Fundador de empresa de implantes mamários PIP é preso na França | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.01.2012
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Mundo

Fundador de empresa de implantes mamários PIP é preso na França

Jean-Claude Mas, fundador da PIP, foi detido no sul da França sob as acusações de homicídio culposo e lesão corporal. Empresa vendeu mais de 400 mil próteses em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Silicone industrial foi usado em próteses mamárias

Silicone industrial foi usado em próteses mamárias

Foi preso na manhã desta quinta-feira (26/01) Jean-Claude Mas, fundador da Poly Implant Prothese (PIP). A empresa está envolvida em um escândalo internacional por utilizar silicone de baixa qualidade em suas próteses mamárias.

O fundador da PIP, Jean-Claude Mas

O fundador da PIP, Jean-Claude Mas

Ele ficará detido por 48 horas enquanto os investigadores e a Promotoria Pública decidem se vão acusá-lo ou não por homicídio culposo e lesão corporal. Outro executivo da PIP, o ex-chefe do setor financeiro Claude Couty, também foi preso nesta manhã.

Diversos executivos da PIP já haviam sido convocados para comparecer a um tribunal em Marselha em outubro deste ano por acusações de fraude e transações comerciais enganosas. A PIP já foi a terceira maior empresa de implantes mamários do mundo.

Suspeita de câncer

Cerca de 2,7 mil mulheres na França prestaram queixa contra a PIP. Autoridades de saúde no país, onde aproximadamente 30 mil mulheres têm implantes da empresa, declararam que as próteses apresentam alta taxa de ruptura e podem causar inflamações. Houve denúncias também em outros países, inclusive na Alemanha.

O inquérito foi aberto após a morte por câncer de uma mulher com implantes da PIP, em 2010. Outras 20 mulheres vítimas de câncer na França tinham implantes da mesma firma. Apesar disso, as autoridades de saúde francesas e de outros países enfatizaram que não há nenhuma ligação comprovada entre o câncer e os implantes da PIP.

Retirada dos implantes

Mais de 400 mil próteses da PIP foram vendidas

Mais de 400 mil próteses da PIP foram vendidas

Philippe Courtois, que representa um grupo de 1,3 mil clientes com implantes da PIP, declarou que foi vital que Mas não tenha escapado da Justiça. "É um alívio para as vítimas", disse também Laurent Gaudon, cujas clientes acusam de fraude a empresa e os cirurgiões que utilizavam seus implantes. "É uma sensação que justiça esteja sendo feita e que as vítimas não foram esquecidas. Uma garantia que os culpados vão finalmente ser responsabilizados", completou.

A PIP fechou suas portas em 2010, depois que as autoridades descobriram que a empresa utilizada silicone industrial não apropriado para o uso médico. Em dezembro de 2011, o governo francês aconselhou as mulheres com implantes da PIP a removê-los, o que causou preocupação ao redor do mundo.

Mulheres na Alemanha, Holanda e Republica Tcheca também foram aconselhadas a remover seus implantes. Já no Reino Unido e no Brasil, quem tem implantes da empresa deve checar a condição das próteses com seus médicos.

Mentiroso e arrogante

Mas admitiu à policia que três quartos das próteses produzidas pela PIP continham silicone de baixa qualidade e que ele tinha conhecimento do fato, mas acreditava que isso não constituía um risco para a saúde das pacientes.

No começo de janeiro, vazamento de documentos da polícia mostravam que ele mentiu sobre a má qualidade dos implantes da PIP e declarou que as mulheres que prestaram queixa estavam apenas atrás de dinheiro, o que gerou uma repercussão furiosa na França.

O escândalo provocou um debate na Europa sobre a segurança de dispositivos médicos. A União Europeia está avaliando se as regras vigentes são suficientemente rígidas.

Calcula-se que mais de 400 mil próteses da PIP foram vendidas para mulheres em todo o mundo, a maioria delas na Europa Ocidental e na América Latina.

MAS/reuters/dpa/afp
Revisão: Carlos Albuquerque

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