Fronteira afegã-paquistanesa é ″berço″ da maioria dos ataques terroristas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 03.05.2011
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Mundo

Fronteira afegã-paquistanesa é "berço" da maioria dos ataques terroristas

Quase sempre que o terrorismo islâmico ameaça a Europa, pistas levam à área de fronteira entre os dois países asiáticos. "Zona franca" para talibãs e Al Qaeda remonta ao 11 de Setembro e desafia comunidade internacional.

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Também o Paquistão é vítima de atentados, como este ocorrido em dezembro de 2010

O líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, foi morto durante uma operação das Forças Armadas norte-americanas e paquistanesas, neste domingo (01/05), em Abbottabad, no norte do Paquistão. Justamente nessa região no norte da fronteira entre o país e o Afeganistão localizam-se diversos campos de treinamento de terroristas.

Aqui foi gravado, por exemplo, o vídeo que fez tremer a Alemanha no início de 2010. Em idioma alemão, dois homens conclamavam a atos terroristas: "Decidam-se, finalmente, pela vida após a morte", era a mensagem central. Ao que tudo indica, sempre que o terrorismo ameaça a Europa, as pistas levam até essa região da fronteira afegã-paquistanesa.

Terroristas sob proteção

O politólogo paquistanês Ahmed Rashid reforça essa impressão. "Quase todos os incidentes terroristas mais recentes, em todo o mundo, partiram da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. Mais cedo ou mais tarde, todos os envolvidos visitam o Paquistão, e alguns entram em contato com a Al Qaeda."

Não são poucos os que classificam essa área como "o local mais perigoso do mundo". É uma fronteira que, aliás, só existe no papel, pois os combatentes talibãs e da Al Qaeda parecem trafegar livremente entre os dois países.

A impressão é de que terroristas e talibãs estejam sob proteção nesse território. Rashid explica as raízes históricas dessa situação:

"Está tudo relacionado ao ano 2001, quando os membros do talibã no Afeganistão e da Al Qaeda fugiram para o Paquistão. Eles nunca foram vencidos pelos norte-americanos, mas buscaram refúgio no Território Federal das Áreas Tribais. Essas regiões se radicalizaram, lá circula muito dinheiro da Al Qaeda."

"Limpeza" duvidosa

A fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão tem 2 mil quilômetros de extensão. A região é árida, de difícil acesso e controle. Repetidamente ouvem-se notícias de europeus – também alemães – que se submetem a treinamento nos campos terroristas.

Pakistan Terror Haus von Osama bin Laden in Abbottabad

Casa em Abottabad onde Osama bin Laden vivia há anos

Porém nos últimos tempos algo mudou na política paquistanesa. São realizadas prisões, o Exército investe com maior rigor contra os extremistas nas Áreas Tribais e "limpou" – como reza o jargão militar – o mal afamado sul do Waziristão.

Mas as dúvidas permanecem. Recentemente, o assessor de segurança do governo afegão, Rangin Dadfar Spanta, afirmou numa entrevista: "Jamais teremos sucesso se não combatermos o berço do terrorismo".

A principal acusação dos meios de segurança é de que o Exército do Paquistão agiria de forma drástica contra os talibãs paquistaneses – que ameaçam seu próprio país –, enquanto poupa os afegãos – que talvez ainda lhe venham a ser úteis como aliados.

Sucessores a postos?

Há já algum tempo, os Estados Unidos decidiram não mais confiar inteiramente no Paquistão, seu parceiro de aliança, mas sim nas próprias forças. Com veículos aéreos não tripulados e aviões controlados à distância, os militares dos EUA tentam tirar de circulação especificamente os principais terroristas.

Para o especialista em segurança paquistanês Talat Masood, os veículos não tripulados representam um problema moral, legal e de soberania nacional, colocando o Paquistão diante de um dilema. "Os militantes utilizam os ataques para a própria propaganda, e isso resulta num forte antiamericanismo", comenta.

Nas últimas semanas, o número dos ataques por veículos não tripulados voltou a crescer. Aparentemente também com o propósito de neutralizar os planos de atentados terroristas contra a Europa. De fato, no passado os EUA conseguiram por diversas vezes eliminar extremistas de alto escalão.

A questão é se, a longo prazo, essa eliminação enfraquece as fileiras dos radicais islâmicos, ou se não haveria suficientes sucessores a postos, cada um deles apenas esperando para se tornar o próximo chefão do terrorismo.

Autor: Kai Küstner (av)
Revisão: Alexandre Schossler

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