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Mundo

Governo e oposição em conflito sobre entrada da Turquia na UE

O premier alemão, Gerhard Schröder prepara-se para visitar a Turquia. Suas declarações a favor da inclusão do país na UE chocam-se com o ponto de vista dos partidos conservadores.

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Schröder é esperado em Ancara

A líder da União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, desapontou seriamente o governo e a população turca em sua visita a Ancara, em 16 e 17 de fevereiro. No lugar da tão ansiada filiação à União Européia, a oposicionista o conservadora alemã ofereceu a perspectiva de uma "parceria privilegiada". A resposta do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan não poderia ser mais veemente: "Até hoje isso não esteve em pauta. Nem pensar, está fora de cogitação!"

Os argumentos de Merkel contra a filiação turca têm certamente procedência. Com 70 milhões de habitantes e um desempenho econômico de apenas 23% da média européia, o país extrapolaria o poder de integração e as possibilidades financeiras da União. A inclusão dos países do leste em maio próximo já será bastante difícil, acrescentou Merkel. Por isso os turcos deverão ficar de fora. Mas a recompensa por seu empenho reformista será uma parceria especialmente estreita com a UE.

Jogo de expectativas

Do ponto de vista turco, contudo, trata-se de um fraco consolo. Desde 1961 o país tenta entrar para o bloco europeu, porém até agora só alcançou o status de membro associado e um acordo de união alfandegária. Somente em 1999 Bruxelas a reconheceu oficialmente como candidato à filiação.

Praticamente todos os políticos do Parlamento de Ancara são a favor da filiação, assim como 75% da população. Nos últimos meses, o premier Erdogan deu um passo decisivo em direção à democracia, banindo de fato a pena de morte. Até mesmo a rigorosa Amnesty International reconheceu claros progressos no tocante aos direitos humanos.

Embora as reformas ainda se arrastem um pouco, a perspectiva de pertencer à União Européia é, sem dúvida, um poderoso motor. Afinal esse tem sido o tema central de sua política externa nas últimas quatro décadas.

Apoio de Berlim

Angela Merkel trifft Recep Tayyip Ertdogan

Angela Merkel (esq.) e premier Erdogan (dir.)

O chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, reconhece quanto está em jogo. Assim, em meio aos preparativos para sua viagem à Turquia, de 22 a 24 de fevereiro, ele colocou-se inequivocamente do lado dos turcos. Ao contrário dos políticos conservadores, a coalizão social-democrata-verde jamais tematizou a orientação islâmica daquele país como um obstáculo para uma aproximação, lembrou Schröder.

O dirigente tachou de "populista" o posicionamento de Angela Merkel. E não está sozinho em suas críticas: o empresário de origem turca Vural Öger acusou-a de estar fixada numa "imagem ultrapassada" da Turquia. E o ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, comparou a líder democrata-cristã a um "rinoceronte", em sua política relativa àquele país.

Ao contrário de um problema, o governo alemão vê na filiação a chance para um diálogo entre as culturas e um possível exemplo de democratização bem sucedida dentro do mundo muçulmano. Na prática, poderá levar ainda alguns anos até a filiação, ressalvou Schröder. Porém, se Ancara conseguir efetivamente preencher os requisitos políticos, a UE terá que cumprir sua promessa, abrindo as negociações com a Turquia.

Histórico de amizade

Tradicionalmente, os turcos vêem na Alemanha sua porta de entrada para o bloco europeu. Desde a década de 1960 2,5 milhões de turcos vivem no país, uma conseqüência da importação de mão-de-obra do sul europeu ( gastarbeiter ou "operários-hóspedes"), que possibilitou o reerguimento econômico da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.

Os dois países também estão ligados por laços históricos: na Primeira Guerra Mundial foram aliados, e, durante o regime nazista, Ancara concedeu asilo a numerosos cientistas perseguidos. Estes, por sua vez, ajudaram a criar um sistema universitário moderno na Turquia.

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