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Mundo

Golpe dos serviços secretos contra o terrorismo?

O caso de um negociante britânico preso nos EUA por importar um míssil terra-ar para vender a terroristas, parece construído. E lembra tentativas de se usar agentes camuflados na Alemanha, que terminaram em fiasco.

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Míssil antiaéreo

O comerciante de armas de origem indiana Hemad Lekhani havia oferecido a arma anti-aérea russa a um agente americano camuflado, que se fez passar por terrorista islâmico. A forma como feita a operação, que contou com a participação também dos serviços secretos britânico e russo, chamou a atenção na Alemanha, onde a infiltração de agentes em dois casos foi muito questionada.

Tiros que saíram pela culatra

O mais antigo, de meados da década de 90, estava relacionado ao combate do contrabando de urânio e plutônio da Rússia - usado na fabricação de armas nucleares. Agentes dos serviços de segurança atuaram como compradores do material radioativo e acabaram aumentando artificialmente a demanda. Ao prenderem os suspeitos - dois colombianos e um espanhol que estiveram em Moscou - só encontraram uma quantidade ínfima de plutônio, que não daria para a confecção de uma bomba atômica.

O caso mais recente é de março deste ano e está ligado à observação das atividades neo-nazistas do Partido Nacional Democrático (NPD). Como o serviço secreto alemão infiltrasse muitos agentes na direção do partido, na tentativa de conseguir provas para proibi-lo, acabou invalidando os esforços nesse sentido. Como o tiro saiu pela culatra, o processo foi suspenso e o partido não foi proibido.

Reputação em baixa

A reputação dos serviços secretos americano e britânico não é das melhores nestes dias. Sobre ambos paira a dúvida de haverem exagerado a ameaça que representava Saddam Hussein, fornecendo falsas informações antes da guerra. No que diz respeito à CIA inclusive chegou a se comprovar, em parte, que seus agentes não identificaram como perigosos os indícios de atividades terroristas antes de 11 de setembro, ignorando advertências de alguns países - a Alemanha entre eles. Diante disso, nada como apresentar às câmaras um perigoso contrabandista algemado e fora de circulação.

A forma de sua atuação, porém, parece mais adequada a acrescentar um novo capítulo à sua novela de panes e fiascos. Um dos detidos teria tentado vender mísseis anti-aéreos a terroristas da Al-Qaeda, enquanto os outros dois iriam ajudar na lavagem do dinheiro que ele pretendia ganhar. No entanto, como tudo foi encenado pelos três serviços secretos, em nenhum momento esteve envolvido um terrorista de verdade.

A armadilha

O principal papel na estória é representado pelo inescrupuloso comerciante britânico Hemad Lekhani. Ele comprou um míssel russo SA-18 com lançador em São Petersburgo, sem perceber que o vendedor era do serviço secreto russo. Este tirou peças decisivas, tornando inútil a perigosa arma, capaz de derrubar um avião. E essa foi a arma apreendida nos EUA, que serviria de "amostra" para atrair eventuais compradores terroristas. Como o interessado também era um agente disfarçado de radical islâmico, o único personagem real, no caso, era Lekhani, que caiu na armadilha. Um de seus cúmplices, também detido, é um judeu ortodoxo de 75 anos. Nascido no Afeganistão, ele é um comerciante de diamantes e tem passaporte americano.

E o mundo que viu-livre de um negociante de armas sem escrúpulos, engolirá a explicação como um êxito dos serviços secretos? Se policiais que combatem as drogas atuarem como compradores e vendedores para pegarem um dealer, toda a ação não teria fundamento perante um tribunal. Por que seria diferente, se em vez de drogas o objeto do crime fossem mísseis? Sem a contribuição efetiva dos serviços secretos, esse crime não teria acontecido.

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