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Alemanha

"Fraude Eleitoral" fica para depois

A coalizão de governo alemão paralisou, por enquanto, uma Comissão Parlamentar de Inquérito de natureza inédita: investigar as promessas eleitorais do chanceler federal, Gerhard Schröder, e de membros do seu gabinete.

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Plenário do Bundestag

Numa atmosfera hostil no Parlamento em Berlim e na opinião pública em geral, a maioria social-democrata (SPD) e Verde conseguiu rejeitar a CPI proposta pelos partidos de oposição que derrotara na eleição de setembro, a União Democrata-Cristã (CDU) e Social-Cristã (CSU). Os governistas submeteram os requerimentos dos oposicionistas conservadores à Comissão de Regulamento da câmara baixa do Legislativo (Bundesrat), para que seja examinada a constitucionalidade da chamada "Comissão da Fraude Eleitoral". O Partido Liberal apóia a criação da CPI.

O Partido Social Democrático (SPD), presidido pelo chefe de governo, quer também complementar a proposta da oposição e convocar para depor, entre outros, o candidato a chanceler derrotado Edmundo Stoiber. A decisão da Comissão de Regulamento é esperada para o início do próximo ano. É incerto que a coleta de provas comece antes das eleições parlamentares nos Estados alemães Hessen e Baixa Saxônia, em 2 de fevereiro.

Manobra de protelação?

No segundo dia consecutivo de troca de acusações e desaforos no debate parlamentar em Berlim, a oposição acusou a situação de apelar para uma tática de protelamento. Os governistas, por sua vez, viram a iniciativa da oposição como um questionamento do resultado da eleição de 22 de setembro. Neste pleito, a coalizão de Schröder conquistara seu segundo mandato consecutivo de quatro anos, mas com uma diferença ínfima de votos.

As legendas irmãs CDU e CSU querem apurar se membros do governo passaram ao Parlamento e à população informações falsas sobre o déficit orçamentário, a situação financeira dos seguros de saúde e de aposentadoria, bem como sobre o cumprimento dos critérios de estabilidade do euro. O encaminhamento da proposta de criação da "Comissão da Fraude Eleitoral" à Comissão de Regulamento foi antecedido por um debate acalorado. Oradores governistas acusaram a oposição de hipocrisia e também de ter feito falsas promessas eleitorais.

Prestígio em baixa

Os motivos que levaram a oposição a propor a "Comissão da Fraude Eleitoral" são praticamente os mesmos que provocaram a queda vertical da popularidade do chanceler federal. Nunca o prestígio de um chefe de governo caiu tão rápido depois de uma vitória eleitoral, como o do atual. Pouco mais de dois meses depois da eleição, a coalizão de Schröder conta com apenas 30% das preferências de voto. Se a eleição fosse neste fim de semana, a oposição cristã-democrata e liberal sairia vitoriosa, com grande folga.

A razão dessa inversão no índice das preferências de voto é a decepção dos eleitores com a real situação das finanças públicas e suas prováveis conseqüências para o bolso do contribuinte. Ao contrário das expectativas alimentadas na campanha eleitoral, o governo anunciou aumento de impostos, a taxa de desemprego aumentou em novembro de 9,1% para 9,3% e diminuiu ainda mais a perspectiva de um revigoramento do sistema de seguridade social. Pelo contrário, o governo anunciou mais cortes na rede social.