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Esporte

Governo alemão vai divulgar polêmico relatório sobre doping

Estudo afirma que Estado alemão promoveu o doping esportivo a partir dos anos 1970. Relatório será divulgado após análise do responsável por proteção de dados do governo.

Depois de intensa pressão da oposição e da opinião pública alemã, o governo da Alemanha decidiu publicar ainda nesta segunda-feira (05/08) o polêmico relatório sobre doping esportivo que acusa o Estado alemão de incentivar a prática, principalmente a partir dos anos 1970.

Políticos, instituições esportivas e também atletas exigem a publicação integral do estudo, feita por pesquisadores da Universidade Humboldt e que foi parcialmente tornado público pelo jornal Süddeutsche Zeitung neste final de semana.

Segundo o diário, que teve acesso a uma versão de 2012 do documento, o Instituto Federal de Ciência Esportiva (BISP), que encomendou o estudo, alega problemas de proteção de dados para a divulgação. Nesta segunda-feira, o Ministério do Interior, ao qual o BIPs é subordinado, divulgou que vai publicar o documento depois da análise do encarregado de proteção de dados do governo, Peter Schaar.

É provável que, após a análise do encarregado de proteção de dados, o relatório não contenha mais os nomes das pessoas envolvidas.

O estudo de 800 páginas intitulado Doping na Alemanha de 1950 até hoje foi concluído em abril de 2013, mas ainda não há previsão para a publicação, devido a controvérsias sobre o sigilo de dados privados. Segundo o BISP, os pesquisadores atentaram contra o direito de proteção de dados ao citar nomes de médicos e funcionários públicos em seu estudo.

Oposição quer divulgação

Dagmar Freitag SPD

Freitag pediu uma reunião especial da Comissão de Esportes do Parlamento Alemão

A presidente da Comissão de Esportes do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), Dagmar Freitag, do Partido Social Democrata (SPD), exige a publicação dos nomes de todos os envolvidos no doping, incluindo também treinadores e funcionários públicos. "Nós temos o direito às informações exigidas. Afinal, o estudo foi financiado pelo governo e, dessa maneira, por quem paga os impostos", disse Freitag.

A política também criticou a atitude da Federação Alemã de Esportes Olímpicos (DOSB), entidade que encomendou a pesquisa ao BISP. Segundo Freitag, há meses tenta-se adiar ou impedir a divulgação da pesquisa, com a desculpa de problemas relacionados à proteção dos direitos de privacidade.

"Tenho a impressão de que alguns estão chocados com as revelações que podem ser postas à mesa", afirmou Freitag em entrevista ao jornal Westfalenpost. Para o líder da bancada do SPD no Bundestag, Thomas Opperman, o ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, está tentando esconder a participação do ministério no incentivo ao doping.

O Ministério do Interior rebateu as críticas e afirmou que está promovendo a divulgação do estudo o mais rapidamente possível. "O Ministério tem grande interesse em esclarecimentos integrais e na avaliação do passado relacionado ao doping nas duas Alemanhas", reforçou um porta-voz da instituição.

Atletas também pedem nomes

DDR Sport historisch

Para Schenk, esporte era usado politicamente pelas duas Alemanhas

A publicação dos nomes dos envolvidos também é de interesse de instituições ligadas ao esporte, como a Associação Alemã de Atletismo. Para o presidente da organização, Clemens Prokop, os nomes dos envolvidos no lado ocidental, principalmente de pessoas que ainda ocupam cargos no esporte, precisam ser revelados.

Para Christian Schenk, ex-atleta de decatlo e campeão olímpico em 1988 pela Alemanha Oriental, as novas revelações sobre doping na Alemanha Ocidental tem também um efeito político. "Agora, ficou claro que o esporte era politicamente usado pelos dois lados", afirmou ao jornal Welt am Sonntag.

As revelações não surpreenderam Uwe Trömer, ciclista da Alemanha Oriental que teve doping comprovado. "Nós já sabemos há anos que o doping era utilizado na Alemanha Ocidental. O que me admira é como isso é tratado. Foram contratados pesquisadores para revelar esse sistema e agora eles são impedidos de divulgar as informações. Na minha opinião, isso é hipocrisia."

CN/dpa/afp/sid

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