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Mundo

Golpe militar no Burundi fracassa

Militares envolvidos na tentativa de derrubar o presidente Pierre Nkurunziza reconheceram a derrota e foram presos por tropas leais ao governo. General Niyombare, que anunciou o golpe na quarta-feira, está foragido.

Uma tentativa de derrubar o presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, terminou em fracasso nesta sexta-feira (15/05). Os militares envolvidos reconheceram a derrota e foram presos por tropas leais ao governo.

O general Godefroid Niyombare, que na quarta-feira anunciou ter destituído o presidente, conseguiu escapar, segundo a polícia. Mais cedo, ele havia dito à agência de notícias AFP que iria se render e que esperava não ser morto.

O porta-voz dos militares insurgentes, Venon Ndabaneze, confirmou a rendição. "Nós decidimos nos entregar. Depomos as armas. Ligamos para o Ministério da Segurança Pública para dizer que não temos mais armas", disse Ndabaneze, que foi preso em seguida.

Outro líder do golpe, o general Cyrille Ndayirukiye, disse que os rebeldes "enfrentaram uma força militar avassaladora, determinada a manter o sistema vigente no poder".

A tentativa de golpe foi encerrada pouco depois de o governo informar que Nkurunziza – que estava na Tanzânia quando o motim começou – havia regressado ao Burundi. O presidente viajou ao país vizinho para uma cúpula regional sobre a crise desencadeada no Burundi, devido aos protestos contra a decisão do presidente de concorrer a um terceiro mandato.

O anúncio do golpe militar, na quarta-feira, provocou críticas da comunidade internacional. Os Estados Unidos afirmaram que Nkurunziza continua sendo o "presidente legítimo" do país, mesmo tendo criticado firmemente a intenção dele de continuar no poder.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião de emergência sobre a crise para pedir o fim da violência e a "realização de eleições legítimas". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon condenou a tentativa de "derrubar pela força militar um governo eleito" e pediu calma às partes envolvidas.

Histórico de violência

O motim lançou temores de um retorno à violência no país, que ainda está se recuperando de 13 anos de uma guerra civil que terminou em 2006 e deixou pelo menos 300 mil mortos. A Constituição e o Acrodo de Arusha, que encerrou a guerra entre hutus e tutsis, estipulam que o presidente não pode governar por mais de dois mandatos.

O Tribunal Constitucional do Burundi alega, entretanto, que o primeiro mandato de Nkurunziza não conta, porque ele foi eleito pelo Parlamento em 2005, e não por voto popular. Nkurunziza pertence à etnia hutu, que compõe cerca de 85% da população do Burundi.

Após sua independência da Bélgica, em 1962, o Burundi viveu dois episódios classificados como genocídio: o massacre de hutus pelo Exército dominado por tutsis em 1972, e o assassinato em massa de tutsis por hutus em 1993.

FF/afp/rtr/ap

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