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Mundo

François Hollande bate recorde de impopularidade

Aprovação abaixo de 13% é a pior já obtida por um chefe de Estado francês. Ao cumprir primeira metade de seu período de governo, socialista enfrenta insatisfação de eleitorado e também adversários no próprio partido.

Ao cumprir a metade de seu mandato, o presidente francês, François Hollande, está mais impopular do que nunca, com uma taxa de aprovação que varia entre 12% e 13%. Este é o pior nível já registrado por um chefe de Estado francês. A pesquisa realizada pelo instituto YouGov, divulgada nesta quinta-feira (06/11), indica uma queda de 15% em relação ao mês anterior.

Pouco antes da divulgação da sondagem, o presidente executivo do terceiro maior banco da França, o Credit Agricole, fez duras críticas ao governo Hollande. "Essa falta de uma visão clara e a falta de coerência da política econômica abalam a confiança e, com isso, os investimentos e a atividade econômica", disse Jean-Paul Chifflet.

Outra enquete publicada na segunda-feira apontou que 92% dos entrevistados estão insatisfeitos com o trabalho de Hollande, enquanto 96% reclamam que ele não cumpriu suas promessas de campanha.

Adversários no próprio partido

O chefe de Estado não enfrenta somente a raiva e a decepção de seus eleitores. O político de 60 anos tem cada vez mais adversários em seu próprio partido e está mais sozinho do que nunca.

"É difícil" e "não é nada simples", admitiu recentemente o próprio Hollande. O otimista inabalável de outrora viu sua popularidade minguar com o passar do tempo. O primeiro presidente socialista desde François Mitterrand se tornou também o presidente mais impopular da Quinta República. Apenas 4% dos franceses desejam que Hollande se candidate à reeleição em 2017.

Hollande und Valls Archivbild 20.08.2014

Hollande com primeiro-ministro francês, Manuel Valls

Depois de sua vitória sobre o conservador Nicolas Sarkozy, Hollande não teve direito a período de adaptação, devido à crise econômica. Até agora, o socialista não conseguiu cumprir nenhuma de suas principais promessas de campanha: o desemprego aumentou ao invés de cair, houve recessão ao invés de retomada do crescimento, e os socialistas se desentendem em vez de se unirem. Como se não bastasse, sua vida privada ganhou as manchetes, depois de um caso extraconjugal e consequente separação de sua mulher.

"Estilo Hollande"

Para o cientista político Frédéric Dabi, do Instituto Ifop, o problema está principalmente no "estilo Hollande". "O presidente da síntese, que queria agradar todo mundo, deixou a impressão de um governo indeciso que não consegue marchar para frente", opina. Ele acredita também que o "eterno otimismo" de Hollande, com declarações sobre uma suposta reviravolta iminente no mercado de trabalho, "acaba sendo percebido como balela".

Mesmo amigos e confidentes de Hollande agora questionam a personalidade do presidente e sua capacidade de sair da crise. "Ele não cuida bem de seus amigos, como costumava fazer François Mitterrand", disse um aliado próximo.

Para tentar sair da atual crise política, Hollande reformou sua equipe no Palácio do Eliseu, com um novo secretário-geral, uma nova equipe de consultores e de comunicação. Ele também substituiu seu primeiro-ministro e nomeou Manuel Valls como novo chefe de governo.

Pessoas chegadas ao presidente ressaltam, entretanto, a capacidade de Hollande para atravessar momentos difíceis sem perder os nervos. "Tudo é possível. Quando eu o conheci, ele estava com 3% nas pesquisas antes das primárias socialistas para a nomeação presidencial", lembra um ministro.

MD/afp/rtr