França é criticada por fornecer armas aos rebeldes líbios | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.06.2011
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Mundo

França é criticada por fornecer armas aos rebeldes líbios

Armas foram lançadas de aviões para os rebeldes e a população líbia, confirmam as Forças Armadas francesas. Reino Unido e Otan se distanciam da decisão. China pede respeito ao mandato da ONU.

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Rebeldes líbios em Misrata

A França é o primeiro país ocidental a confirmar que forneceu armas para os rebeldes líbios. Aviões franceses lançaram de paraquedas armamentos leves para os rebeldes e a população da Líbia no início de junho nas montanhas de Nafusa, a sudeste de Trípoli, afirmou nesta quinta-feira (30/06) o Estado-Maior das Forças Armadas da França.

O Estado-Maior confirmou desta forma uma informação publicada pelo jornal Le Figaro que, citando uma "fonte francesa bem situada", noticiou o lançamento de lança-mísseis, rifles de assalto, metralhadoras e mísseis antitanque, entre outras armas.

No início de junho, a precária situação na região teria levado os franceses a lançar ajuda humanitária a partir de aviões. Foram lançados "alimentos, água e material médico", disse o porta-voz do Estado-Maior, coronel Thierry Burkhard, citado pela agência de notícias AFP.

"Durante as operações, a situação dos civis na área piorou. Também lançamos armas e meios para permitir que se defendessem, essencialmente munições", acrescentou. Tratou-se, segundo o porta-voz, de "armas que podem ser manejadas por civis, armamento leve de infantaria, como espingardas".

"Como a situação humanitária se degradou, completamos as entregas humanitárias com algumas armas", insistiu, acrescentando que foram "alguns lançamentos pontuais, durante vários dias, para evitar que os civis fossem massacrados".

Uma fonte citada pela AFP indicou, porém, que a França enviou armas também através das fronteiras terrestres com os países vizinhos. Segundo essa fonte, 40 toneladas de armas foram enviadas para a região, nomeadamente "tanques leves".

A decisão teria sido tomada após uma reunião, em meados de abril, entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o chefe do estado-maior dos rebeldes líbios, o general Abdelfatah Younes. A fonte citada pelo Le Figaro indicou por seu lado que o envio de armas foi decidido com base no interesse da França em dar apoio aos rebeldes na frente sul do combate contra o regime do ditador Muammar Kadafi.

Decisão isolada

O Reino Unido se afastou da decisão da França. O secretário de Estado da Defesa, Gerald Howarth, disse abertamente que o governo britânico não concorda com o fornecimento de armas. "É algo que não deveríamos fazer", afirmou.

"Não, o Reino Unido não tem planos de fornecer armas à oposição na Líbia. Pensamos que esta medida levanta uma série de questões, a começar pela resolução das Nações Unidas [que autorizou a intervenção internacional na Líbia], mesmo que em algumas circunstâncias possa vir a ser justificada", afirmou o responsável britânico.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, declarou não ter nada a ver com a decisão da França. Ele reiterou que a presença da Otan na Líbia se limita à implementação da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê uma zona de exclusão aérea, um embargo de armas e a proteção de civis.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou, diante do Congresso norte-americano, que a intervenção norte-americana na Líbia continua "limitada", sem mencionar a decisão francesa. "Estamos fazendo exatamente o que eu havia dito. Não temos soldados no terreno (...) não houve uma única morte de um norte-americano. Não existe qualquer risco de movimentações suplementares", declarou Obama à imprensa.

A China apelou para que os países envolvidos no conflito na Líbia respeitem integralmente o mandato da ONU e evitem ações que extrapolem seus limites. "A China apela à comunidade internacional para seguir estritamente o espírito da resolução do Conselho de Segurança da ONU", declarou à imprensa, em Pequim, o porta-voz do Ministério chinês do Exterior, Hong Lei, citado pela AFP.

AS/lusa/afp/dpa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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