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Mundo

Fracasso da reunificação do Chipre desaponta UE e ONU

O plebiscito na ilha dividida entre gregos e turcos provocou consternação. A partir de 1º de maio, apenas a parte grega integrará a União Européia. Ministro Fischer: "uma chance histórica desperdiçada".

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Turcos cipriotas após o referendo: poucos motivos para festejar

Para o comissário encarregado da ampliação da União Européia, Günther Verheugen, "o dano político é grande": agora "pousa uma nuvem negra sobre o ingresso do Chipre na UE".

Não que alguém se tenha surpreendido com o resultado dos dois plebiscitos realizados paralelamente no sábado (24). Desde o início, a resistência dos gregos – concentrados no sul daquela ilha do Mar Mediterrâneo – contra a reunificação era tão clara quanto a aprovação de seus vizinhos do norte, os turcos.

O Chipre está separado em duas metades desde 1974. Enquanto um grupo de oficiais gregos tentava forçar a anexação do Chipre a seu país, através de um golpe militar, tropas turcas invadiram a parte norte da ilha, obrigando 200 mil habitantes de origem grega a deixar a região. Em cerca de 40% da superfície cipriota, foi criado um Estado Federado Turco, reconhecido apenas por Ancara.

Modelo suíço rejeitado

O plano de reunificação proposto pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, visava a criação de uma república federativa. Segundo o modelo suíço, ela seria formada por dois cantões autônomos sob governo único. Não haveria qualquer alteração dos atuais limites territoriais.

Contra seu chefe de governo, Mehmet Ali Talat, e a maioria da população turco-cipriota, o presidente Rauf Denktash opôs-se desde sempre ao plebiscito. A insistência de Verheugen durante as negociações levaram até mesmo a atritos. O principal receio de Denktash era "que o nosso Estado seja anulado".

Entre os greco-cipriotas, as restrições ao referendo eram generalizadas, ecoando a posição de seu presidente, Tassos Papadopoulos. Eles opunham-se tanto contra a presença de soldados e imigrantes turcos, quanto à restrição do direito de retorno à parte norte, para os que a abandonaram 30 anos atrás. Além disso temiam ter de arcar com os altos custos da reunificação.

Muita decepção, mas nenhuma surpresa

Assim, a apuração dos votos apenas confirmou o que todos já esperavam. Longe da unanimidade necessária, 75,8% dos greco-cipriotas rejeitaram a reunificação, enquanto 64,9% dos habitantes da parte norte manifestaram-se a favor dela. Segundo Denktash, a maioria destes nem conhecia o exato teor dos planos de Kofi Annan.

Apesar da derrota, a Comissão da UE elogiou o "sim" da população de origem turca: "Ele demonstra claramente o desejo dessa comunidade de resolver o problema da ilha". Paradoxalmente, os turco-cipriotas é que serão duplamente punidos pelo resultado do plebiscito: a partir de 1º de maio, apenas o sul da ilha passará a fazer parte da União Européia.

Günter Verheugen lamentou o resultado dos plebiscitos paralelos. A seu ver, ele complicará desnecessariamente as relações entre a UE e Turquia, que também aspira a ingressar no bloco europeu. Ele quer, acima de tudo, terminar com o isolamento econômico dos turco-cipriotas. Contudo, permanece um sinal negativo e indesejado para a paz na região, e ele não acredita que a ONU venha a insistir na reunificação.

A ONU desiste do Chipre

Zypern Alvaro de Soto bei Rauf Denktash

Alvaro de Soto (esq.) e Rauf Denktash (dir.), em fevereiro de 2004

O enviado especial de Annan no Chipre, Alvaro de Soto, confirmou a suposição de Verheugen: na próxima semana será fechado o escritório que a ONU mantinha há três anos na cidade de Nicósia. "Não temos motivo para permanecer aqui", concluiu o diplomata peruano em entrevista à televisão local. Fica também suspensa a retirada parcial, prevista pela ONU, dos 30 mil soldados turcos estacionados no norte da ilha.

O ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, também recebeu com consternação o resultado do referendo. Segundo ele, o sul da ilha "deixou passar a grande chance para a reunificação". Fischer anunciou que na segunda-feira (26), em Luxemburgo, os ministros do Exterior da UE estudarão o resultado do referendo e seus efeitos sobre o futuro do Chipre.

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