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Mundo

Galileo traz mais chances do que riscos, afirmam especialistas

Comissão Européia quer evitar de todo jeito o fracasso do problemático sistema de navegação. Tentativa de salvá-lo custará 2,4 bilhões de euros aos contribuintes da UE. Segundo peritos, o investimento se justifica.

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Representação gráfica do sistema

O sistema de navegação por satélite Galileo é considerado o mais importante projeto de alta tecnologia da Europa. Turistas, motoristas, transportadores e agricultores são apenas alguns dos grupos de interesse que se beneficiariam de sua implementação.

O sistema será composto por 30 satélites, encarregados de enviar dados de localização precisos. Ele não só deverá substituir o concorrente norte-americano, o GPS, como superá-lo. Políticos esperam que o projeto crie 150 mil novos postos de trabalho na União Européia (UE).

Desavenças sobre os riscos

Expectativas otimistas à parte, o Galileo vem ocupando as manchetes somente com notícias ruins: fala-se em fiasco e desperdício de bilhões de euros. Na segunda semana de maio, o sistema caiu naquela que é, até o momento, sua mais grave crise.

"O projeto de uma parceria público-privada (PPP) fracassou", resumiu o deputado europeu Ulrich Stockmann. O consórcio de operadoras responsável pelo projeto deixou caducar um importante prazo oficial, por não conseguir alcançar um acordo sobre a distribuição de riscos.

Além disso, desacordos entre os países da UE sobre o financiamento e a sede dos centros de controle geraram repetidos adiamentos, além de custos milionários. Praticamente todas as principais empresas do setor participariam da planejada PPP: as alemãs EADS e T-Systems, subsidiária da Telekom, as francesas Thales e Alcatel-Lucent, as italianas AENA e Finmeccanica, a espanhola Hispasat e a inglesa Immarsat.

Varrendo os cacos

Bildergalerie EU-Kommissare Jacques Barrot Vice President Transport French

Comissário de Transportes da UE, Jacques Barrot

O que sobrou foi um monte de destroços, que a Comissão Européia procura reunir o mais rápido possível. O comissário de Transportes da UE, Jacques Barrot, apresentou nesta quarta-feira (16/05), em Bruxelas, proposta no sentido de construir o Galileo usando recursos públicos. Em seguida, a economia privada poderia reassumir a operação do sistema.

O diretor executivo do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), Johann-Dietrich Wörner, saudou os planos. "Desenvolver uma infra-estrutura tão complexa é uma tarefa pública." A partir dessa sugestão haveria uma base para que "finalmente" se possa iniciar a construção do Galileo. No momento, apenas um satélite de testes se encontra em órbita terrestre.

"Temos que nos apressar se pretendemos dar a partida até 2012", alerta Wörner. "Se o Galileo só vier em 2014 ou 2015, não precisaremos mais dele, pois será difícil encontrar um mercado para ele", completa Carsten Rolle, especialista em Galileo da Confederação da Indústria Alemã (BDI). Os Estados Unidos trabalham na atualização do sistema GPS, que deverá chegar ao mercado em 2015. Também a China e a Rússia estão desenvolvendo sistemas de satélites.

Salvamento caro

Stockmann não está muito otimista. "Já é a terceira crise que enfrentamos. Dá medo a forma como vamos adiando pouco a pouco a data do lançamento. Queríamos começar em 2008, agora fala-se em 2012 e a indústria já cochicha sobre 2014."

Mas Wörner disse acreditar que nada está perdido. Para ele, a Agência Espacial Européia (ESA) deveria assumir as rédeas, devido à sua grande experiência com sistemas de viagem espacial.

Uma coisa, porém, está certa: a tentativa de salvamento custará caro. Segundo o comissário Barrot, até 2013 será necessário investir mais 2,4 bilhões de euros em verbas públicas. Ainda assim, tanto para Carsten Rolle – que é a favor do uso militar – quanto para outros especialistas, o Galileo continua "oferecendo mais chances do que riscos". (sl/av)

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