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Mundo

G7 se reúne com agenda cheia, mas sob pouca expectativa

Crise econômica, conflitos, questões humanitárias e climáticas: temas não faltam para a cúpula na Baviera. Mas se líderes deixam claro que pouco será decidido, resta a pergunta se o encontro justifica os altos custos.

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Hotel Castelo Elmau sediará encontro dos chefes de Estado e governo do G7

Picos cobertos de neve, campos verdes e rios azuis. Em meio ao turístico panorama alpino está o Castelo Elmau, um hotel cinco estrelas na Baviera. A partir de domingo (07/06), ele será palco do encontro de dois dias dos chefes de Estado e governo de Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido – o G7.

"Queremos mostrar aos nossos convidados uma parte linda da Alemanha e nos reunir neste ambiente numa forma que seja importante para os resultados da cúpula", justificou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, a escolha do local.

Uma escolha cara: a cúpula do G7 vai custar aproximadamente 360 milhões de euros, inclusive os gastos com a mobilização de 19 mil policiais, responsáveis pela segurança do castelo e seus arredores.

Conversa franca em pequena roda

Tematicamente, o encontro está marcado pelas atuais crises e catástrofes humanitárias. A re-escalada do conflito na Ucrânia, o arrefecimento das relações com a Rússia, a luta contra a organização terrorista "Estado Islâmico", as cerca de 2 bilhões de pessoas desnutridas e famintas – a lista é longa.

"Para mim, o mais importante é que os sete chefes de governo e de Estado abordem os temas importantes", disse Merkel em entrevista à DW. "São Estados que compartilham os mesmos valores. O G7 tem um intercâmbio livre e intenso, determinado por sistemas estatais democráticos."

De fato, os encontros de cúpula do G7 proporcionam um fórum único, onde se pode discutir francamente numa roda confidencial. Nesse ponto, a rodada manteve-se fiel à antiga ideia dos "bate-papos ao pé da lareira", de proporcionar uma verdadeira troca de opiniões numa atmosfera íntima.

Para Merkel, no entanto, o encontro é mais do que somente uma cúpula diplomática para a discussão de crises. Para a chanceler federal, o G7 deve enviar sinais e estímulos para reflexão.

De economi a mudanças climáticas

Após a expulsão da Rússia do G8, o G7 se vê cada vez mais como uma comunidade de valores, que tem de assumir um papel de pioneiro. Segundo Merkel, o grupo se propõe a melhorar as condições de vida no planeta e possibilitar o acesso ao bem-estar social à maior quantidade possível de pessoas.

Milhares de policiais foram mobilizados para garantir segurança da cúpula

Milhares de policiais foram mobilizados para garantir segurança da cúpula

Por esse motivo, na programação do encontro, estão as mudanças climáticas e também temas tão distintos como a proteção do meio ambiente marinho, resistência aos antibióticos e a luta contra epidemias como ebola.

Segundo Merkel, o G7 deveria assumir a responsabilidade de eliminar a fome e a pobreza absoluta até 2030. Somente se a alimentação de uma população mundial em constante crescimento for assegurada, outros estágios de desenvolvimento terão uma chance, explicou.

Na segunda-feira, segundo dia da cúpula, os presidentes da Nigéria e da Tunísia, assim como o primeiro-ministro do Iraque, vão sentar-se à mesa de reuniões. As conversas deverão girar em torno do combate ao terrorismo, mas também sobre como o G7 pode apoiar a inclusão de todos os segmentos da população na definição do futuro político.

Segurança do trabalho

Merkel também garantiu que os pontos educação, perspectivas profissionais de jovens e mulheres e segurança do trabalho subissem de prioridade na agenda. Concretamente, o G7 vai discutir o cumprimento de padrões sociais e ambientais globais na produção e distribuição de roupas, alimentos e outros produtos. Isso é uma reação aos incêndios e grandes acidentes em fábricas têxteis em Bangladesh, mas também é um exemplo de uma iniciativa que se baseia em valores comuns do G7.

A cúpula deverá promover a implementação de um fundo global de prevenção, destinado ao financiamento da proteção contra incêndios, inspetores de trabalho e seguro contra acidentes laborais. No encontro na Baviera, porém, não será decidido nem o tamanho nem a origem do financiamento.

Protesto contra a cúpula na Baviera

Protesto contra a cúpula na Baviera

Para os opositores do G7, esse exemplo mostra de forma sintomática que, na cúpula, vai-se falar muito, mas sobre coisa pouco importante. Segundo a bancada do partido A Esquerda no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), sem que regras vinculativas para as empresas de atuação global sejam aprovadas, incluindo diretrizes de indenização para as vítimas e um direito penal empresarial também na Alemanha, o fundo vai continuar um "tigre sem dentes".

Em sua página de internet, o grupo de ativistas Stop G7 Elmau 2015 escreveu: "Os representantes dos mais ricos e poderosos países do mundo reivindicam decidir o destino de todo o mundo, sem ter qualquer legitimidade para tal. A política do G7 significa políticas econômicas neoliberais, guerra e militarização, exploração, pobreza e fome, degradação ambiental e bloqueio a refugiados."

Num gramado na cidade de Garmisch-Partenkirchen, os ativistas montaram um acampamento para cerca de mil opositores do encontro. A princípio, a prefeitura da cidade proibiu o acampamento, mas um tribunal de Munique revogou a decisão: eles têm o direito de protestar.

Pouca expectativa

No domingo, pouco antes do início da reunião, Merkel deverá se encontrar com o presidente americano, Barack Obama, para um café da manhã no vilarejo de Krün. A foto de abertura do encontro deverá ser então os dois diante de um cenário pitoresco. Mas a chanceler federal sabe que somente fotos bonitas não serão suficientes para tornar a cúpula um sucesso. Ela vai insistir para que algo concreto saia dali.

Merkel bei Obama 09.02.2015

Merkel e Obama vão tomar café da manhã juntos

Quanto ao tema da proteção climática, ainda não se sabe se será adotado o objetivo de limitar o aquecimento global a 2°C. Para tal, a emissão de gases do efeito estufa teria que ser reduzida drasticamente. A Alemanha pretende diminuir as suas emissões de CO2 em 40% até 2020, tendo como referência o ano de 1990. Para os outros países, isso parece um objetivo ambicioso demais. Mesmo assim, a chanceler federal espera dos países industrializados um papel de precursor e um sinal positivo com vista à conferência sobre o clima no fim do ano em Paris.

Segundo Claudia Schmucker, do instituto alemão DGAP, somente se forem alcançados objetivos concretos pode-se justificar o grande esforço feito a cada ano para que os chefes de governo e Estado dos países do G7 se encontrem oficialmente.

Desde a crise econômica e financeira mundial, o grupo das 20 principais economias do planeta, com potências econômicas emergentes como China, Índia e Brasil, tem ganhado cada vez mais importância. "O G7 ainda é importante", afirmou Schmucker. "Mas somente resultados com base em valores comuns podem poupar a cúpula de se tornar insignificante."

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