″Governo econômico comum″ é o principal tema de cúpula da UE | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 16.06.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

"Governo econômico comum" é o principal tema de cúpula da UE

Líderes dos países-membros da União Europeia discutirão em Bruxelas uma melhor coordenação das políticas econômicas nacionais e negam que a situação financeira da Espanha vá ser tema do encontro.

default

A cúpula da União Europeia (UE) nesta quinta-feira (17/06), em Bruxelas, é o primeiro encontro "normal" dos dirigentes do bloco em meses. A crise europeia de endividamento está longe de ter sido superada, mas os líderes europeus se esforçam para deixar claro que esta não será mais uma "cúpula da crise", focada no destino de um país-membro periclitante – como foi o caso do encontro de março, em torno da Grécia e sua montanha de dívidas.

Espanha não é tema oficial

No momento são fortes as especulações na Europa de que a Espanha, altamente endividada, venha a necessitar de ajuda financeira da União Europeia. Contudo, ao menos oficialmente, o país não consta da pauta da reunião. Também a Comissão Europeia negou que esteja preparando um plano de resgate para a Espanha, como chegou a ser noticiado na imprensa europeia.

No início da semana, o governo alemão declarou estar "confiante" de que Madri conseguirá dar conta dos próprios problemas. Se este não for o caso, a rede de salvação europeia – ou seja, o fundo de 750 bilhões de euros estabelecido em conjunto com o FMI – poderá ser utilizado, lembrou a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Entre os temas oficiais da cúpula em Bruxelas está a definição da posição da UE para a cúpula do G20, no final de junho, em Toronto, Canadá. Os dirigentes irão, ainda, debater a "Europa 2020", a "estratégia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo" proposta pela Comissão Europeia.

"Acordos com dentes"

Treffen Merkel Sarkozy in Berlin

Merkel (e) e Sarkozy de boas relações

Um indicador de que tudo estaria de volta à normalidade é o retorno da ampliação da UE à ordem do dia. Será votado o início de negociações para o ingresso da Islândia no bloco, possivelmente no prazo de 14 meses. E a Estônia deverá receber sinal verde para adotar o euro, já a partir do próximo ano.

Outro tópico da pauta é o chamada "melhor coordenação da política econômica". A premiê alemã e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, vêm estudando em conversas bilaterais uma futura governança econômica da UE.

A ideia não é criar um novo órgão, mas um mecanismo para melhorar a governança econômica dos 27 países-membros, ou seja, a coordenação de suas políticas econômicas nacionais.

Merkel e Sarkozy são também a favor de que violações graves do Pacto de Estabilidade do Euro passem a ser punidos com a perda do direito a voto dentro do grêmio. "Precisamos de acordos com dentes", sintetizou Merkel.

Declaradamente ou não, a preocupação quanto à estabilidade do euro paira sobre o encontro na capital belga. O que acontecerá se outros países se tornarem insolventes? Se o pacote de ajuda ao euro não bastar e a moeda comum for bombardeada pelos especuladores financeiros?

Pode uma moeda "fracassar"?

À medida que se agravava a crise grega, ficou claro que não só Atenas estava em jogo, mas toda a zona do euro. Políticos conclamavam com eloquência crescente a que o boco se unisse em prol de sua moeda, à qual está atada a estabilidade não só econômica do bloco, como também política.

Recentemente Merkel declarou: "Se o euro fracassar, a Europa fracassa". A frase soa bem, embora não faça o menor sentido, do ponto de vista econômico. Uma moeda não pode "fracassar": independentemente de como se chame, ela existe enquanto alguém a aceitar como meio de pagamento. O que pode acontecer, sim, é ela perder valor.

Afinal, o que aconteceria, se a zona do euro se dissolvesse e cada país retornasse a sua própria moeda? Segundo o economista Jean Pisani, do Instituto Bruegel de Bruxelas, as consequências políticas seriam tremendas, pois se trata do mais importante investimento dos europeus na construção da UE em quase 30 anos.

"Provavelmente haveria briga e discórdia, e esta afetaria a relação entre os países-membros, também no futuro." Embora considerando remota a hipótese da dissolução do euro, Pisani teme que ocorreria uma renacionalização generalizada da política europeia, com as "grandes nações" se impondo às custas das "pequenas". Assim, todo o processo de integração ficaria paralisado, pelo menos provisoriamente.

Gewaltsame Ausschreitungen in Athen Griechenland Flash-Galerie

Medidas de contenção do governo grego geraram protestos violentos no país

Fator de unidade

E do ponto de vista externo? Qual é o peso da moeda única europeia na política mundial? Segundo Pisani, enorme.

"A UE tem poder nas discussões sobre o comércio mundial, por exemplo, na Organização Mundial do Comércio (OMC). Se o euro desaparecer, a Europa não representa mais nada nesses grêmios. Se queremos participar dessas negociações, temos que nos apresentar como uma unidade. Certo, trata-se de dinheiro, mas as implicações vão muito além da questão monetária."

Desde o princípio, a moeda comum não foi meramente um projeto econômico, mas também político. Por isso, seus fundadores faziam vista grossa quando, no fundo, as condições político-financeiras em certos países não eram suficientes para ingressar na zona do euro. Pisani prefere não opinar se, em alguns anos, todos os atuais países continuarão pertencendo à união monetária. Mas o euro, em si, continuará existindo, afirma o economista.

Autoria: C. Hasselbach / R. Wenkel / A. Valente
Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais