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América Latina

Governo alemão calou perante crimes da ditadura argentina, afirma "Der Spiegel"

Segundo a revista, governo do então chanceler federal Helmut Schmidt não teria se empenhado no esclarecimento de crimes cometidos contra cidadãos alemães para não prejudicar relações entre os dois países.

De acordo com documentos citados esta semana pela revista Der Spiegel, o governo do ex-chanceler federal alemão Helmut Schmidt teria silenciado perante crimes cometidos pela ditadura militar na Argentina (1976-1983), sem pressionar pelo esclarecimento deles, incluindo os cometidos contra cidadãos alemães ou de origem germânica.

A revista teve acesso a documentos recentemente desclassificados pelo Ministério do Exterior da Alemanha e que indicam que o governo Schmidt (1974-1982) teria optado por uma "diplomacia do silêncio", mesmo ciente dos horrores praticados pelo regime argentino.

Conforme a reportagem, o então embaixador alemão em Buenos Aires, Jörg Kastl, teria se referido à junta militar no país americano como "o único caminho praticável", ao que parece diante da possibilidade de surgimento de outra ditadura ou de uma "aventura autoritária de esquerda" durante a Guerra Fria. O chefe para América Latina do Ministério do Exterior escreveu que a Alemanha estava interessada na continuidade do governo do ditador Jorge Rafael Videla. O semanário ainda afirma que o então vice-ministro do Exterior, Karl Mörsch, teria dito que os militares argentinos certamente não eram "ditadores cínicos".

O advogado Wolfgang Kaleck, porta-voz da Coalizão contra a Impunidade – organização dedicada a esclarecer crimes da ditadura – elogiou a revista pela publicação da reportagem. De acordo com a organização, o governo em Bonn não fez muito em favor das vítimas alemãs da ditadura argentina.

Para o jornalista Esteban Cuya, membro do Centro de Direitos Humanos de Nurembergue, o governo alemão teria informações sobre o golpe de Estado na Argentina três ou quatro semanas antes de ele ocorrer. E, durante o regime, diante do conhecimento de que algumas vítimas alemãs haviam desaparecido ou sido assassinadas, teria inicialmente tomado a decisão política de não informar as famílias com precisão.

De acordo com a matéria, se em público Schmidt reiterava que o respeito pelos direitos humanos e a proteção dos cidadãos alemães na Argentina eram prioridades do governo, internamente valia a posição do então chefe para América Latina, Karl-Alexander Hampe, de que a defesa dos direitos humanos não podia ir tão longe a ponto de causar danos permanentes à relação entre Argentina e Alemanha.

Também Kaleck vê nas relações comerciais um dos motivos para evitar esse "dano". Segundo ele, as relações comerciais entre os dois países cresceram durante a ditadura. Para Cuya, grandes contratos de empresas alemãs estavam em jogo. Não apenas no setor de armas, como afirma a Spiegel, mas também contratos de televisão para a transmissão a cores da Copa de 1978.

A reportagem afirma que cerca de 30 mil pessoas desapareceram durante a ditadura argentina. Entre elas, ao menos 74 seriam alemãs ou de descendência alemã.

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