Governo alemão celebra e ambientalistas criticam resultado de Durban | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 12.12.2011
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Ciência e Saúde

Governo alemão celebra e ambientalistas criticam resultado de Durban

Enquanto o governo da chanceler federal Angela Merkel vê com bons olhos o acordo fechado em Durban, oposição e ativistas ambientais alemães qualificam o resultado como vergonhoso.

Críticos protestaram contra acordos em Durban

Críticos protestaram contra acordos em Durban

"Nós alcançamos o fundamento e a dinâmica para um acordo internacional de proteção do clima que pela primeira vez vale para todos", afirmou o ministro alemão do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, neste domingo (11/12) em Durban. Ele considerou o resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas como "um grande e inovador sucesso para a proteção do clima".

Segundo ele, o acordo foi alcançado graças à união da União Europeia (UE) com os países em desenvolvimento e os pequenos Estados insulares – os mais ameaçados pelas mudanças climáticas. Para Röttgen, também os grandes emissores de gases do efeito estufa vão se sentir comprometidos com as decisões tomadas em Durban.

A chamada Plataforma de Durban visa reduzir as emissões de gases do efeito estufa nas próximas décadas para restringir o aumento da temperatura global a no máximo dois graus Celsius até o final do século – mantida a situação atual, a expectativa é de um aumento de até quatro graus.

Melhor que nada

Pesquisadores alemães do clima afirmaram estar satisfeitos com o fato de se ter conseguido chegar a algum acordo em Durban. "Para mim já é significativo que as negociações continuem e que o Protocolo de Kyoto tenha sido renovado", disse o diretor do Instituto Max-Planck de Meteorologia, Jochem Marotzke.

"A UE e a Alemanha tiveram uma importante atuação em Durban", avaliou Ottmar Edenhofer, professor do renomado Instituto de Pesquisas sobre os Impactos Climáticos de Potsdam. Mesmo com a necessária redução da emissão de gases do efeito estufa não tendo sido alcançada, chegou-se a resultados impensáveis há poucos dias.

Greenpeace promove manifestações em Durban

Greenpeace promove manifestações em Durban

Nenhum avanço na redução de CO2

A oposição na Alemanha, no entanto, fez duras avaliações sobre a conferência na África. "Os resultados são decepcionantes, frustrantes e reveladores", declarou a copresidente do Partido Verde Claudia Roth. Segundo ela, a cúpula mais longa da história não ofereceu nenhum freio às emissões de CO2 e teriam faltado compromissos concretos. "Não se conseguiu conter o aquecimento global dentro do limite de dois graus Celsius. Isso é, sem dúvida, uma fatalidade para todos nós."

Posição parecida demonstrou a presidente da Comissão de Meio Ambiente do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), Eva-Bulling-Schröter, do partido A Esquerda. Ela classificou o resultado como vergonhoso. "A Conferência da ONU foi vendida como sucesso de último minuto, mas na verdade é uma derrota", afirmou Bulling-Schröter.

Ela afirmou que o caminho planejado para o acordo de 2020 não será suficiente para frear o aquecimento global. "O nível máximo das emissões precisa ser revertido até 2017 a fim de se alcançar o objetivo de dois graus Celsius", argumentou.

A segunda fase de compromisso do Protocolo de Kyoto, de 2013 a 2020, seria uma solução transitória fraca. Sem os EUA, o Canadá, o Japão, a Rússia e a Nova Zelândia, estariam representados em Kyoto apenas "risíveis 15%" das emissões mundiais. Segundo ela, as consequências deste "grandioso fracasso" serão pagas pelos que menos contribuíram para o atual aquecimento global.

Organizações ambientais insatisfeitas

O Greenpeace, que participou como observador em Durban, chamou o resultado de um retrocesso para a proteção do clima. "Teria sido melhor que a conferência não tivesse chegado a nenhum acordo e que as negociações fossem continuadas no próximo ano até que um resultado realmente bom fosse alcançado", afirmou o especialista em meio ambiente Martin Kaiser.

Segundo ele, ficou em aberto quanto os maiores países planejam reduzir suas emissões de CO2 no próximo ano. O caminho para novo acordo internacional em 2015, que sucederá Kyoto, também não é convicente, afirmou Kaiser. "Com este mapa do caminho, bloqueadores como os EUA, mas também grandes países emergentes, como a China e a Índia, poderão fugir de suas responsabilidades."

Autora: Nina Werkhäuser (msb)
Revisão: Alexandre Schossler

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