seu vilarejo.

Na opinião de Johann Goldammer, diretor do Centro de Vigilância Global de Incêndios da Universidade de Freiburg, a política falhou na proteção das florestas. Segundo Goldammer, nos países do sul europeu, incêndios florestais estariam no final da agenda governamental.

Especuladores imobiliários criminosos

Griechenland Premierminister Costas Karamanlis und Aussenministerin Bakoyannis

Governo de Costas Caramanlis é bastante criticado

Especula-se que muitos dos atuais incêndios teriam sido ateados por especuladores imobiliários criminosos. Nas áreas descampadas, eles constroem casas que são, mais tarde, legalizadas pelas prefeituras.

Pelo menos três focos de incêndios provocados foram encontrados na noite do último domingo (26/08) pelos soldados e policiais que patrulham as montanhas nos arredores da capital Atenas.

Em 16 de setembro próximo, um novo Parlamento deverá ser eleito na Grécia. Giorgos Papandreou, líder da oposição, acusa o governo de fracasso. Para o jornal Kathimerini, ninguém pode avaliar como os eleitores reagirão a estas "imagens catastrofais". O diário Ta Nea afirma que o Estado não funcionou e o jornal liberal de esquerda Eleftherotypia acusa o governo de "incapaz".

Em vista dos incêndios no Peloponeso, é de se esperar que enfim seja viabilizada a criação de um corpo de bombeiros comum para combater incêndios florestais no continente europeu – defendida pelo comissário europeu do Meio Ambiente, o grego Stavros Dimas, no começo de agosto. (ca)

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