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Copa do Mundo

Futebol aliado à cultura na Copa 2006

Volker Bartsch é responsável pela Fundação Cultural da Federação Alemã de Futebol que organiza a agenda cultural para a Copa 2006. Em entrevista à DW-WORLD, ele fala sobre a programação.

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A Copa do Mundo 2006 na Alemanha não será um evento restrito à arte do futebol em campo. A proposta é apresentar aos fãs deste esporte a diversidade cultural do país e mostrar que é possível aliar futebol e arte em um único e grandioso evento mundial.

Para tanto, a Fundação Cultural da Federação Alemã de Futebol (DFB) assumiu a responsabilidade pela agenda cultural. Sob o comando de Volker Bartsch, 57 anos, foram desenvolvidos cerca de 40 projetos. Em entrevista para a DW-WORLD, ele fala sobre seu trabalho e expectativas com relação à Copa na Alemanha.

DW-WORLD: Quem está por trás da Fundação Cultural da DFB e quais são suas metas?

Volker Bartsch: Estão por trás desde Franz Beckenbauer, passando pelo chancheler alemão, até a DFB e a Fifa, enfim, todos que estão ligados de uma forma ou outra a este campeonato. Um belo dia se chegou à seguinte conclusão: não vamos apresentar apenas futebol, mas aliar o esporte à cultura, diversidade e criatividade. Iremos fazer algo inédito, que é inserir uma programação cultural e artística em um evento deste porte. Finalmente, o Ministério alemão das Finanças desponibilizou 30 milhões de euros, possibilitando assim o início dos trabalhos há um ano e meio. Primeiramente colocamos em prática uma idéia do artista André Heller, que também é curador da programação. Trata-se de um globo em forma de bola [uma instalação multimídia sobre o mundo do futebol]. Somando tudo, são cerca de 40 projetos diferentes, incluindo alguns que foram bem onerosos, mas também outros de menor porte, com custo mais baixo.

Como você pretende implantar o lema da Copa "O mundo entre amigos?"

Muitos sabem que a Alemanha tem bastante a oferecer de um canto a outro do país. Nós queremos também dar um impulso interno para que as coisas sejam tratadas de forma menos rígida, com criatividade, gentileza e calma. Nós não temos a mentalidade de um brasileiro ou de um italiano, mas se pudermos contribuir para que durante a Copa, quando teremos muitos estrangeiros no país, uma parte dos alemães consiga ser mais receptivo e descontraído, isso seria muito bom.

É possível evitar tumultos durante os jogos com uma programação cultural?

Esta é uma pergunta difícil. Por um lado, queremos despertar a atenção dos fãs de futebol para a cultura, inclusive na próxima temporada do Campeonato Alemão. Por outro lado, pretendemos atingir também intelectuais e pessoas ligadas à arte para que olhem para o mundo do futebol, que não é apenas um esporte do povão. Almejamos chegar a estes dois grupos. Eu lamento muito que existam hooligans e outros agitadores dentro do futebol. Mas não será, com certeza, através de uma agenda cultural e artística que iremos controlar este tipo de comportamento.

Como será a divulgação da programação cultural da Copa 2006 dentro dos estádios?

Durante o intervalo de um jogo, por exemplo, vamos passar no telão pequenos trechos de filmes como os que participaram da Berlinale [Festival Internacional de Cinema de Berlim]. O locutor também fará divulgação de determinados eventos culturais. Isso com certeza vai contribuir para despertar o interesse de um ou outro espectador, que de outra forma não teria conhecimento da programação cultural.

Quais são as próximas grandes etapas da programação cultural da DFB rumo à Copa 2006?

No dia 9 de junho, exatamente um ano antes da abertura da Copa, faremos a apresentação oficial da nossa agenda cultural para a imprensa, com a presença de Franz Beckenbauer, Otto Schily [ministro do Interior] e André Heller. Durante a Copa das Confederações, será realizado um concerto de gala matinal no dia 19 de junho na Ópera de Frankfurt, com a Filarmônica das Nações. São 70 músicos de 50 países, em resumo, o mundo entre amigos.

À noite, jogam Grécia contra Japão. Nós teremos a presença de um violoncelista japonês neste concerto, que está em plena ascensão, bem como de músicos gregos. Personalidades do mundo futebolístico irão assistir ao concerto. Um campeonato de futebol atrelado a um concerto, é isto que queremos cultivar. Outro evento importante será a inauguração em outubro de uma exposição em Berlim.

Seu interesse é maior pela cultura ou pelo futebol?

Os dois. Eu sempre gostei de futebol, tenho inclusive lembranças vagas da Copa de 1954 [realizada na Alemanha], quando era garoto. Já fui várias vezes ao estádio. Por causa da minha atividade profissional no setor de cultura, acabei me aproximando muito da arte. Eu diria o seguinte: É possível uma vida sem futebol e cultura? Sim, mas seria sem graça.

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