1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Fundações alemãs acusadas de espionagem na Turquia

As fundações dos grandes partidos da Alemanha serão processadas pela Justiça militar da Turquia por espionagem e separatismo. Atrás do processo podem estar as crescentes forças anti-européias.

default

Muçulmanas a caminho das urnas nas eleições de 1999 na Turquia

Os representantes, na Turquia, das Fundações Friedrich-Ebert (social-democrata), Heinrich-Böll (verde), Konrad-Adenauer (democrata-cristã) e Friedrich-Naumann (liberal), bem como do Orient-Institut, estão ameaçados de 8 a 15 anos de prisão.

São graves as acusações contra eles, formalizadas na manhã desta sexta-feira (25), em Ancara, pelo procurador-geral da República, Nuh Mete Yüksel. As quatro fundações e o instituto teriam desenvolvido atividades com parceiros turcos dirigidas contra a integração do país e o Estado. O Estado é laico na Turquia, que tem grande população muçulmana e várias minorias étnicas.

A acusação de atividades de espionagem, vista como absurda por amplos círculos tanto na Alemanha como na Turquia, foi fundamentada pelo procurador-geral como uma violação do Código Penal. A imprensa turca divulgou uma lista de 15 acusados. O Ministério das Relações Exteriores em Berlim confirmou a apresentação da queixa à Justiça militar, mas mostrou confiança de que as acusações se revelarão insustentáveis durante o processo.

Separatismo curdo - As fundações alemãs vinham sendo acusadas há meses, mas de forma generalizada, sem nada de concreto, segundo Wolf Schönboom, da Fundação Konrad-Adenauer. Mas agora a questão ficou séria. Conforme a queixa-crime apresentada à Justiça militar, as organizações teriam fomentado o separatismo, o crime da maior gravidade na Turquia. Schönboom acha que "isto é bobagem", mas confirma, ao mesmo tempo, que sua fundação cooperou com pessoas que querem fazer avançar o processo de reforma na Turquia.

A cooperação alemã desagrada muita gente, como Necip Hablemetoglu, autor do livro As Fundações Alemãs e o Dossiê Bergama, editado em 2001. Ele defende a tese de que as fundações seriam organizações secretas que contribuem para minar o Estado turco, na medida em que apóiam minorias étnicas, sobretudo a curda. A luta do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pela criação de um Estado curdo na Turquia custou a vida mais de 30 mil pessoas nos combates com as tropas governamentais.

Extração de ouro – O escritor também afirma que as fundações alemãs infiltraram-se nas organizações ambientalistas turcas, a fim de acabar com a extração de ouro pelo Estado turco, na região de Bergama, que consideram altamente prejudicial ao meio ambiente.

Forças anti-européias - Para Hans Schumacher, da Friedrich-Ebert, esses não seriam os verdadeiros motivos para a ação na Justiça militar: "Isto é apenas um instrumento e a meta é atingir as pessoas que lutam para a Turquia ingressar na União Européia e querem fazer isso com reformas". Este ponto de vista foi defendido também pelo jornal turco Radikal em sua edição desta sexta-feira (25). Para o Radikal, não é por acaso que na atual fase de maior aproximação da Turquia à União Européia surjam ações estranhas de anti-europeus, para minar os esforços de integração do país na comunidade européia.

A Turquia é único candidato que ainda não foi convidado a iniciar as negociações para ingressar na UE. Ancara espera receber o convite da cúpula dos 15 países-membros em sua conferência de dezembro, em Copenhague. O governo alemão insiste junto aos demais parceiros na UE para darem uma perspectiva clara rapidamente a Ancara, mas a palavra de ordem em Bruxelas ainda é aguardar a implantação das reformas políticas e o resultado das eleições turcas previstas para o final de novembro. O Parlamento turco baniu a pena de morte, mas a UE considera que o herdeiro do Império Otomano ainda tem que avançar muito na questão dos direitos humanos.