França e Alemanha irão limitar salários de executivos do setor bancário | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 26.08.2009
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Economia

França e Alemanha irão limitar salários de executivos do setor bancário

Apesar de França, Alemanha e União Europeia exigirem novas regras para o pagamento de executivos, Reino Unido teme que planos venham a pôr em risco a competitividade de seu sistema financeiro.

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Bônus de executivos serão vinculados a lucros e perdas

Após encontro com banqueiros em Paris, o presidente francês Nicolas Sarkozy declarou nesta terça-feira (25/08) que, tanto na França quanto no resto do mundo, erros de executivos do setor bancário devem ser punidos com a redução dos bônus que recebem.

Segundo os planos de Sarkozy, será introduzido um sistema de bonus-malus (bom e mau, em latim), que vinculará não somente os lucros, mas também as perdas da companhia aos incentivos econômicos.

No encontro de cúpula do G20 (grupo dos países ricos e principais emergentes) a ser realizado no final de setembro próximo em Pittsburgh, nos Estados Unidos, Sarkozy pretende apresentar o modelo francês. "Vamos convencer a comunidade internacional de que podemos mudar as regras do capitalismo financeiro", disse o presidente francês.

Bônus e "malus"

Em uma reunião de seu gabinete de governo, Sarkozy salientou que, em tempos de crescente desemprego devido à crise financeira, não deve ser possível que "os banqueiros encham seus bolsos". O pagamento de bônus deve, futuramente, orientar-se pelos lucros a longo prazo dos bancos, contribuindo assim para evitar negócios arriscados.

Um assim chamado sistema de "malus" também deverá existir para operadores de mercados cujas transações provocam perdas a seus bancos. Os operadores terão de abdicar de até dois terços das bonificações por lucros alcançados, caso o banco apresente perdas em anos posteriores. Boa parte dos pagamentos de bônus deverá ser feita de forma defasada, para permitir a avaliação dos "malus" e reduzir o pagamento de bônus, se necessário.

Segundo Sarkozy, o governo francês não trabalhará mais com bancos que não respeitem essas regras. O presidente da Federação de Bancos da França, Baudouin Prot, afirmou que os bancos franceses se comprometeram a implantar o sistema proposto por Sarkozy.

Planos alemães

Nicolas Sarkozy mit Bundeskanzlerin Angela Merkel

Sarkozy tentará convencer Merkel sobre bônus e 'malus'

Em sua visita a Berlim, na próxima semana, Sarkozy pretende conseguir o apoio de Angela Merkel para seu modelo. O governo em Berlim e as autoridades de supervisão financeira do país também planejam regras mais duras para controlar os salários de executivos do setor bancário.

Juntamente com o Banco Central alemão, as autoridades de supervisão financeira elaboraram uma nova diretriz, segundo a qual os salários dos executivos não deverão se orientar mais pelos lucros a curto prazo, evitando assim negócios especulativos

A nova regulação de pagamentos faz parte das chamadas "Exigências Mínimas de Gerenciamento de Risco", que as autoridades de supervisão financeira do país apresentaram em meados de agosto. As novas regras deverão ser introduzidas até 31 de dezembro próximo.

Resistência britânica

A discussão em torno da redução dos salários de executivos também chegou à União Europeia (UE). Segundo o site Spiegel Online, o comissário de Indústria da UE, Günter Verheugen, declarou que a UE pretende chegar a um rápido consenso quanto à limitação dos salários de executivos do setor bancário.

Segundo Verheugen, a Comissão Europeia defende que "não deveria haver nenhuma relação com lucros a curto prazo das companhias". O comissário afirmou ainda estar seguro de que os Estados-membros e o Parlamento Europeu irão rapidamente entrar em acordo quanto ao tema.

Apesar de França, Alemanha e UE exigirem novas regras para o pagamento de executivos, o jornal britânico Financial Times afirmou neste mês que as autoridades de supervisão financeira do Reino Unido teriam recusado as planejadas recomendações para o pagamento de bônus a executivos do setor bancário. Segundo o jornal de economia, o motivo seria o medo de que tais planos ameacem a competitividade do sistema financeiro britânico.

CA/dw/dpa/ap/efe/rtr
Revisão: Roselaine Wandscheer

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