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Economia

Ganhos salariais na Alemanha ajudam a reequilibrar competitividade na UE

A redução dos níveis salariais ao longo da última década é um dos motivos para a elevada competitividade da Alemanha diante de seus parceiros europeus. Agora a situação começa a se inverter.

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Schild Eurozone

Ao longo de uma década os sindicatos alemães privilegiaram a manutenção dos postos de trabalho em detrimento dos aumentos salariais. Com suas negociações salariais moderadas, eles acabaram contribuindo involuntariamente para aprofundar um desequilíbrio interno na zona do euro: enquanto a Alemanha ganhava em competitividade, os países do sul do bloco viam seus custos trabalhistas aumentarem, em consequência de um boom econômico baseado no endividamento.

O resultado é conhecido: esses países agora precisariam desvalorizar suas moedas para voltar a ser competitivos, mas não podem fazer isso porque adotam o euro, uma moeda comum. Há algum tempo, a então ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, atual diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), ressaltara que existe um segundo caminho: a Alemanha deveria consumir mais e pagar melhores salários.

Declarações como essa desencadearam uma acalorada discussão: deveria a Alemanha reduzir propositalmente o seu nível de competitividade para amenizar os problemas da zona do euro? De maneira alguma, diziam os especialistas, pois isso retiraria a pressão sobre os países do sul, para que eles melhorem a própria competitividade.

Mudanças perceptíveis

Mas, de lá para cá, os tempos mudaram. "Vemos uma mudança em relação aos salários", diz o economista-chefe do banco alemão Commerzbank, Jörg Krämer. Em três anos, países como Espanha e Portugal terão conseguido recuperar suas perdas em competitividade frente a outros países europeus, por causa da visível redução dos custos trabalhistas nestes países. Também a Irlanda estaria nesse caminho.

Ou seja, os países em crise estão ganhando competitividade em comparação com a Alemanha. A isso soma-se os altos acordos salariais fechados recentemente pelos sindicatos alemães, por exemplo nos serviços públicos. Os vencimentos para quase dois milhões de pessoas vão subir 3,5% a partir de 1º de março deste ano. A partir de 1º de janeiro de 2013, o aumento será de 1,4% e, em 1º de agosto, de outros 1,4%. Isso significa 4,9% ao final de 10 meses e 6,3% depois de 18 meses.

Já os três milhões e meio de trabalhadores da indústria alemã do metal e eletrônica podem comemorar o melhor aumento salarial dos últimos 20 anos. Empregadores e sindicatos fecharam um acordo que prevê 4,3% de aumento.

O sindicato do setor de mineração e energia química está pedindo 6% a mais nos vencimentos dos quase 550 mil empregados da indústria química. Também dessa negociação deverá sair um acordo coletivo que deverá ficar acima da inflação, hoje na casa dos 2% ao ano.

Apoio dos políticos

Os sindicatos alemães podem contar até mesmo com o apoio dos governantes. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, declarou recentemente que está "tudo bem se na Alemanha os salários subirem mais do que em outros países da União Europeia". Segundo ele, a Alemanha fez sua lição de casa no passado e pode hoje se permitir acordos salariais com índices mais altos do que os outros países. "Passamos por muitos anos de reformas", completou.

O comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, também vê a situação de maneira parecida. Durante a apresentação do relatório conjuntural da Comissão Europeia, ele afirmou que acompanha de perto o debate sobre melhores salários e afrouxamento da política inflacionária na Alemanha. "Custos salariais maiores vão estimular ainda mais a demanda interna [na Alemanha]. Isso é bom para um maior equilíbrio na economia de toda a zona do euro".

Os países do sul se recuperam, os alemães diminuem sua competitividade aumentando salários: é essa a saída para a crise do euro? Os políticos concordam com esse nivelamento do desequilíbrio no bloco. Mas Kramer discorda: "A união monetária como um todo fica enfraquecida se sua maior economia perde competitividade não apenas frente aos países da periferia, mas também frente a outras economias de fora da Europa".

Autor: Rolf Wenkel (msb)
Revisão: Alexandre Schossler

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