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Mundo

Futuro da UE nas mãos dos irlandeses

A classe européia advertiu os irlandeses a ratificarem o Tratado de Nice, neste sábado. Uma segunda rejeição geraria uma crise profunda no continente, pois impediria o ingresso de dez países na União Européia.

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Cartazes em Dublin pró e contra o Tratado de Nice

Os outros 14 países-membros já ratificaram o acordo que estabelece as condições para a ampliação da UE. Mas se os eleitores da Irlanda repetirem o seu "não" de junho de 2001, os 15 membros da comunidade européia ficarão impedidos, na sua conferência de cúpula de Copenhague, em dezembro, de integrar dez países do Leste Europeu, 13 anos depois da queda do Muro de Berlim e de 50 anos sob o jugo do comunismo.

O primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, fez uma apelo dramático para os seus compatriotas aprovarem o tratado neste sábado. "Este é um dia histórico não só para nós, mas para toda a Europa", argumentou ele.

"A reputação da Irlanda está em jogo", advertiu o presidente do Parlamento Europeu, o irlandês Pat Cox. Mas as maiores conseqüências de um novo "não" dos irlandeses recairiam, segundo ele, sobre o maior desafio da UE: a sua ampliação. Pois em dezembro de 2002, os 15 chefes de Estado e de governo deixaram muitas questões em aberto para os tempos depois da entrada de outros países.

Conseqüências imprevisíveis - O comissário competente para questões da ampliação, o alemão Günter Verheugen, não saberia dizer se uma nova rejeição irlandesa seria uma catástrofe, mas garante que seria "um problema gravíssimo, com conseqüências imprevisíveis". O problema é que sem a ratificação do Tratado de Nice faltariam as condições internacionais para a ampliação da UE.

Otimismo em Bruxelas - A despeito dos 20% de eleitores indecisos na Irlanda, há otimismo em Bruxelas. O presidente da Comissão Européia (órgão executivo da UE), Romano Prodi, diz que não existe um plano alternativo para um eventual novo "não" dos irlandeses. "Não temos uma estratégia política para depois de uma rejeição. Mas estou confiante que o tratado será aprovado", disse o italiano. Motivo do seu otimismo: "Não houve grande discussão na Irlanda antes do primeiro referendo, nem preparativos, mas agora os irlandeses entendem quanto é importante a sua decisão".

De fato, o governo irlandês aprendeu com a derrota de um ano atrás e desta vez realizou uma campanha de esclarecimento sobre o Tratado de Nice, no valor de oito milhões de euros. Além disso, os defensores da ampliação da UE gastaram mais 1,5 milhão de euros noutra campanha eleitoral para o plebiscito deste sábado. Os adversários investiram menos de 200 mil euros.

Plano alternativo

Embora Romano Prodi e outros políticos europeus desmintam, é muito provável que exista um plano alternativo para o caso de um novo "não" dos irlandeses. Pelo menos é o que garante Christian Kirschbaum, o encarregado para as questões da Polônia na equipe do comissário da ampliação Verheugen. Ele admite que um novo fracasso do referendo atrasaria a conclusão das negociações, mas não impediria o ingresso dos dez candidatos na UE, porque já existiria um "plano B" na gaveta.

Com o plano alternativo mencionado por Kirschbaum, as mudanças institucionais seriam separadas em cada acordo de adesão à UE. Mas tem outro porém: os futuros acordos de adesão terão de ser ratificados pelos atuais membros da União Européia, inclusive o povo irlandês. Os dez candidatos à União Européia, Polônia, República Tcheca, Hungria, Eslovênia, Lituânia, Letônia, Estônia, Eslováquia, Malta e Chipre, podem confiar nos países-membros, segundo Krischbaum.