Günter Behnisch, arquiteto do Estádio Olímpico de Munique, morre aos 88 anos | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 13.07.2010
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Cultura

Günter Behnisch, arquiteto do Estádio Olímpico de Munique, morre aos 88 anos

Günter Behnisch, um dos arquitetos mais importantes da Alemanha pós-guerra, faleceu aos 88 anos. Em 1972, Behnisch ganhou fama mundial com o Estádio Olímpico de Munique. Seus projetos se tornaram símbolo de democracia.

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Behnisch fez da transparência uma premissa

Considerado por muitos a principal estrela da arquitetura moderna da Alemanha pós-guerra, o arquiteto Günter Behnisch faleceu nesta segunda-feira (12/07), aos 88 anos, em sua casa em Stuttgart.

Nascido em Dresden, Behnisch se estabeleceu em Stuttgart após sofrer, como tantos outros alemães, as conseqüências da Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, ele fez parte da tripulação de um submarino como um dos oficiais mais jovens da Marinha de Hitler.

Após ser prisioneiro em um campo na Inglaterra, o futuro arquiteto voltou em 1947 ao seu país de origem, destruído pelas bombas. Em Stuttgart, Behnisch estudou Arquitetura e, nos anos 1950, abriu um escritório com dois outros colegas.

Olympia: Olympia-Gelände in München

Em Munique, Behnisch integrou arquitetura na paisagem

Associação democrática

Continuando a tradição iniciada por arquitetos modernistas como Mies van der Rohe, Günter Behnisch fez da transparência a marca registrada de sua arquitetura. Considerada obra de "comunistas e judeus" pelos adeptos de Hitler, a arquitetura moderna fora banida já no início dos anos 1930 da Alemanha.

Por negar a monumentalidade, o modernismo arquitetônico teve pouca utilidade para regimes ditatoriais. Embora os edifícios residenciais da chamada arquitetura social tenham se espalhado tanto em países ocidentais quanto em países comunistas, após a Segunda Guerra a ideia do modernismo sempre foi associada à democracia.

A arquitetura de Behnisch também não foi diferente. Rejeitando sistemas fechados, volumes pesados, eixos demasiadamente longos e a simetria extrema, seus projetos receberam a alcunha de "construções para a democracia".

O próprio Behnisch, todavia, tratava esse conceito com bastante cautela. "Eu não gosto muito da designação. A palavra pode ser facilmente levada para o ridículo". A democracia impregnava muito mais a sua vida, explicava o arquiteto.

Flash-Galerie Stuttgart Hysolar-Institut

Insituto Hysolar em Stuttgart: traços deconstrutivistas

Fama mundial

Em 1972, com a construção do Estádio Olímpico de Munique, Behnisch ganhou fama internacional do dia para a noite. As estruturas de redes de cabos e membranas já haviam chamado atenção mundial no Pavilhão Alemão projetado por Frei Otto para Exposição Universal de Montreal, em 1967.

Juntamente com Otto, Günter Behnisch transformou, entre 1968 e 1972, o Estado Olímpico de Munique em um projeto paisagístico marcado por morros e lagos, fazendo uma clara oposição ao Estádio Olímpico de Berlim, de 1936, e à clássica arquitetura dos rituais de competição.

Assim como Mies van der Rohe, Behnisch defendia que a arquitetura deveria servir à humanidade. As pessoas deveriam habitar a arquitetura e não ser dominadas por ela. Para ele, prédios como o Reichstag em Berlim eram um "monstro", um modelo da "arquitetura do poder guilhermino", explicava.

Flash-Galerie Bonn Bundeshaus Neuer Plenarsaal 1993

Plenário do antigo Parlamento alemão em Bonn

Para além do modernismo

Com a integração da arquitetura na paisagem e a transformação do invólucro arquitetônico em membranas suspensas com revestimento acrílico, Behnisch foi mais além do que Mies van der Rohe e resgatou, no Estádio Olímpico de Munique, aspectos da arquitetura moderna alemã perdidos durante o desenvolvimento da Bauhaus em prol da indústria.

A arquitetura de Behnisch era transparente e sem ornamentos. Paredes eram na maioria das vezes dispensáveis. Evitando revestimentos e forros, Behnisch tornava visíveis os materiais e os elementos de sua arquitetura.

Em projetos como o prédio do Instituto Hysolar em Stuttgart, de 1987, e o plenário do antigo Parlamento alemão em Bonn, de 1992, o modernismo de Behnisch assumia aspectos quase deconstrutivistas, mas sempre com a premissa de o ser humano não ser dominado pela arquitetura.

Transparência democrática

Akademie der Künste Berlin Flash-Galerie

Fachada da Academia das Artes provocou controvérsia em Berlim

No antigo plenário do Parlamento em Bonn, a profusão de detalhes não compromete, em nenhum momento, a transparência democrática que exala a assembleia. Em um de seus últimos grandes projetos, o prédio da Academia das Artes de Berlim, construído juntamente com Werner Durth entre 1999 e 2005, Behnisch continuou fiel à transparência de sua arquitetura.

Ainda na fase de projeto, houve discussões com as autoridades do Planejamento Urbano de Berlim, porque as diretrizes para a construção naquele local histórico da capital alemã (entre o Hotel Adlon e a Embaixada dos Estados Unidos) não previa nenhuma fachada high-tech totalmente transparente.

Defendendo seus princípios, Behnisch declarou em entrevista que não chegou "nem mesmo a cogitar a ideia de fazer uma fachada em pedra". "Não queríamos despertar nenhuma associação com a pretensão da arquitetura de Hitler e da arquitetura guilhermina."

Autor: Carlos Albuquerque

Revisão: Simone Lopes

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