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Ciência e Saúde

Fundador do Slow Food critica agricultura brasileira na Rio+20

Movimento fundado em 1986 é contra "fast food", uso de transgênicos e agricultura intensiva. Fundador Carlo Petrini critica Incentivo brasileiro aos grandes produtores.

O italiano Carlo Petrini está tendo dificuldades para se alimentar no centro de conferências Riocentro, onde os principais eventos da Rio+20 acontecem. “A comida aqui é horrível”, reclama. Ele fundou em 1986 o movimento Slow Food, que se opõe à padronização trazida pela fast food, ao desaparecimento das tradições culinárias regionais, e que quer mostrar como a escolha alimentar pode afetar o mundo.

Petrini viajou até o Rio de Janeiro para denunciar o sistema de agricultura intensiva, que ele tacha de "criminoso", e criticou o Brasil pelo uso de transgênicos e o incentivo aos grandes produtores.

Deutsche Welle:Que sugestões o movimento Slow Food traz à Conferência das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável?

Carlo Petrini:O Slow Food é estratégico para a mudança. Isso significa que um novo modelo alimentar pode mudar a situação desastrosa do ecossistema. Mudar modelos, trabalhar com pequenos produtores, defender a ética na agricultura, trabalhar contra o uso de químicos e pesticidas, construir mercados para os pequenos produtores, construir hortas nas escolas para a educação das crianças. Tudo isso é um grande movimento que muda fundamentalmente a realidade.

Os governos estão ouvindo esse apelo?

Não o suficiente. É preciso muito mais responsabilidade. Em particular o governo brasileiro, que faz muito pela agricultura familiar, mas faz muito pela agricultura intensiva. Isso é um pouco equivocado, não?

Eu penso que o governo deva abandonar [o incentivo] à agricultura intensiva, abandonar a monocultura, abandonar as sementes geneticamente modificadas e trabalhar mais pela agricultura orgânica, o pequeno produtor e a agricultura familiar.

Por que esse movimento, fundado na Itália em 1986, conseguiu atrair tantos adeptos?

Logo do Slow Food

Logo do Slow Food

Porque eles querem mudar o sistema de alimentação. Porque esse sistema atual é criminoso: ele destrói o meio ambiente, destrói a vida do pequeno produtor, consome água demais, destrói a biodiversidade.

Com base nos fundamentos do Slow Food, há como produzir comida para a atual população mundial, de 7 bilhões, com perspectiva de chegar aos 9 bilhões até 2045?

Sim! Neste momento nós produzimos comida para 12 bilhões de pessoas. Isso significa que existe 45% de desperdício. Isso é um absurdo! Não precisamos produzir mais para aumentar o desperdício. É preciso acabar com o desperdício.

Entrevista: Nádia Pontes, do Rio de Janeiro
Revisão: Augusto Valente

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