Governistas pedem morte de oposicionistas após manifestações em Teerã | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 15.02.2011
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Mundo

Governistas pedem morte de oposicionistas após manifestações em Teerã

Influenciada pelo Egito, oposição tenta ressuscitar protestos no Irã. Analistas ouvidos pela Deutsche Welle creem no sucesso da nova onda de revoltas no país. Oposição promete resistir.

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Confrontos em Teerã tiveram pelo menos dois mortos

Após os confrontos ocorridos na segunda-feira (14/2), parlamentares iranianos ligados ao governo pediram a pena de morte para os líderes da oposição, segundo informações da imprensa estatal do país. O motivo citado para o apelo seria a falta de permissão oficial do governo para a realização das passeatas em apoio aos protestos no Egito e na Tunísia.

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo, e pelo menos duas pessoas foram mortas nos confrontos. Para especialistas, essas novas manifestações são muito mais que apenas algo passageiro e dão continuidade ao movimento de protestos abafado por ocasião da eleição presidencial em 2009.

"Morte para Mussavi, Karubi e Khatami!" exigiram parlamentares iranianos. A oposição liderada pelo ex-primeiro-ministro Mir Hussein Mussavi e pelo ex-presidente do Parlamento, Mahdi Karubi, queria demonstrar pacificamente por mais democracia. O regime iraniano apoia a oposição nos países árabes, mas não tolera manifestações no próprio país. A polícia usou da força para acabar com os protestos.

"Manifestações tiraram o sono do governo"

Mir-Hossein Moussawi

Líder da oposição no Irã, Hussein Mussavi

Desde as eleições presidenciais de 2009, o chamado movimento de protesto "verde" está em todas as bocas. No entanto, ele já sofreu vários reveses. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, aproveita cada oportunidade para reprimir os líderes da oposição.

Os apelos de hoje para que sejam mortos mostra que as recentes manifestações puseram medo nas autoridades, afirma Fateme Govarai, ativista política que vive atualmente em Teerã.

"Acho que as manifestações de segunda-feira tiraram o sono do governo. No Parlamento, foi criada uma comissão de inquérito destinada a lidar com esses eventos. Além disso, há também os esforços de intimidação e repressão contra os líderes da oposição. Mas não acho que sanções sejam tomadas contra eles. Porque isso teria consequências desagradáveis para o governo", lembrou a ativista.

"Chegou a hora"

A estrutura de poder, as realidades sociais no Irã, assim como as tensas relações com o Ocidente tornam o país e seu movimento de protesto um caso especial. O futuro desse movimento de democratização é agora objeto de um amplo debate. Para Mehran Barati, especialista em Irã residente em Berlim, os protestos dos cidadãos iranianos continuarão até que reformas sejam realizadas.

Serajedin Mirdamadi

Mirdamadi acha que protestos continuam até Teerã ceder

"Este movimento não vai parar. Os iranianos já esperaram 30 anos e agora chegou a hora. As pessoas querem ter os seus direitos. E enquanto o regime lhes nega esses direitos, o movimento continuará”, afirmou o estudioso.

A oposição iraniana, incluindo aqueles que se empenham no exterior pela democratização do país, querem organizar outras ações de protesto. Seraj Mirdamadi, político reformista e ex-membro da Frente de Participação (Jebhe Mosharekt), atualmente vivendo em Paris, anunciou que o movimento vai aproveitar todas as oportunidades.

"Enquanto o governo iraniano não se curvar às exigências da população, os protestos vão continuar, quer sob a forma de manifestações, seja em outras formas. A reivindicação mais importante é a realização de eleições livres e transparentes", disse Mirdamadi.

Mudanças dentro da Guarda Revolucionária são esperança

O povo iraniano, com média etária de 26 anos, acompanhou com muito interesse nas últimas semanas a evolução dos acontecimentos nos países árabes. Mas uma reforma nos moldes do Egito e da Tunísia seria difícil no Irã, onde o governo e as Forças Armadas são fiéis à liderança religiosa.

Dr. Mehran Barati

Para Barati, oposição precisa cooptar forças armadas

Nas últimas semanas e meses, ocorreram mudanças de pessoal dentro do governo de Ahmadinejad. Mas essas não devem ser interpretadas como um novo curso de reformas. Os militares e a Guarda Revolucionária combatem com toda a violência os movimentos de protesto. Essa é uma das razões pelas quais os protestos iranianos não obtiveram o mesmo sucesso dos esforços dos egípcios, de acordo com Mehran Barati.

"Uma condição para a vitória da população no Egito foi a formação de uma coalizão tácita, não escrita, uma coligação política entre a liderança do Exército e a oposição. E essa foi a razão pela qual esse movimento não foi desbaratado. Isso não temos no Irã. A Guarda Revolucionária, o real poder armado iraniano, é um aparelho de aniquilação e repressão no país. Não há evidência alguma de que esse exército brutal se solidarizará com partes da população", comentou o cientista político.

Oposição deve buscar diálogo com Forças Armadas

Isso impediu também que o movimento de protesto no Irã tivesse alguma eficácia já na época em que surgiu. "Este foi o problema de Karubi e Mussavi. Não terem conseguido, após as eleições presidenciais, ganhar para si pelo menos parte da Guarda Revolucionária. Este deve ser um plano para o futuro. Sem essa neutralização das Forças Armadas, o movimento não chegará à sua meta tão facilmente", avaliou.

Mas já existem os primeiros sinais de que tenham ocorrido mudanças de opinião até mesmo dentro da Guarda Revolucionária. A ativista Fateme Govarai fala, neste contexto, nas primeiras rachaduras dentro da organização. "Algumas poucas notícias nos chegam aos ouvidos de que rachaduras estão ocorrendo na Guarda Revolucionária. Estas mudanças nas cabeças deles deveriam, na verdade, contribuir para uma diminuição da violência e da opressão contra a oposição", afirmou Govarai.

Autor: Shahram Ahadi (md)
Revisão: Carlos Albuquerque

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