Francês admite ter fabricado próteses de silicone com gel mais barato | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.01.2012
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Francês admite ter fabricado próteses de silicone com gel mais barato

Em depoimento, Jean-Claude Mas afirma que o gel caseiro usado por ele na fabricação de próteses de silicone não oferece riscos à saúde. "Eu sabia que não era homologado, mas era mais barato e de melhor qualidade."

default

Jean-Claude Mas não deu sinais de arrependimento

O fundador da empresa francesa Poly Implant Prothese (PIP), Jean-Claude Mas, 72 anos, admitiu para a polícia ter usado conscientemente material não autorizado pelas autoridades de saúde para fabricar próteses de silicone mamáreo. Ele afirmou, no entanto, que o material não oferecia riscos à saúde.

"Eu sabia que esse gel não era homologado, mas eu o usei conscientemente porque o gel PIP era mais barato e de bem melhor qualidade", afirmou, segundo ata do interrogatório policial de outubro passado ao qual a agência de notícias francesa AFP teve acesso.

Segundo o próprio Mas, ele orientava seus funcionários a driblar a fiscalização da Associação de Controle Técnico da Alemanha (TÜV), que atesta a qualidade dos produtos. "O TÜV avisava sobre a visita dez dias antes", explicou o fundador, afirmando ter dado ordens nesse sentido já em 1993.

O francês disse que 75% das próteses eram feitas com gel de silicone mais barato, feito em casa. Apenas um quarto usava o gel autorizado, da marca americana Nusil. De acordo com o ex-técnico da PIP Thierry Brinon, a prática começou em 2001.

A diferença de preço, segundo Brinon, era gritante: enquanto o gel autorizado custava 35 euros por litro, o material fabricado domesticamente custava apenas 5 euros por litro, em valores de 2009.

Milhares de próteses da PIP foram descartadas em 2010

Milhares de próteses da PIP foram descartadas em 2010

Ainda segundo Brinon, a PIP não economizava apenas no gel, mas também nas bolsas dos implantes. O resultado ficou bem claro em 2009, quando até 40% das próteses se romperam. No mês passado, as autoridades de saúde da França recomendaram às 30 mil mulheres no país com implantes da PIP a retirá-los, justamente pelo risco de as próteses poderem se romper, causando infecções e irritações.

Apesar de o risco de câncer associado ao uso dos implantes da empresa francesa não ter sido comprovado, as autoridades notificaram 20 casos da doença e duas mortes no ano passado em mulheres que usavam as próteses.

Mas enfrenta em seu país dois processos judiciais e mais de duas mil queixas contra ele. No Reino Unido, mais de 200 mulheres apresentaram queixa contra as clínicas onde fizeram a cirurgia.

Proibido no Brasil

No Brasil, a comercialização das próteses de silicone da PIP está proibida desde abril de 2010, quando o governo da França divulgou informações sobre a possível fragilidade e a possibilidade de rompimento do produto. Até a suspensão da importação do silicone francês, porém, 25 mil próteses da PIP haviam sido vendidas no Brasil.

Calcula-se que em todo o mundo há entre 400 mil e 500 mil mulheres com os implantes de silicone da empresa.

MSB/lusa/afp/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais