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Cultura

Geometria da água

Escritório de arquitetura alemão desenvolve na China o projeto de Luchao Harbour City. Concebida para abrigar 300 mil habitantes, a cidade artificial será a maior do gênero desde a construção de Brasília.

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Projeto de Luchao Harbour City, na China

O projeto prevê um círculo, cujo centro será ocupado por um lago de água doce, com diâmetro de 2,5 quilômetros. Sobre este, duas ilhas: a primeira terá um teatro, a segunda um museu. A água será cercada por "uma espécie de praia de Copacabana, com 9,5 quilômetros de extensão", compara Meinhard von Gerkan, que assina o projeto ao lado de mais 12 arquitetos de seu escritório, o maior da Alemanha.

Ao redor do lago, estarão os bairros da cidade, como se fossem ondas que desembocam no centro. As regiões externas serão destinadas ao campus universitário e ao setor industrial. Tanto as construções residenciais quanto as comerciais não deverão ultrapassar os 38 metros de altura, com pequenas praças intercaladas entre elas. Prestação de serviços, como supermercados ou creches, está incluída no projeto. Pronta, Luchao City deverá ficar somente em 2020. Os primeiros habitantes, no entanto, deverão ocupar suas moradias já em 2005.

Architekt Meinhard von Gerkan

Arquiteto alemão Meinhard von Gerkan

Ar para a metrópole - O escritório de Von Gerkan, de Hamburgo, que venceu no último ano a concorrência em Xangai, já havia desenvolvido 70 projetos na China nos últimos cinco anos. Destes, dois estão prontos e 12 em andamento. Luchao Harbour City deverá ter por meta amainar um pouco a densidade populacional da metrópole mais próxima, Xangai, hoje com 16 milhões de habitantes. "Um projeto que vai além do poder de imaginação racional europeu", observa Von Gerkan ao semanário Der Spiegel. Hoje, na China, arranha-céus são erguidos em uma velocidade estonteante, sendo muitas vezes destruídos antes mesmo de terem sido habitados.

Água como artefato - A cidade que vem da prancheta alemã surge praticamente do nada. Hoje, há na região apenas "terra virgem", nas palavras de Von Gerkan. A meta é "unidade e multiplicidade", que deverá transformar Luchao "em um lugar munido de uma identidade inconfundível". A água, usada para trazer um mínimo de poesia e luz ao espaço urbano, é tomada pelos arquitetos alemães como artefato. Com a presença de um lago e de alguns parques, pretende-se oferecer aos habitantes da nova cidade o que as atuais metrópoles lhes negam: melhor qualidade do ar, mais áreas verdes, respeito às crianças e menor necessidade de locomoção.

Lembrando Brasília - O projeto Luchao causa em muitos um efeito de dejà vu: relembra-se a utopia representada por Brasília nos anos 60, quando a divisão do espaço urbano ditava a separação ortodoxa entre os setores residenciais e comerciais. Em princípio, o grande erro de todo um período na história da arquitetura, quando se acreditava que os problemas da vida urbana poderiam ser solucionados pela divisão de funções sociais, delegadas cada uma a seu espaço.

Percursos rápidos - Isso, no entanto, acabou provocando uma necessidade cada vez maior do uso do automóvel, com caminhos longuíssimos a serem enfrentados a cada ida à padaria, que não ficava mais na esquina. O arquiteto Von Gerkan afirma ter aprendido a lição da história e afirma que na futura Luchao o maior trecho a ser percorrido será de 15 minutos a pé. Apesar de um projeto envolvendo um metrô ter sido recusado pelos chineses, em função do preço, o transporte será efetuado por trens de superfície e ônibus.

Se Luchao City pode vir a ser realmente a prova de uma "urbanidade mais intensa", como afirma Van Gerkan, só o tempo irá dizer. Algumas perguntas ficam no ar: será possível aos moradores de cada bairro identificarem-se com a região onde moram, se os outros bairros são absolutamente idênticos? É possível a uma cidade artificial fazer com que o espaço público seja organicamente ocupado pela população, ou os moradores de cidades artificiais estão fadados ao "espaço público" entre quatro paredes?

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