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Mundo

François Bayrou: o inesperado número três

Criador de cavalos, professor de literatura, católico e pai de seis filhos, François Bayrou promete um "radicalismo de centro", uma política pró-União Européia e uma discreta vitória sobre os favoritos Sarkozy e Royal.

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François Bayrou: supresa no páreo

Ele tem sido visto como a mais nova dor de cabeça para "Sarko" e "Sego", como os candidatos à presidência da França costumam ser tratados pela mídia do país. Surgiu "de repente" no páreo, encostou em Ségolene Royal – segunda colocada na corrida – e promete roubar votos de um lado e de outro.

Bayrou aproxima-se dos eleitores de Nicolas Sarkozy que torcem o nariz por considerarem excessiva a sugestão do candidato de criação de um "Ministério da Imigração e Identidade Nacional", num flerte explícito com a extrema direita. Um ministério voltado para cuidar da indesejável "gentalha", que é como Sarkozy chamou os jovens revoltosos dos banlieues franceses, quando estes foram às ruas em 2005.

A grande nation dos avós estrangeiros

Bayrou, por sua vez, esquiva-se da questão dos imigrantes ilegais no país, preferindo lembrar em seu discurso "a raiz do problema", localizada na pobreza e miséria do continente africano, de onde muitos se vêem obrigados a fugir.

Um ministério da Imigração "não tem nada a ver com identidade nacional", pondera Bayrou, lembrando os lemas da Revolução Francesa como marcas do país e não a origem étnica de cada cidadão. Isso num contexto, há de se lembrar, em que mais de 30% dos cidadãos têm avós não franceses.

Carisma de professor do interior

Se o discurso do político de 56 anos se afina com a ideologia do Partido Socialista (um perigo para Royal), Bayrou lembra, por outro lado, o perfil dos democrata-cristãos alemães. "Bonzinho, honesto, aplicado, com o carisma de um professor do interior", descreve o semanário Der Spiegel o candidato francês.

Os mentores da campanha lançam Bayrou como o candidato contra um sistema político corroído pela corrupção. "Como herói das pessoas simples, antídoto contra a indolência da política", comenta a revista alemã.

Sua promessa é formar um governo constituído pelas melhores cabeças da esquerda moderna, da direita moderada e dos verdes sensíveis, criando um radicalismo de centro, por mais paradoxal que o termo possa soar.

O problema do candidato, porém, é como fazer isso, uma vez que seu partido – criado no passado como contraponto aos gaullistas por Valéry Giscard d'Estaing – , com suas meras 30 cadeiras no Parlamento, dificilmente terá o apoio de uma maioria que o permita governar.

"Projeto, não programa"

Analistas acreditam que o eleitor francês esteja farto do jogo entre os rótulos esquerda e direita. Nas próximas eleições, é provável que a decisão seja tomada a partir do poder de convencimento e da personalidade de cada candidato e não a partir da simpatia por um partido específico.

Bayrou, que afirma ter "um projeto e não um programa" de governo, defende a redução das dívidas do Estado, a reforma institucional e um claro sim à união da Europa. Outro de seus "projetos" é a descentralização do governo francês, com o fim dos departamentos e um fortalecimento das regiões como unidades administrativas.

À parte da politicagem parisiense

Enquanto Ségolene Royal promete inovação e Nicolas Sarkozy um pulso forte, Bayrou anuncia ser um pouco de tudo e ao mesmo tempo se posiciona contra todos. "Sua força está no fato de que as pessoas não o identificam com a politicagem parisiense", observa o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

"Sou o único, entre os candidatos com chances reais, que sabe tirar leite de uma vaca e consegue dirigir um trator", diz o candidato com orgulho. Resta saber se isso basta para convencer os franceses na hora do voto.

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