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Mundo

Gauck reconhece morte de armênios como genocídio

Presidente alemão abandona linha de cautela do país perante a Turquia em relação ao massacre, perpetrado há cem anos pelo Império Otomano, e pede que eventual cumplicidade da Alemanha nos crimes seja debatida.

O presidente da Alemanha, Joachim Gauck, reconheceu nesta quinta-feira (23/04) como genocídio o massacre de cerca de 1,5 milhão de armênios. O discurso foi feito num culto ecumênico na Catedral de Berlim, na véspera da data que marca os cem anos do início da matança pelo Império Otomano.

Com o uso da palavra genocídio, Gauck abandonou a linha de cautela da Alemanha perante a Turquia – país de origem de 3,5 milhões de seus cidadãos –, apesar da possibilidade de gerar atritos com Ancara.

"O destino dos armênios é parte da história de extermínios massivos, limpezas étnicas e deportações que marcou terrivelmente o século 20", afirmou Gauck. "Neste caso, nós alemães, coletivamente, temos ainda que fazer uma avaliação, ou seja, se há responsabilidade partilhada e talvez cumplicidade no genocídio dos armênios."

Com o discurso, Gauck foi mais além que a declaração que deverá ser aprovada nesta sexta-feira pelo Parlamento alemão. O texto usa formulações indiretas e descreve a morte de armênios como um "exemplo de extermínio em massa, limpeza étnica, deportações e, sim, genocídios durante o século 20".

Mais de 20 países reconhecem

Em meados de abril, o papa Francisco usou o termo genocídio para descrever o conflito durante uma missa realizada na Basílica de São Pedro, em Roma. As palavras provocaram uma reação imediata da Turquia, que pediu explicações ao representante oficial do Vaticano em Ancara. Depois, foi a vez de o Parlamento Europeu pedir que a Turquia reconheça a morte dos armênios como genocídio.

A Turquia reconhece que muitos cristãos armênios foram mortos em confrontos com soldados otomanos a partir de 1915, quando a Armênia ainda era parte do império, governado de Istambul. Porém, nega que centenas de milhares de pessoas tenham sido assassinadas por razões étnicas, o que qualificaria um genocídio.

O dia 24 de abril de 1915 marcou o início das perseguições à população armênia, que há séculos vivia sob domínio otomano. Centenas de milhares de armênios foram deportados, e a maioria de seus bens foi confiscada.

O termo "genocídio" foi definido pela ONU em 1948 como atos cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Mais de 20 países – entre eles Rússia e França – reconhecem a matança de armênios como tal.

FC/afp/ap/dpa/rtr/efe

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