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Alemanha

Governo democrático, mas sem oposição

Grandes coalizões de governo não deixam de ser consideradas uma ameaça à democracia. Afinal, se não houver possibilidade de oposição parlamentar, quem poderá questionar e relativizar as decisões do governo?

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Oposição em minoria e dividida

Foi o ensaio geral da grande coalizão. Na terça-feira (18/10), as bancadas majoritárias de democrata-cristãos e social-democratas em Berlim conseguiram impor seu plano de distribuição dos cargos da Mesa Diretora do Parlamento, ignorando a reivindicação dos três pequenos partidos de oposição de conceder apenas um em vez de dois postos ao Partido Social Democrata (SPD). Esta primeira ação concertada dos parceiros de coalizão deixou claro que a margem de discordância dentro do Bundestag é mínima.

Nos regimes parlamentares, as grandes coalizões de governo não deixam de ser controversas. Além de ameaçarem uma estagnação política diante da necessidade de conciliar interesses políticos tão diversos dentro da bancada do governo, uma grande coalizão tende a dispor de excessivo poder, dada a reduzida influência dos partidos de oposição.

Oposição na teoria

Os partidos da coalizão, União Democrata Cristã (CDU) e SPD, têm 448 cadeiras no Bundestag, enquanto a soma dos mandatos do Partido Liberal (FDP), Partido de Esquerda e Partido Verde chega a apenas 166 cadeiras. Qual a margem de influência que resta, portanto, a estes partidos de oposição?

Os liberais representam a terceira maior bancada do Bundestag, com 61 parlamentares. No entanto, com o partido no papel de oposição, sua missão de promover reformas neoliberais está fadada ao fracasso. Isso possivelmente vai levar os liberais a se acomodarem na defesa purista do livre mercado e da não-intervenção estatal na economia, além de acusarem o governo de morosidade no processo de reformas.

As reclamações já começaram. O presidente do FDP, Guido Westerwelle, considera preocupante a probabilidade de "não haver reforma fiscal e nem mudança da política salarial" na nova legislatura.

Esquerda dividida

O Partido de Esquerda foi o único que articulou claramente a rejeição das reformas sociais que começaram a ser implementadas durante o governo social-democrata e verde e prometem ser prosseguidas pela grande coalizão.

Por serem os únicos contrários à política econômica do novo governo, é possível que os esquerdistas consigam conquistar a atenção da mídia e da opinião pública. E, em caso de fracasso no combate ao desemprego, conquistar um prestígio ainda maior junto ao eleitorado.

Bildgalerie Nach den Wahlen Gysi und Lafontaine

Gregor Gysi e Oskar Lafontaine, liderança dupla do Partido de Esquerda

Para isso, o Partido de Esquerda teria que administrar com eficiência suas discrepâncias internas. Em entrevista recente ao diário Berliner Zeitung, o co-presidente da aliança Gregor Gysi ressalta que se trata de dois partidos em um: "No Leste, somos um partido popular e no Oeste um partido de 4,9%. Isso faz uma grande diferença. Um partido com respaldo de 25% do eleitorado pode se pronunciar sobre todas as questões, mas um partido de 5% tende a se ridicularizar com facilidade, se tentar se posicionar sobre toda e qualquer coisa. Os líderes das bancadas têm que tomar cuidado para que os dois lados não comecem a se enervar".

Continue lendo a seguir sobre as chances de uma oposição externa ao Parlamento na Alemanha. >>>

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