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Mundo

Futuro premiê da Índia tem trajetória marcada por êxitos e controvérsias

Polarizador, Narendra Modi é criticado pela oposição como autoritário e exaltado por seus partidários como um líder pragmático. Seu principal mérito foi capitalizar descontentamento com corrupção e problemas econômicos.

No dia 27 de fevereiro de 2002, no estado de Gujarat, no oeste da Índia, um misterioso incêndio em um trem com dezenas de peregrinos hindus deixou 58 mortos. O incidente, juntamente com relatos na imprensa de que o fogo teria sido iniciado por ativistas muçulmanos, deu início a um dos piores episódios de violência religiosa da história recente do país, causando a morte de cerca de 790 muçulmanos e 254 hindus.

A onda de violência causou danos à imagem de Narendra Modi, que governava o estado desde 2001. Ele é acusado de não interferir para por fim à barbárie. No entanto, após as últimas eleições parlamentares, que resultaram em uma

vitória avassaladora

da sua coalizão, ele está prestes a se tornar o novo primeiro-ministro da Índia.

Nascido em uma família de classe média, Modi estudou Ciências Políticas na Universidade de Gujarat. Por muitos anos, atuou como propagandista da organização radical hindu RSS, que defende uma ideologia nacionalista, antes de se juntar, em meados dos anos 1980, à agremiação direitista hindu Partido do Povo Indiano (BJP).

Bildergalerie Indien Wahlen 30.04.2014

Seus oponentes o qualificam como "autoritário", enquanto seus apoiadores dizem que ele é "decisivo"

Após conseguir se promover dentro da hierarquia do partido, Modi se tornou, em outubro de 2001, o governador de Gujarat apenas alguns meses antes das revoltas religiosas. Organizações de direitos humanos o acusam de não agir para defender as minorias. Seus adversários políticos e algumas ONGs o qualificaram como "nacionalista hindu" e "antimuçulmano", o que fez com que se tornasse um dos políticos mais controversos do país. Modi sempre rejeitou essas acusações.

Êxito na política econômica

Milan Vaishnav, especialista da ONG Carnegie Endowment for International Peace, lembrou, em entrevista à DW, que uma investigação realizada por uma equipe nomeada pela Suprema Corte da Índia o inocentou de ter cometido qualquer delito durante as revoltas em Gujarat. "Mas o veredicto jamais bastou para silenciar seus críticos. Até hoje, eles o responsabilizam pela violência sectária de 2002", diz Vaishnav.

Seu estilo de governar também é bastante controverso, e lhe rendeu fortes críticas nos últimos dez anos. Seus oponentes o qualificam como "autoritário", enquanto seus apoiadores dizem que ele é "pragmático", elogiando o sucesso de sua política econômica que fez com que Gujarat ficasse entre os estados indianos com maior crescimento.

"Ele atraiu muitos investimentos nacionais e estrangeiros a Gujarat. Ele proporcionou um ambiente livre de corrupção e ganhou a fama de tomar decisões rápidas ao conceder licenças para investidores e produtores", diz o economista e jurista Jagdish Bhagwati, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

De fato, entre 2000 e 2013, Gujarat recebeu cerca de 8 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros, atingindo quase 4% do total de investimentos estrangeiros em todo o país. Críticos afirmam que o crescimento econômico não resultou em desenvolvimento humano e social, já que era voltado apenas para a infraestrutura e não para a educação ou saúde.

No entanto, Bhagwati diz que Modi realizou progressos extraordinários no que diz respeito aos indicadores sociais, como a redução da pobreza e a alfabetização. Em sua gestão, muitos vilarejos receberam acesso à rede elétrica, por exemplo.

Ministerpräsident des indischen Bundesstaats Gujrat und BJP-Politiker Narendra Modi

Modi em campanha em Gujarat, estado que governou por mais de dez anos

No período de 2011 a 2012, o PIB do estado cresceu 8,5%, enquanto a economia da Índia ficou entre 5% e 6%. O desempenho econômico de Gujarat ajudou a promover a imagem de Modi em todo o país.

Constrangimentos ao Ocidente

O líder oposicionista também se beneficiou dos escândalos de corrupção no alto escalão do governo, que contribuíram para aumentar o descontentamento da população com a coalizão liderada pelo Partido do Congresso Indiano.

Sua mensagem de uma recuperação viável da economia do país parece ter convencido a maioria dos eleitores a remover a confiança depositada no Partido do Congresso, manchado pelos escândalos de corrupção.

A vitória da coalizão liderada pelo BJP deixa alguns países ocidentais, principalmente os EUA, em uma situação um tanto constrangedora. Após os distúrbios de 2002, o governo americano, assim com o da Alemanha e do Reino Unido, cancelaram seus contatos com Modi e até proibiram a sua entrada em seus territórios.

O Congresso dos EUA aprovou uma resolução condenando o então governador de Gujarat pelo seu papel no massacre, acusando-o de possuir uma "ideologia nazista" e de espalhar o "ódio racial". Nos últimos anos, vários países desistiram de boicotar o líder do BJP.

Os EUA não terão outra escolha, senão permitir a entrada do futuro premiê indiano no país, explica o especialista Milan Vaishnav. Ele afirma que o governo Barack Obama deverá rever sua posição, levando em conta os laços diplomáticos, econômicos e de segurança entre a Índia e os EUA.

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