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Economia

Governo arrecada mais de 20 bilhões em leilão de Galeão e Confins

Odebrecht e operadora de Cingapura pagaram 19,2 bilhões de reais por aeroporto carioca, com ágio de 294%. Confins foi levado por 1,82 bilhão. Galeão deve brigar com Guarulhos para ser porta de entrada no Brasil.

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Ministro Moreira Franco (c) bate o martelo ao lado de representantes do consórcio vencedor do Galeão

O governo federal arrecadou 20,8 bilhões de reais no leilão das concessões dos aeroportos de Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte realizado nesta sexta-feira (22/11) na Bolsa de Valores de São Paulo. O ágio global do leilão ficou em 251,6% sobre o valor mínimo das duas concessões, que era de 5,9 bilhões de reais.

O consórcio liderado por Odebrecht e a operadora do aeroporto de Cingapura (Changi) fez uma proposta bem agressiva, no valor de 19,2 bilhões de reais para o Galeão, um ágio de 294% sobre o valor mínimo de 4,8 bilhões de reais. Já o grupo formado pela CCR e as operadoras dos terminais de Zurique e Munique levaram Confins por 1,82 bilhão de reais, valor 66% maior que o lance mínimo de 1,096 bilhão de reais.

"O alto preço pago para a concessão de Galeão responde a um comentário feito pelo ministro Moreira Franco [da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República], de que quem não entrar no mercado brasileiro desta vez, não entra mais", afirmou Jorge Leal Medeiros, professor de transporte aéreo e aeroportos da Escola Politécnica da USP.

As operadoras dos aeroportos de Cingapura, Munique e Zurique recebem, respectivamente, cerca de 51 milhões, 38 milhões e 25 milhões de passageiros por ano. "São empresas de grande envergadura e é absolutamente fundamental que elas tragam a sua forte experiência para um mercado tão dinâmico como o brasileiro, que triplicou sua demanda em 11 anos."

Além dos grupos vencedores das concessões, participaram ainda do pregão três consórcios formados por operadoras internacionais de aeroportos e empreiteiras brasileiras: Fraport AG (Frankfurt) com Ecorodovias e Invepar; ADP Airports (Paris) e Schiphol (Amsterdam) e Carioca Engenharia; e Ferrovial (grupo espanhol que controla o aeroporto de Heathrow, em Londres) e Queiroz Galvão.

Infraero tem participação de 49% dos consórcios

Flughafen Antonio Carlos Jobim Rio de Janeiro

A concessão por 25 anos de Galeão foi comprada por 19,2 bilhões de reais por consórcio formado por Odebrecht e Changi, de Cingapura

O consórcio vencedor de Galeão é composto por 60% da Odebrecht e Changi, operadora do aeroporto de Cingapura, com 40%. O grupo que ganhou o aeroporto mineiro é composto por CCR (com 75%), juntamente com Flughafen Zürich (24%) e Flughafen München (1%). Os dois grupos respondem por 51% de cada consórcio, já que a Infraero tem participação obrigatória, já prevista no edital de concessão, de 49%.

Para Medeiros, da USP, com as concessões de Galeão e Confins, juntamente com as de Guarulhos, Brasília e Viracopos, leiloadas no início do ano passado, a Infraero perde cinco das mais brilhantes pedras de sua coroa, que lhe permitiam manter aeroportos menores e deficitários.

"Mais ainda, não apenas não terá cinco de seus principais aeroportos superavitários, mas, também, como detentora de 49% das ações das concessões, terá responsabilidade pelos investimentos que se farão necessários para o início das concessões", disse Medeiros.

Para ele, o Tesouro Nacional terá que ajudar a Infraero a cumprir suas obrigações de acionista minoritária e responsável por 58 aeroportos brasileiros, a maioria deles importantes e necessitando de investimentos e, mais do que nunca, de uma boa gestão. "E isso nunca foi o forte da Infraero."

Briga pelo tráfego aéreo de Guarulhos

O pregão começou às 10h e todos os cinco consórcios deram lances por envelope para o aeroporto de Galeão e três deles, para Confins. Participaram dos lances em viva-voz os três grupos que ofereceram as melhores propostas para os dois aeroportos, sendo que, para Confins, o consórcio formado por Odebrecht/Changi, seguindo as regras do leilão, foi desclassificado por ter dado o maior lance para o Galeão.

Nos lances viva-voz nenhum grupo quis aumentar a proposta de 19,2 bilhões de reais feita ainda na rodada inicial de envelopes pelo grupo Odebrecht/Changi para o terminal do Galeão – valor que superou os 15 bilhões de reais pagos pelo consórcio que venceu o leilão do megacampo do pré-sal Libra, em outubro.

O grupo liderado por Carioca Engenharia e os aeroportos de Paris e Amsterdam ficou em segundo lugar na disputa por Galeão, após oferecer 14,5 bilhões de reais. Em terceiro ficou o consórcio da Ecorodovidas, Invepar e Fraport, com lance de 13,113 bilhões de reais.

Brasilien TAM Gol Airlines

Especialista acredita que o terminal carioca tem chances de disputar com Guarulhos, em São Paulo, como porta de entrada do Brasil

"A nova operadora de Galeão vai tentar receber parte do tráfego do aeroporto de Guarulhos, que está com a capacidade limitada em termos de pista", diz Medeiros, da USP. "O Galeão, além do terminal de Brasília, tem duas pistas independentes, portanto, tem uma capacidade maior e vai disputar com Guarulhos para ser porta de entrada no Brasil."

Mas, para isso, o novo administrador do aeroporto do Galeão terá que comprar uma briga "pesada". "Se você olhar a quantidade de cidades ligadas ao aeroporto de Guarulhos, é quase o triplo das ligadas ao Galeão. Então essa conectividade vai ter que aumentar no Galeão, e isso vai depender do esforço dos concessionários, de cativar as empresas aéreas de irem para lá."

Já a concessão do terminal de Confins foi mais disputada. Depois das propostas por envelope, houve propostas viva-voz pelo consórcio vencedor e pelo grupo formado por Ferrovial/Queiroz Galvão, que não quis aumentar seu último lance na rodada viva-voz, no valor de 1,8 bilhão de reais.

Investimentos em Galeão e Confins

Os consórcios que levaram as concessões dos terminais de Galeão e Confins deverão investir durante a concessão – de 25 anos e 30 anos, respectivamente – mais de 9 bilhões de reais. O novo operador do Galeão terá que investir cerca de 5,7 bilhões de reais para a construção, por exemplo, de 26 pontes de embarque, estacionamento e ampliação do pátio das aeronaves.

O grupo que vai controlar o aeroporto de Confins terá que investir cerca de 3,5 bilhões de reais para a construção, por exemplo, de um novo terminal de passageiros com no mínimo 14 pontes de embarque, estacionamento de veículos e de uma segunda pista independente até 2020.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a projeção de demanda para o Galeão é de 60 milhões de passageiros por ano em 2038, quando termina a concessão. Já o aeroporto mineiro tem demanda de 10,4 milhões de passageiros por ano e é o quinto mais movimentado do país.

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