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Cultura

Goldhagen desconsiderado por falta de rigor histórico

Polêmico historiador norte-americano vira alvo da opinião pública alemã: falta de método histórico, ignorância das fontes e messianismo são apenas algumas das críticas contra "A Igreja Católica e o Holocausto".

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Daniel Jonah Goldhagen não é levado a sério pela crítica

Com o livro Os executores voluntários de Hitler: os alemães comuns e o Holocausto (1996), o americano Daniel Jonah Goldhagen já havia sido criticado por falta de rigor histórico. Mas desta vez, com seu novo e igualmente polêmico livro A Igreja Católica e o Holocausto, sobre a conivência do Vaticano e dos católicos com o extermínio do judeus europeus, o historiador ameaça perder, pelo menos na Alemanha, o pouco prestígio que já tinha como pesquisador. Por uma fatal troca de fotos, o livro já foi lançado sob o signo da falta de seriedade, uma crítica que marcou sua recepção na Alemanha de forma unânime.

Novo Testamento revisto – Goldhagen não recorreu a fontes originais, baseando suas investigações em referências de segunda mão e em pesquisas por sinal muito mais aprofundadas que este livro. Esta é a acusação básica, evidenciada por uma lista de erros de informação, com a qual a crítica já cumpriu a função de privar o livro de qualquer credibilidade. Com seu levantamento de centenas de passagens anti-semitas a serem eliminadas do Novo Testamento, Goldhagen foi criticado por ignorar o contexto histórico e desconsiderar as mais recentes interpretações. Assim como seu primeiro livro controverso, este também sofre pela falta de método científico, na opinião de toda a crítica.

Religião e crimes ideológicos – O fato de a Igreja Católica ter compactuado com o Holocausto não é novo, já tendo se tornado consensual. A crítica se pergunta, portanto, qual seria a utilidade do livro. Aí as opiniões se dividem. Alguns críticos consideram a publicação um desserviço a uma revisão histórica por parte dos católicos, considerando que acusações de fora só colocam o Vaticano e a Igreja na defensiva. Outros, por sua vez, acreditam que o livro vai impulsionar o debate sobre um tema bastante atual: a responsabilidade da religião sobre crimes ideologicamente motivados. Além disso, o livro foi destacado por ampliar o foco da "relação simbiótica" entre nazismo e cristianismo, transferindo para o Vaticano a atenção centrada até então na figura de Hitler.

Dogmatismo e catequese – A falta de discernimento em diversas argumentações e as "pseudoverdades" de Goldhagen desagradaram aos leitores profissionais. Para um dos críticos, a falta de um campo de pesquisa precisamente delimitado impede Goldhagen de chegar a conclusões relevantes, sobretudo por tratar indiscriminadamente da Itália, Alemanha e Suíça. Uma outra falha básica de seu livro seria a falta de diferenciação entre antijudaísmo teológico e anti-semitismo político. No entanto, o que mais irritou a crítica foi o tom didático e até "catequisante" de Goldhagen, acusado de falar como teórico do moralismo e teólogo dogmático. Sua argumentação "insuportavelmente pedagógica" beira um tom quase religioso, apontou outro crítico.

Alemães absolvidos – O historiador israelense Moshe Zimmermann, da Universidade Hebraica de Jerusalém, chamou Goldhagen pejorativamente de profeta Jonas da Nínive moderna. Para ele, Goldhagen parece ter tomado os católicos como bode expiatório, pois todos os paradigmas usados em sua investigação poderiam ser aplicados a quaisquer outros grupos sociais ou instituições. No entanto, o que mais desagradou ao estudioso israelense foi a ênfase com que a culpa pelo Holocausto foi transferida para a Igreja Católica, o que pode ser interpretado como uma absolvição do resto da sociedade nazista, acusada pelo próprio Goldhagen – no livro anterior – de "anti-semitismo eliminatório".

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